Europa Oriental Atualmente, Investimentos e Separações


Em abril de 2003, realizou-se uma reunião de cúpula em São Petersburgo. A convite do presidente Wladimir Putin, o chanceler alemão Schróeder e o presidente fran­cês Chirac reuniram-se com ele para discutir o futuro do Iraque pós-guerra, destacando o papel vital da ONU no processo de reconstrução daquele país. A reunião ser­viu, acima de tudo, para mostrar a posição dos referidos países frente à situação no Iraque.

Europa Oriental Atualmente

Em todo o Leste Europeu, a transição para a economia de mercado enfrentou situações particulares em cada país, uns avançando de forma bem mais agressiva que outros. A integração econômica com o oeste já é fato consumado. Em abril de 2003, o Parlamento Europeu, órgão da UE, apro­vou o ingresso de Polônia, Hungria, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia, Estônia, Letônia, Lituânia, bem como de Malta e Chipre na instituição. Em maio de 2004, houve efetivamente o ingresso dos novos membros.

Os efeitos da transição que está em curso no Leste Europeu são cada vez mais visíveis. Em 2005, a economia da região cresceu a uma média de 5%, ao passo que a dos países que adotam o Euro como moeda comum cres­ceu bem menos. Quando oito países da Europa Oriental aderiram ao bloco em 2004, os membros antigos temiam uma invasão da mão-de-obra barata vinda do leste. Os grandes inves­timentos feitos pelas empresas multinacionais na região estão freando esse fluxo.

Os principais fatores que atraem investimentos na região são
•         abundância e baixo custo da mão-de-obra qualifi­cada. Os regimes comunistas do Leste Europeu deixaram como herança boas universidades, com
foco acadêmico em ciências exatas e na formação de técnicos para o setor industrial;
•         proximidade geográfica e integração com a União Europeia, que abriu para o leste um mercado de 500 milhões de consumidores com alto poder
aquisitivo;
•         baixos impostos cobrados das empresas. A mé­dia da região é de 19%, contra 29% na Europa ocidental e 34% no Brasil, o que reflete a preocupação do bloco em atrair capital estrangeiro.
• Outros atrativos que merecem ser mencionados são: a estabilidade política, a economia desregulamentada e investimentos em infra-estrutura de transportes e de tele­comunicações.

Um dos problemas ainda a ser resolvido é o desem­prego, que continua alto, variando entre 10% e 15%. Uma das razões são as mudanças no mercado de trabalho, re­sultado dos ajustes exigidos pela transição do comunis­mo para a economia de mercado. A indústria obsoleta não resistiu à concorrência ocidental depois da queda do Muro de Berlim.

Outra razão para o desemprego e que mostra a mu­dança em curso está no peso da economia informal -30% a 40% da população economicamente ativa nesses países. Boa parte desses trabalhadores informais são imi­grantes de países próximos (Ucrânia, Moldávia, Belarus). A Polônia abriga 600 mil imigrantes; na República Checa são aproximadamente 300 mil.

Ao passar de exportadores para importadores de mão-de-obra, esses países confirmam o sucesso da transição para a economia de mercado.
Outros países do leste vão ter de avançar mais na reformulação de suas instituições econômicas e sociais para serem aceitos na União Europeia.

Separação  da  Checoslováquia

O primeiro indicador da separação foi a mudança do nome de Checoslováquia para Checo-Eslováquia. A seguir veio a separação total em dois países: a República Checa e a Eslováquia. Como consequência da autonomia política, econômica e militar pós-Guerra Fria, as questões separatistas de ordem étnica e religiosa do Leste Europeu, até então abafadas pelo poder soviético, começaram a tomar vulto com a divisão da Theco-Eslováquia em República Checa – capital Praga – e Eslováquia – capital Bratislava -, ocorrida de forma pacífica, no início de 1993, por referendo popular.

Divisão da Iugoslávia

As mudanças ocorridas no Leste Europeu, a partir da queda do Muro de Berlim, favoreceram a fragmentação da Jugoslávia. Em 1991, Eslovênia, Croácia e Montenegro tornaram-se independentes. Em 1995, após uma guerra san­grenta, a Bósnia Herzegovina conseguiu sua independência, com interferência da ONU. A guerra do Kosovo, em 1999, revelou ao mundo as atrocidades cometidas pelos sérvios contra a minoria kosovar. O ditador Slobodan Milosevic foi extraditado para a Holanda, para ser julgado pelo Tribunal Penal de Haia pelos crimes de guerra cometidos contra bósnios e kosovares.

Após a democratização do país, os parlamentos da Sérvia e Montenegro aprovaram, em 2003, a troca do nome do país, que passou a se chamar República da Sérvia e Montenegro. O novo nome atenuava, de certa forma, o estigma dos massacres étnicos cometidos pelos iugoslavos. Em maio de 2006, contudo, a população de Montenegro, por meio de plebiscito, optou por separar-se da Sérvia. Com a separação, a Sérvia mantém a capital Belgrado e o novo país, Montenegro, tem como capital Podgorica.