Distribuição, Ocupação, Estrutura e Migrações da População Brasileira


Distribuição populacional

População absoluta: Considera-se população absoluta o número total de habitantes de um país. É por esse número que se sabe se uma nação é muito ou pouco populosa. A partir desse conceito, com uma população estimada em 190 milhões de habitantes, em 2007 (no censo de 2000, conforme da­dos oficiais do IBGE, havia 169 799 170 de habitantes), o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, supera­do apenas por China, índia, Estados Unidos e Indonésia. Os estados brasileiros mais povoados, ou seja, de maior população relativa ou densidade demográfica são Rio de Janeiro, São Paulo e Alagoas, nessa ordem. Os de menor densidade demográfica são Roraima, Amazonas e Amapá.

Distribuição, Ocupação, Estrutura

População relativa

A população total (absoluta), dividida pela área ocu­pada, denomina-se população relativa ou densidade de­mográfica. O Brasil, embora seja muito populoso, é pou­co povoado; sua população relativa é pequena: apenas 21,7 habitantes por quilometro quadrado. No Japão e na Bélgica, por exemplo, a população relativa é de mais de 300 habitantes por quilometro quadrado.

Crescimento populacional

Existem duas formas de crescimento populacional de uma região ou país: crescimento natural ou vegetativo, que representa a diferença dos nascimentos sobre os óbitos de uma população, e crescimento por imigração, quando o aumento ocorre pelo afluxo de população de outras regiões ou países.

Crescimento vegetativo

O crescimento populacional do Brasil, a partir do primeiro recenseamento realizado, em 1872, quando a população era de 9 930 478 habitantes, até os dias de hoje, estimada em 190 milhões de habitantes, foi de mais de dezessete vezes nesses 135 anos. Embora as migrações externas tenham alguma influência sobre esse crescimento, é realmente o cresci­mento vegetativo, ou seja, as taxas de natalidade bem superiores às de mortalidade, a principal causa desse aumento. Progressos da medicina, revolução sanitária, medidas de higiene e vacinação em massa completam o quadro de fatores que ocasionaram esse crescimento.

O mapa apresentado anteriormente nos mostra que o crescimento populacional nos diversos estados brasilei­ros não foi homogêneo. A taxa de maior crescimento registrada nos estados do Norte e Centro-Oeste do Bra­sil relaciona-se às imigrações ocorridas nessas regiões por causa da expansão das fronteiras agrícolas. A expectativa de vida é de 68,6 anos, sendo 64,7 anos para os homens e 72,5 anos para as mulheres. A taxa de fecundidade, que em 1965 era de 5,7%, caiu para 2,3% em 2000.

Estrutura da população

Na população brasileira, vem ocorrendo um proces­so de envelhecimento, isto é, a porcentagem de jovens está diminuindo e a de idosos, crescendo. Como a ex­pectativa de vida da população brasileira também está aumentando, justifica-se a preocupação do governo bra­sileiro em mudar a lei da previdência, ampliando a idade mínima para se requerer o benefício da aposentadoria.

Distribuição  ocupacional

A população economicamente ativa do país é de 48,5%. Portanto, a maioria da população brasileira, ou seja, 51,5% dos habitantes são economicamente inativos. Da população ativa, 24,2% se dedicam ao setor primário (agropecuária e extrativismo); 19,3, ao setor secundário (indústrias e fontes de energia); e 56,5, ao setor terciário (comércio e serviços).

Distribuição da população quanto à renda

Segundo dados do IBGE, a desigualdade na distri­buição da renda nacional é gritante, caracterizando ex­tremos entre classes sociais muito ricas e outras margi­nalizadas pela miséria. Embora a riqueza e a pobreza sejam fenômenos comuns no mundo inteiro, especialmen­te nos países capitalistas, a verdade é que nos países de­senvolvidos essa desigualdade é bem menos acentuada.

A região brasileira mais influenciada pelas correntes imigratórias foi o Sul, que, hoje, apresenta uma paisa­gem tipicamente marcada pelos europeus:
•         predomínio da pequena propriedade;
•         policultura associada à criação de gado;
•         exploração da terra pela mão-de-obra familiar.
As mais importantes correntes imigratórias foram as de portugueses, italianos, espanhóis, alemães, eslavos e japoneses.

Migrações e urbanização do Brasil

Imigrações  externas

As migrações são sempre determinadas por um con­junto de fatores de repulsão, na área de origem, e por outro conjunto de fatores de atração, na área de destino. Os fatores que estimularam as correntes imigratórias para o Brasil, muito intensas entre os anos de 1820 e 1930, foram os seguintes:
•         extensão territorial do país;
•         escassez de população;
•         necessidade de mão-de-obra na agricultura;
•         suspensão do tráfico de escravos;
•         abolição da escravatura.

