Vegetação Brasileira: Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Araucárias, Cocais, Cerrado, Caatinga e Manguesais


Vegetação do Brasil

A diversidade morfoclimática do Brasil, por causa de sua gran­de extensão territorial e distribuição no sentido norte-sul, explica a enorme variedade de formações vegetais que o país apresenta. Vale salientar, porém, que grande parte dessa vegetação ori­ginal foi e continua sendo devastada, ocasionando sérios proble­mas, como deslizamentos nas encostas das montanhas e desequi­líbrios ecológicos irreversíveis.

Vegetação Brasileira

Formações vegetais brasileiras

A vegetação brasileira é classificada em três grupos: formações florestais ou arbóreas, formações arbustivas e herbáceas e formações complexas e litorâneas.

Formações florestais ou arbóreas

Floresta Amazônica ou floresta latifoliada equatorial

Também conhecida como hiléia (Hyloea brasilienszs), cobre aproximadamente 40% do território brasilei­ro, abrangendo não só a Região Norte, mas também par­te das regiões Centro-Oeste e Nordeste do país. É densa, fechada, com grande variedade de espécies, muito úmida, com elevadas temperaturas, pequenas amplitudes tér­micas e espécies vegetais de folhas largas (latifoliadas).

• Mata de terra firme (caaetê) – livre das inunda­ções, pois se encontra nas partes mais elevadas da planície (platôs). As árvores são de grande porte, podendo chegar a 60 metros, com desta­que para a castanheira, o guaraná, o mogno, o caucho e a andiroba. Há uma grande preocupação com o desmatamento da Floresta Amazônica. Atualmente, cerca de 15% de sua extensão total já sucumbiu, em decorrência da ação antrópica, e a destruição continua intensa, causada pelo extrativismo vegetal predador praticado tanto por empre­sas nacionais como por transnacionais.

Embora com aparente uniformidade, as característi­cas de solo, relevo e clima determinam três andares de vegetação na Floresta Amazônica.
•         Mata de igapó – sempre inundada pelos rios amazônicos, é formada, principalmente, por pal­meiras e árvores de pequeno porte, emaranhadas de cipós. É bastante rica em espécies vegetais, destacando-se a vitória-régia, o açaí, o cururu, a marajá e a sapupira-da-mata.
•         Mata das várzeas – sujeita a inundações periódi­cas, apresenta árvores maiores, destacando-se a seringueira, o cacaueiro, a copaíba e a samaúma.

Madeiras prontas para serem transportadas na Amazónia. O mogno inclui-se entre as espécies com comercialização controlada. Dentre os impactos ambientais causados pelo des­matamento amazônico, podemos citar: destruição das culturas indígenas, alterações climáticas, erosão do solo, assoreamento dos rios, contaminação dos cursos de água por agrotóxicos e mercúrio e suas consequências sobre a vida.

Mata Atlântica e floresta latifoliada tropical

A Mata Atlântica, ou tropical úmida de encosta, é encontrada nas escarpas das serras litorâneas voltadas para o mar, e a floresta latifoliada tropical, em alguns trechos do Planalto Atlântico e Planalto Meridional, pe­netrando mais profundamente nos estados de São Paulo e Paraná, onde é chamada de mata do interior. Tam­bém é higrófita, perene, com varia­das espécies ve­getais, destacan­do-se: pau-brasil, jacarandá, pero­ba, cedro, jatobá, ipê, canela e pal­mito.

A introdução do cultivo da cana-de-açúcar no Nor­deste, do cacau no sul da Bahia e do café nas serras do Sudeste foi responsável pelo início da devastação da mata original. Hoje, restam menos de 4% da cobertura origi­nal primária nas encostas montanhosas. A devastação da Mata Atlântica tem agravado os processos erosivos. Como essa região é sujeita a chuvas intensas, a área encontra-se exposta a desmoronamentos, especialmente nas escarpas mais íngremes.

Mata das Araucárias ou floresta aciculifoliada

Situada em regiões de clima subtropical ou tropical de altitude, com regular distribuição de chuvas, é encon­trada desde o sul de São Paulo até o norte do Rio Gran­de do Sul, em trechos do Planalto Atlântico e, principal­mente, no Planalto Meridional. A Araucária angustifolia (pinheiro-do-paraná), mui­tas vezes, é encontrada em associações vegetais com a Illex paraguaiensis (erva-mate) e caracteriza-se por ser homogênea, aberta e de fácil penetração, o que auxiliou no aproveitamento econômico (madeira e erva-mate), mas acelerou o processo de desmatamento.

Mata dos Cocais

É um tipo de floresta de transição, constituída, prin­cipalmente, pelas palmeiras de babaçu e carnaúba. Lo­calizada entre a floresta equatorial e a caatinga, domina grande parte dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará e Tocantins. O babaçu produz amêndoas ricas em óleo, de grande utilização industrial. É a riqueza natural do Maranhão e aparece em mata densa e compacta, geralmente, em so­los úmidos. A carnaúba é uma palmeira mais alta, encontrada em matas menos densas. Suas folhas são de grande valor econômico pela cera que fornecem, sendo largamente empregadas na indústria.
Apesar de a carnaúba ser encontrada em vastas áreas do Piauí, é no Ceará que as explorações industrial e co­mercial da cera dessa palmeira são mais significativas.

