Desenvolvimento Econômico e Geopolítica da China


China: situação de desenvolvimento econômico

Entre os países dessa região a república Popular da China e o Japão são os mais importantes. A China ocupa uma área de cerca de 9.597.000 km2, e é o mais populoso do globo com 1.313.300.000 (2004), e sua densidade demográfica média de 137 hab/km2, sendo que as culturas de cereais, como trigo (110 milhões t.), arroz (201 milhões t.), milho (133 milhões t.) e soja (15 milhões t.) são as mais importantes e ocupam, aproximadamente, 70% de toda a área cultivada. Entre as demais culturas destacam-se as destinadas ao abastecimento das indústrias, como algodão (1° produtor mundial) tabaco, cana-de-açúcar, chá e a amora, cujas folhas servem de alimento ao bicho-da-seda. Com as reformas econômicas dos últimos 20 anos, que ocasionaram a modernização e a privatização da atividade agrícola, a produção chinesa tem atendido quase a todas as necessidades de sua população, destacando-se inclusive como o maior produtor mundial de cereais, verduras, raízes e tubérculos. Na pecuária, a China possui o maior rebanho mundial de suínos (410 milhões), equinos (23 milhões) e aves (3,8 bilhões), além de grandes rebanhos de bovinos (103 milhões), ovinos (121 milhões) e caprinos (135 milhões); é também o maior produtor mundial de carne e de ovos.

Desenvolvimento Econômico

Com relação às mais importantes áreas agrícolas, elas situam-se nos domínios dos baixos planaltos, na área das terras negras da planície da Manchúria e também nas planícies orientais, nos vales dos rios Yang-tsé, Sikiang e Huang-Ho, onde existem os famosos solos de loess ou as terras amarelas chinesas.

O crescimento demográfico é de apenas 0,7%, resultado de uma drástica política anti-natalista, limitando a um filho por casal, o que tem contribuído para um desequilíbrio entre homens e mulheres. Os casais têm preferência por filho homem. Isso é histórico na China. As mulheres são vistas como um investimento sem retorno uma vez que elas não têm direito ao nome da família nem herdam propriedades e normalmente levam um dote quando se casam. Com a política do filho único imposta em 1979, muitos pais deixam as filhas morrerem sem cuidados médicos (a mortalidade infantil feminina na China é de 82 por mil, contra 34 por mil dos meninos). Os exames de ultrassom foram proibidos, pois muitos pais estavam usando-os para identificar o sexo da criança e em sendo menina praticavam aborto.

Quanto à composição étnica, é uma das mais homogéneas do mundo, 92% pertencem a etnia han. É uma população predominantemente jovem e rural. Aproximadamente 63% da população vive no campo e é muito mal distribuída no espaço: 60% da população estão concentrados nas férteis planícies, vales e deltas do leste (Planície Chinesa) e o restante nos imensos vazios do Oeste.

A China era um país muito pouco industrializado até a Segunda Guerra Mundial. Predominavam as indústrias de bens de consumo (têxtil, alimentícia, etc.) e apresentava dois centros industriais mais importantes controlados por estrangeiros: Xangai, pelos europeus e a Manchúria, pelos japoneses. Com a vitória da Revolução Comunista em 1949, o país inicia uma nova história.

Agropecuária – a China tem a maior população economicamente ativa do mundo, com quase 770 milhões de trabalhadores. Destes, cerca de 70% ou 540 milhões de pessoas dedicam-se a essa atividade. A agricultura chinesa está predominantemente voltada para o consumo interno,

Indústria – a China é hoje o país que apresenta o maior crescimento industrial do planeta, mantendo há quase duas décadas taxas de crescimento da ordem de 10% ao ano. Esse extraordinário índice é decorrência, sobretudo, das reformas económicas implementadas no país a partir da década de 1980.

As reformas, de cunho liberalizante, conseguiram integrar com grande habilidade as disponibilidades internas com os interesses internacionais, provocando a entrada maciça de investimentos externos, que foram direcionados, sobretudo para a área industrial. Entre as disponibilidades internas que favoreceram a expansão industrial na China, destaca-se a presença de grandes reservas minerais e energéticas, de mão-de-obra abundante e barata e de um expressivo mercado interno.

