Europa Oriental: Fim da União Soviética e Situação dos Países


Países em transição

Como consequência do fim dos regimes de partido único do Leste Europeu, o Pacto de Varsóvia e o Conse­lho para Assistência Econômica Mútua (Comecon) – or­ganização econômica do bloco comunista – encerraram suas atividades em 1991.

Europa Oriental

Perestroíka e fim da União Soviética

O modelo político seguido na União Soviética após a revolução de outubro de 1917, foi o comunismo ou o so­cialismo real, que significava, na prática, a planificação centralizada da economia e da política, dominada por um partido único e oficial, que se confundiu com o Estado e com o governo.

Esse modelo soviético criou, nos países em que foi instalado, uma burocracia (excesso de documentos e ape­go ao formalismo e à hierarquia), originando uma casta de funcionários privilegiados que desfrutavam de gran­des mordomias. A União Soviética, na década de 1980, já não era mais uma potência econômica. O excesso de burocracia não permitia que o país acompanhasse a evolução tecnológica dos países capitalistas.

Nesse cenário, assumiu o poder Mikhail Gorbatchev, que, a partir de 1986, implantou a política da peresíroika (palavra russa que significa reestruturação), termo aplica­do à abertura econômica que, aliada à glasnost (em rus­so: “transparência”), termo aplicado à abertura política, desencadearam as transformações na União Soviética e nos países satélites.

Desde 1989, a Europa oriental vem passando por uma grande transformação. Os regimes comunistas instalados após a Segunda Giande Guerra nos países satélites da União Soviética foram substituídos por regimes democrá­ticos e a economia, que era planificada, passou a ser de mercado. . Antigos líderes oposicionis­tas ascenderam ao poder, como Lech Walesa, na Polónia, e Václai Havei, na República Checa, e caíram ditaduras como a de Nicolae Ceausescu, da Roménia, fuzilado por um comando popular, no natal de 1989.

Situação atual

Em agosto de 1991, fracassou o golpe militar/burocrático, em virtude da influência decisiva do presidente eleito da Rússia, Boris Yeltsin. Em seguida, em setembro, as três repúblicas bálticas (Lituânia, Letônia e Estônia), que eram independentes até a Segunda Guerra Mundial, decretaram novamente a sua independência de Moscou.

Em dezembro desse mesmo ano, foi criada a Comunidade de Estados Independentes (CEI), reconhecendo-se o desapa­recimento do império vermelho. Gradativamente, as repúbli­cas, com exceção das bálticas, assinaram o novo acordo. A passagem para a economia de mercado no Leste Europeu trouxe uma série de problemas, tais como aumen­to do desemprego e da inflação, multiplicação de máfias ou grupos de criminosos organizados (para controlar o contrabando, a prostituição, o tráfico de drogas, etc.) e movimentos políticos exageradamente nacionalistas.

O Estado russo enfrenta um desafio vital dentro de suas fronteiras: manter a unidade do país. Organizado sob a forma de uma federação, que abriga 21 repúblicas étnicas, além da própria Federação Russa, apresenta di­versos focos separatistas. O foco principal de instabili­dade étnica localiza-se nas repúblicas do Cáucaso, que abrigam populações majoritariamente não-russas e exibem renda per capita inferior à metade da do conjunto da Federação Russa, como ocorre na Chechênia.

A Comunidade dos Estados Independentes (CEI) é uma tentativa de integrar economicamente a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A CEI, cuja atuação objetiva o livre comércio entre as novas nações, não é a reencarnação da União Soviéti­ca; cada Estado é soberano, controla o seu próprio exér­cito e tem leis próprias. Como decorrência das mudanças ocorridas na União Soviética, importantes alterações aconteceram no Leste. A religião islâmica, seguida pela maioria da popula­ção do Cáucaso, é também um fator de discórdia, contra­pondo-se aos russos eslavos (católicos ortodoxos).

Em outubro de 2002, terroristas chechenos invadiram um teatro em Moscou e fizeram a plateia refém, ameaçan­do explodir o local se o governo não retirasse o exército da Chechênia. A polícia russa, sob as ordens do presi­dente Putin, invadiu o teatro e acabou com o sequestro, deixando um saldo de aproximadamente 200 mortos. Com essa medida, o governo deixou clara sua intenção de não conceder independência à Chechênia.

Em março de 2003, o governo russo fez um referendo na Chechênia e aprovou a nova constituição local, su­bordinada a Moscou. Em outubro, o candidato do gover­no russo, Akhmad Kadirov, foi eleito presidente da Chechênia com 81% dos votos. Em janeiro do ano se­guinte, ele foi morto em um atentado.
Em 1° de setembro de 2004, rebeldes chechenos to­maram uma escola na cidade de Beslan, na Ossétia do Norte. Na operação de resgate dos reféns, 370 pessoas morreram, entre elas 160 crianças. Os fatos mostram que o conflito prossegue sem pers­pectivas de solução. Para o governo russo, conceder a independência aos chechenos pode desencadear lutas pela independência em diversos pontos da federação.

A Federação Russa vem fazendo um esforço diplomá­tico de aproximação com o Ocidente, com o objetivo, entre outros, de ser admitida como membro efetivo na Otan, como já ocorreu com Hungria, República Checa e Polônia. Em 2004, entraram mais sete países do Leste Europeu: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Desde maio de 2002, a Federação Russa participa como membro consultivo na organização, o que permite ao go­verno participar das decisões relativas ao combate ao ter­rorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.

A longa crise econômica que assolou o país na tran­sição para o capitalismo foi a responsável por colocar mais de 30% de sua população abaixo da linha de pobre­za. A partir de 2000, o PIB da Federação Russa vem sen­do positivo, um indício de que a economia voltou a cres­cer. O longo período de recessão mostrou, contudo, que o país iniciou-se, a duras penas, no mundo capitalista.