Emigrações  externas

A crise econômica brasileira, iniciada na década de 1970 e aprofundada em 1980, transformou o Brasil num país tipicamente emigratório. Vivem, no exterior, 3 mi­lhões de brasileiros. O destino desses emigrantes é, so­bretudo, o mundo desenvolvido – Estados Unidos, Japão e Europa -, em busca de melhores condições de vida.

Nessa leva de brasileiros, não saíram apenas traba­lhadores cuja mão-de-obra era desqualificada, mas tam­bém promissores cientistas e pesquisadores brasileiros, atraídos por propostas de emprego em universidades e empresas dos países desenvolvidos. Além dos trabalhadores que migraram para os paí­ses desenvolvidos, uma grande leva foi trabalhar nos países sul-americanos que fazem fronteira com o Brasil.

Migrações  internas

As principais fases de migração interna, no Brasil, estão diretamente ligadas aos ciclos económicos.
•        Século XVI – Ocupação da zona açucareira nor­destina.
•        Século XVII – Ocupação do planalto mineiro, de Mato Grosso e Goiás, durante o ciclo da minera­ção.
•        Século XIX – Ocupação do Vale do Paraíba, do oeste de São Paulo e do norte velho do Paraná por causa da penetração da riqueza cafeeira.
•        1870-1912 – Nordestinos ocuparam a Amazônia para extração da borracha.
•        1835-1940 – Baianos e mineiros deslocaram-se para São Paulo em função do surto algodoeiro.
•        1910-1950 – Colonos gaúchos deslocaram-se ao oeste catarinense e ao sudoeste do Paraná para tra­balhar na agricultura.
•        1955-1960 – Nordestinos dirigiram-se à Região Centro-Oeste para a construção de Brasília (can­dangos).
• 1965-1970 – Nordestinos auxiliaram na constru­ção da Transamazônica.
• 1975-1985 – Gaúchos, catarinenses e paranaen­ses se transferiram para as regiões Centro-Oeste e Norte, expandindo as fronteiras agrícolas do café, do trigo, da soja e de vários outros produtos.

Êxodo rural

O deslocamento da população rural para os grandes centros urbanos ocorre regularmente em todo o mundo, desde a Revolução Industrial, apresentando, algumas vezes, períodos de maior intensidade, como os das duas guerras mundiais. No Brasil, esse movimento tornou-se mais intenso após a Segunda Guerra Mundial, principalmente, duran­te as décadas de 1970 e 1980, despertando preocupações crescentes em função dos problemas que ocorrem em consequência do rápido crescimento das grandes e mé­dias cidades do país.

Principais causas do êxodo rural – Fatores de repulsão
•         Latifúndios – Muita terra concentrada nas mãos de poucos proprietários rurais.
•         Modernização da lavoura – Mecanização e uti­lização de técnicas agrícolas, reduzindo o ele­mento humano no campo.
•         Deficiência no campo assistencial – Falta de as­sistência médica, escolar e social no meio rural.
•         Capitalismo rural – Os pequenos proprietários perdem espaço para os grandes latifundiários, que recorrem à mão-de-obra assalariada, obrigando-se, muitas vezes, a vender suas terras e a deslo­car-se para as cidades.

Fator de atração

•    Melhores condições de vida e de trabalho – sem qualificação profissional e estrutura para se estabelecer em um grande centro, o trabalhador rural aloja-se nas periferias, aceitando subempre­gos. Embora nos censos anteriores São Paulo e Rio de Janeiro tenham sido as regiões metropo­litanas de forte atrativo, no último censo a re­gião metropolitana de Curitiba alcançou o mais alto índice de crescimento.

Migrações pendulares

Também denominadas turbulências periurbanas, são muito comuns nas grandes cidades. Representam o movimento diário dos trabalhadores da periferia, onde residem, para a cidade grande, onde trabalham.

Movimentos sazonais (transumância)

Nas áreas agrícolas, há também movimentos sazonais. No Pantanal Mato-Grossense, durante as enchen­tes, os pecuaristas se mudam para as terras altas; duran­te as vazantes, retornam com seu rebanho para as pasta­gens mais baixas. O caboclo (tapuio), na Amazônia, desloca-se das zonas dos seringais, durante as cheias, às áreas mais al­tas, onde pratica a coleta da castanha-do-pará. No Nordeste, os camponeses deixam o Sertão, du­rante a época da seca, dirigindo-se à Zona da Mata, onde passam a trabalhar na colheita da cana-de-açúcar.

Urbanização

A urbanização é consequência direta da revolução técnico-científica e da explosão demográfica, além dos fatores já citados que provocam o êxodo rural.
No Brasil, o processo de urbanização vem se inten­sificando desde a década de 1940.