Economia e Política na América Platina: Argentina, Uruguai e Paraguai


América Platina

A América Platina é formada por três países: Argen­tina, Uruguai e Paraguai. Apresentando uma rica tradição histórica comum, as três nações, durante a colonização espanhola, faziam parte de uma única administração. Como os cli­mas temperado e subtropical da Argentina e do Uruguai não eram adequados ao cultivo de produtos tropicais que interessavam ao mercado europeu, a colonização nessa região ocorreu um pouco mais tarde. No século XIX, com a intensa urbanização ocorrida na Europa, houve neces­sidade de aumentar o cultivo de produtos de clima tem­perado, como o trigo, intensificando-se o processo de colonização a partir do estuário do Rio da Prata, onde, hoje, estão as metrópoles de Buenos Aires e Montevidéu, seguindo o curso dos rios formadores dessa bacia hidrográfica em direção ao interior.

Economia e Política na América Platina

Como a colonização foi tardia, quase não se utilizou a mão-de-obra escrava, o que explica por que a compo­sição étnica da América Platina difere da do restante da América Latina. Na Argentina e no Uruguai, há um pre­domínio de descendentes de europeus de origem espa­nhola e italiana. No Paraguai, a maioria é composta de mestiços, descendentes de índios (guaranis) e brancos de origem espanhola.

A América Platina é composta por cinco regiões na­turais:
•         Bacia Platina – planície sedimentar banhada pe­los rios Paraná e Uruguai;
•         Chaco – também uma planície sedimentar, atra­vessada pelo Rio Paraguai;
•         Pampa – considerada a região mais importante da Argentina e do Uruguai;
•         Patagônia – um planalto desértico e rico em pe­tróleo, ao sul da Argentina;
•         Andes – região localizada na fronteira entre a Argentina e o Chile.

Argentina

Com uma área de 2 780 092 quilômetros quadrados, a Argentina é o segundo país sul-americano em tama­nho, apresentando uma população de 39 milhões de ha­bitantes, dos quais aproximadamente 13 milhões concen­tram-se na região metropolitana de Buenos Aires. Na Argentina, encontra-se a mais importante área geoeconômica da América Platina. As principais regiões são: Pampas, Andes, Patagônia e Chaco. Os Pampas são divididos em Pampas úmidos e Pampas secos. Nos pri­meiros, as condições naturais de clima e solos férteis favorecem as atividades agrícolas, como o cultivo do tri­go, da soja e, principalmente, do milho; nos Pampas se­cos, mais para o interior, predominam a pecuária bovina e a ovina, com raças de excelente qualidade e alta pro­dutividade.

Nos Pampas, também se destaca a atividade indus­trial, principalmente em Buenos Aires, Rosário e Córdoba, onde os setores automobilístico, têxtil e alimentício se sobressaem. Nos Andes, destacam-se o cultivo da vinha e a in­dústria vinícola, especialmente na cidade de Mendoza. O turismo também é uma importante fonte de renda des­sa região.

Na Patagônia, destaca-se a criação de ovinos para produção de lã. Na região, também estão localizadas as principais áreas produtoras de petróleo, sobretudo em Comodoro Rivadávia. No Vale do Rio Negro, que nasce nos Andes e atravessa a Patagônia, está a principal re­gião frutífera do país.
No Chaco, destacam-se a produção de algodão e o plantio da cana-de-açúcar.

O fim da paridade ocorreu em fevereiro de 2002, e a cotação passou a flutuar de acordo com o mercado. As dívidas contraídas em dólares também foram converti­das em peso. O longo período de recessão criou um au­mento da taxa de desemprego, e um número significati­vo da população vive abaixo da linha de pobreza. Em 2003, a economia voltou a dar mostras de recuperação.

Em maio de 2003, o Presidente Nestor Kirchner to­mou posse. Por iniciativa deste, a Câmara dos Deputa­dos e o Senado anularam as leis que perdoavam os res­ponsáveis pelos crimes da ditadura. A Suprema Corte confirmou a anulação em 2005, permitindo que se fizes­se justiça na luta contra a impunidade.