Geopolítica Chinesa

No século XIX, pressionada pelas ambições imperialistas de europeus e japoneses a China viu-se obrigada a abrir seus portos e a ceder parte de seus domínios. Assim, Hong Kong tornou-se possessão britânica, Anã (Vietnã) coube aos franceses e a Coreia ficou sob o domínio do Japão. Em 1912, uma revolução nacionalista derrubou a monarquia Manchú e implantou a república no país. Foi o ponto de partida para outras mudanças políticas. Nesse contexto, em 1921 foi fundado o Partido Comunista, que, por causa dos grandes problemas sociais da China, logo se transformou na força política mais poderosa do país, superando até mesmo o partido governamental, o Kuomintang.

A luta pelo poder entre os dois partidos levou a China a uma longa guerra civil que só terminou em 1949, com a vitória dos comunistas liderados por Mão Tsetung. Com a implantação de um governo comunista, a China alinhou-se politicamente à ex-União Soviética. : Entretanto, em 1960 em plena Guerra Fria, os soviéticos f recusaram lhes fornecer tecnologia, armas e : equipamentos, pois temiam que a China se transformasse f numa potência bélica e fizesse sombra à sua influência na região. Por isso, houve um afastamento entre chineses e soviéticos, com a China entrando num período i de isolamento.

O contato com outras nações só voltou a ocorrer nos anos 1970, com a aproximação dos Estados Unidos; na década de 1980, a economia chinesa já se orientava pelas regras do livre mercado. A abertura da economia chinesa ao capital t privado, inclusive estrangeiro, não foi, no entanto, acompanhada de uma abertura política. Manifestações populares reivindicando democracia têm sido violentamente rechaçadas pelo governo central.

No final dos anos 1970, começaram a ocorrer mudanças na organização produtiva interna da China, visando sua inserção na economia de mercado. Na agricultura, de forma gradativa, as fazendas coletivas (comunas) foram abolidas, dando lugar à disseminação da propriedade privada no campo. No setor industrial, as j reformas foram implementadas, sobretudo na segunda metade da década de 1980 e caracterizou-se pela adoção do sistema de autonomia para as empresas estatais, que passaram a serem controladas coletivamente pelos funcionários. Ainda no setor industrial, exceto para os ramos considerados estratégicos (espacial, bélico e de telecomunicações), observou-se a permissão de instalação de empresas privadas, que rapidamente se espalharam pelo país. A ação de capitais estrangeiros ficou inicialmente restrita às áreas criadas pelo governo para recebê-los – as Zonas Económicas Especiais (ZEEs) e os portos livres; hoje, no entanto, a permissão já se estende por outras regiões do país.

A implementação das reformas na China promoveu um dos mais rápidos índices de crescimento econômico observados num país no século XX. O comércio externo da China no período de 1980 a 1994 aumentou de 38 bilhões de dólares para 196 bilhões de dólares, num crescimento de mais de 500%. Em 2006 o PIB chinês alcançou a cifra de cerca de 2,7 trilhões de dólares, com exportações da ordem de 969,1 bilhões e importações de 791,6 bilhões de dólares.

Tigres Asiáticos

Tal crescimento foi motivado principalmente devido à posição  estratégica dessas nações em relação ao expansionismo socialista o que atraiu a atenção do governo americano com a injeção de capitais; à aplicação de capitais japoneses (através de multinacionais) na década de 1970;

atuação dos governos locais, através de órgãos de planejamento (educação, incentivos fiscais); abertura de seus mercados para multinacionais;

exploração de uma mão-de-obra barata (com pouca defesa devido a sindicatos ineficientes).

Nesse período a economia desses países, cresceu em média 6% ao ano, saíram de uma economia rural e agrária transformando-se em países industrializados, proporcionando mudanças no quadro socioeconômico com queda nas taxas de analfabetismo, baixo crescimento vegetativo e baixa
mortalidade infantil.

Na década de 1990 o processo estendeu-se também a outras nações do sudeste asiático como Tailândia, Malásia e Indonésia fazendo surgir os “novos tigres asiáticos“. Entretanto, já no final dessa década,  esse modelo econômico começou a apresentar quedas no crescimento e, com a crise econômica que os atingiu em 1997, agravada pela estagnação e declínio da economia japonesa, esses países passaram a sofrer as consequências, resultando na quase falência de suas economias. Dentre eles Coreia do Sul é o país que apresenta os melhores indicadores sociais e económicos.