Carros Bicombustíveis


Ultimamente, as fábricas automotivas passaram a produzir carros bicombustíveis. Esses veículos podem ser abastecidos tanto com álcool ou gasolina e ganharam a confiança do público por serem mais práticos e condizentes com o propósito que cada combustível proporciona ao automóvel. O trabalho com um combustível diferente não interfere na troca de um para outro de forma manual ou automática.

Carros Bicombustíveis

A maioria dos proprietários costuma se concentrar no uso do álcool e da gasolina, mas há alguns veículos, como os de taxistas, que já são projetados para funcionar à base de gás natural veicular, o GNV. A partir de comandos eletrônicos movidos por sensores, o motorista do carro pode acionar um dos combustíveis para fazer o veículo funcionar ou então misturá-los no tanque de combustão sem que o motor seja prejudicado ou outra estrutura apresente falhas.

Como surgiram os carros bicombustíveis?

A ideia de um motor que usasse dois combustíveis surgiu na Alemanha, no período da Segunda Guerra Mundial. Os militares alemães usavam bombas voadoras à base de álcool ao invés de gasolina. Como o funcionamento dessas bombas continuava eficaz, o seu uso continuou, chegando a atrair montadores norte-americanos que pensaram em fabricar carros mais potentes e ao mesmo tempo econômicos.

Foi na década de 70 que a General Motors (GM) construiu seus primeiros exemplares automobilísticos com motores para álcool (85%) e gasolina (15%). No Brasil, a difusão da fabricação desses modelos chegou cinco anos mais tarde, a partir do enfoque ao programa Pró-álcool. A medida visava a fabricação de álcool a partir de cana-de-açúcar e mandioca para estimular a economia brasileira nesse setor e desafogar a compra de gasolina no país.

Dez anos mais tarde, o programa perdeu força devido ao aumento do petróleo no mercado internacional, interferindo também no valor do açúcar. O combustível ficou mais caro e muitos consumidores se concentraram em comprar gasolina, enfraquecendo o custo-benefício e a eficácia do programa. Embora regulamentado devidamente pelo Governo Federal Brasileiro, o programa quase foi extinto e só foi ganhar força 23 anos depois.

Em 2003, a Volkswagen decidiu investir mais intensamente nesse formato e lançou o Gol 1.6 Total Flex, o primeiro de muitos carros bicombustíveis que seriam fabricados e vendidos no Brasil. Ao contrário de como eram feitos os carros militares alemães, o novo Gol garantiu a mesma proporção de um combustível para outro e o motorista poderia alternar seu uso, manual ou automaticamente, sem nenhum risco. Isso compensaria a economia do país e também o setor automobilístico, movendo outras montadoras a fabricarem carros desse mesmo estilo.

Como eles funcionam?

Assim como ocorreu com o gol, os carros bicombustíveis atuais também podem armazenar e usar os combustíveis na mesma proporção. Mas a diferença é que o tanque de um carro flexfuel é maior do que o de um carro comum. Dessa forma, há mais espaço para os dois combustíveis, uma vez que o álcool é consumido com mais frequência do que a gasolina.

Para garantir que esse consumo seja equilibrado e não cause nenhum dano, o carro apresenta três partes básicas: os sensores eletrônicos, a central de comando e o motor. O fato de o motorista abastecer o carro com um combustível e depois com outro não resulta em problemas mecânicos.

• Sensores eletrônicos: os sensores captam a queima do combustível. Ele verifica os gases emitidos (especialmente oxigênio) para gerar uma voltagem aplicada ao tipo de combustível usado. Para cada líquido, os sensores enviam a informação a um chip instalado na central de comando para fazer o carro funcionar;

• Central de comando: é onde as informações obtidas pelos sensores eletrônicos são armazenadas. Um programa é instalado num chip que se concentra na central de comando. Esse programa propõe um cálculo de como o motor pode trabalhar a mistura do combustível. No caso do álcool, o consumo não gera tantos gases poluidores, mas a potência do carro fica mais fraca, exigindo que o motorista abasteça mais vezes. Já a gasolina garante mais potência, mas a emissão de gases nocivos (advindos do processamento de petróleo) promove maior poluição;

• Motor: o motor vai ajudar sua estrutura para que o combustível mova todos os seus compartimentos. O cilindro e o ponto de ignição ficam a postos para receber o combustível e dar o comando de quando a vela pode soltar a faísca e queimar o líquido em sua caixa de combustão.

É importante que o motorista fique ciente de que a potência de um carro flex é diferente de um carro que funciona somente com um dos combustíveis. A perda de eficácia 12 vezes menor do que um carro exclusivo à álcool ou à gasolina devido a taxa de compressão ser mais trabalhada com o consumo das duas substâncias. Entretanto, como uma forma mais econômica e segura de se usar um veículo, um carro que usa os dois líquidos ainda é uma alternativa mais viável tanto para uso como para o meio ambiente.