Matas galerias ou ciliares

Acompanhando de perto os cursos fluviais, de cuja umidade se alimentam e se mantêm, as matas galerias ou ciliares aparecem em diversas áreas do Planalto Bra­sileiro, especialmente em trechos do cerrado e dos cam­pos do Rio Grande do Sul. Quanto maior a proximidade dos rios, mais fechadas e mais ricas elas se apresentam. À medida que a proxi­midade diminui, vão cedendo lugar a outras vegetações menos exigentes de água. A vegetação é variada, apresentando desde a serin­gueira até espécies como sapucaia, paxiúba, guanandi e diversas palmeiras.

Formações herbáceas e arbustivas Campos

São as estepes brasileiras, constituídas por vegeta­ção rasteira (herbáceas), de 10 a 50 cm de altura, em que quase não aparecem formações arbustivas. São os denominados campos limpos, conhecidos como pampas, na Campanha Gaúcha, e como campos gerais, no Paraná e em Santa Catarina. Quando associados a alguns arbus­tos isolados na paisagem, os campos sujos ou campos cerrados predominam. Esses tipos de vegetação rasteira aparecem em algumas regiões do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso do Sul. Existem, ainda, os campos inundáveis da Ilha de Marajó e os campos do Rio Branco, em Roraima. Essa paisagem vegetal é largamente utilizada na pe­cuária, muito praticada em todo o Brasil. As principais espécies vegetais são: capim-gordura, mimoso, jaraguá, amargoso e barba-de-bode.

Cerrado

Esse tipo de vegetação arbustiva (savana brasileira) predomina em todo o Planalto Central do Brasil (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), estendendo-se tam­bém ao estado de Tocantins, sul do Pará e do Maranhão, oeste da Bahia e norte de Minas Gerais. É constituída por arbustos, gramíneas e árvores pequenas de folhas grandes, troncos retorcidos, cascas grossas, raízes lon­gas e profundas como a mangabeira, a lixeira e o barba-timão. A pecuária é a principal atividade econômica nessa paisagem vegetal.

Formações complexas e litorâneas

Complexo do Pantanal

Localizado na bacia do alto Rio Paraguai (Mato Gros­so e Mato Grosso do Sul), essa paisagem vegetal repre­senta a formação mais heterogênea do país. Ali, encon­tram-se três áreas diferenciadas: as sempre alagadas, onde predominam as gramíneas; as periodicamente alagadas, com diversos tipos de palmeira (buriti, carandá); e as que não alagam, cujos destaques são o angico e o quebracho, este muito importante na indústria de couros.

Os arbustos do cerrado têm características que não se repetem em nenhum outro lugar do mundo. Os troncos e galhos retorcidos são formados de material lenhoso, as cascas são grossas e as raízes, pro­fundas. O cerrado engana o observador: parece ser uma adaptação ao regime de chuvas, mas é, realmente, uma adaptação à pobreza dos solos.

Caatinga

É constituída, essencialmente, de plantas xerófitas e cactáceas, com folhas pequenas e espinhentas e raízes profundas. É heterogênea, o solo é raso e pedregoso e algumas espécies armazenam água para sobreviver du­rante a estação seca. As principais espécies vegetais são: mandacaru, jua­zeiro, umbuzeiro e xiquexique. Embora a pecuária seja a principal atividade econômica nessa paisagem vegetal, o gado é de má qualidade e de baixo aproveitamento, com atividades criatórias de caráter extensivo.

Manguezal

Essas formações complexas são mais frequentes no litoral setentrional, especialmente no Amapá, mas tam­bém podem ser encontradas em vários outros trechos li­torâneos do país. Os manguezais são constituídos por vegetais halófilos (ambientes salinos), de raízes aéreas e pneumatóforas (raízes que respiram o oxigênio). A preservação dos mangues é fundamental, pois ani­mais marinhos se deslocam para eles na época de repro­dução.

Complexo  litorâneo

Nas regiões mais secas do litoral brasileiro, existem vegetais arbustivos e herbáceos que também vivem em solo arenoso e salgado. A vegetação das praias não é muito variada e a das dunas é mais contínua e diversificada. As principais espécies vegetais são: jundu, capim-da-areia e salsa-da-praia.

Domínios morfoclimáticos

Correspondem a grandes porções da paisagem natu­ral que apresentam relativa homogeneidade, resultado da interação da natureza (estrutura geológica, solo, relevo, clima e vegetação) ao longo do tempo. Na passagem de um domínio para outro encontram-se as faixas de transição morfoclimáticas. No Brasil, existem seis domínios morfoclimáticos: amazônico, dos cerrados, dos mares de morros floresta­dos, das caatingas, das araucárias e das pradarias.