Kirchner suspendeu os pagamentos aos organismos internacionais e, depois de longas negociações, conse­guiu trocar títulos antigos por novos, reduzindo, subs­tancialmente, a dívida. Embora tenha feito negociação adequada na visão do governo, para os especialistas era possível diminuir investimentos externos, pois muitos investidores aceitaram a negociação para não perder tudo. A economia argentina mostrou expressiva recuperação e o déficit comercial deu lugar a um superavit, nos últimos anos, mas a taxa de desemprego continua elevada.

Uruguai

O Uruguai apresenta uma área de 176 215 quilômetros quadrados e uma população de 3,5 milhões de ha­bitantes. Destes, 85% vive nas cidades. Montevidéu tem l 350 000 de habitantes. O Uruguai viveu uma época de grande prosperidade na primeira metade do século XX, sendo chamado de Suíça sul-americana, mas, com as quedas sucessivas dos preços da lã e da carne, produtos uruguaios básicos de exportação, começou, a partir da década de 1960, a vi­ver uma grande recessão, o que provocou uma queda acentuada no padrão de vida de sua população.

De 1973 a 1985, o Uruguai foi governado por dita­duras militares que só agravaram a situação do país. A partir de 1985, com a volta da democracia, houve um incremento do turismo, principalmente de argentinos e brasileiros, em especial à Punta dei Este. A vida política da Argentina tem sido muito contur­bada, pois o país viveu um período de ditadura militar caracterizado por forte censura e controle ideológico, que terminou em 1983. A partir de 1991, o presidente Carlos Menem implantou um plano de estabilidade econômica, criando a paridade entre o peso e o dólar. O longo perío­do de paridade diminuiu a competitividade dos produtos. Além da produção de carne e lã, destaca-se, ainda, no Uruguai, o cultivo de trigo, arroz e vinha.

A recessão ocorrida na Argentina afetou drasticamen­te a economia do Uruguai, principalmente o setor do tu­rismo. Voltada ao extrativismo vegetal (tanino e madeira), além de uma pecuária extensiva sazonal e de baixo rendimen­to; e a porção oriental, região economicamente mais importante, a leste do Rio Paraguai, onde o clima e o solo são favoráveis à agricultura, destacando-se o cuJtivo de soja, algodão e café, feita em boa parte por brasi­leiros que lá se estabeleceram, os brasiguaios.

Em 2005, assume o poder no Uruguai Tabaré Vas-quez, o primeiro presidente de esquerda na história do país. Logo que assume, reata os laços diplomáticos com Cuba. Na economia, vem mantendo o pragmatismo neces­sário na economia moderna e reforça os laços económi­cos com os Estados Unidos.

Paraguai

Com uma área de 406 752 quilômetros quadrados e com uma população de 6,5 milhões de habitantes, o Pa­raguai é o país mais pobre da América Platina.
Quanto aos aspectos naturais, dominam o território paraguaio: o Chaco, região pantanosa, baixa e sujeita a frequentes inundações, localizada ao norte e a oeste do país, com grandes vazios demográficos e uma economia

Às margens do Rio Paraguai, desenvolveram-se importantes núcleos urbanos, como Assunção. Durante um longo período, a maior fonte econômica do Paraguai foi o comércio, tanto legal como ilegal, fei­to por brasileiros e argentinos que atravessam a frontei­ra para comprar eletrodomésticos, bebidas e aparelhos eletrônicos, na maioria das vezes sem pagar impostos, principalmente em Ciudad dei Este. Um controle mais rigoroso por parte da Receita Federal na fronteira dimi­nuiu drasticamente esse comércio.

A criação de uma zona franca em Ciudad dei Este tende a dinamizar novamente o comércio da região. O Paraguai foi o último país platino a implantar a de­mocracia, motivo pelo qual ela ainda é bastante restrita. Depois da conturbada transição política, Nicanor Duarte venceu as eleições em 2003.
A crise econômica se agravou com a ação efetiva da Receita Federal brasileira, controlando o contrabando na fronteira. Em julho de 2005, o congresso aprovou a presença de tropas norte-americanas no país, como parte de um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos.