Fontes Alternativas de Energia e Industrialização: Revoluções Industriais, Classificação e Novas Industrias


Fontes  alternativas

A certeza do esgotamento das fontes fósseis e a pre­ocupação com o meio ambiente levaram a humanidade a buscar novas fontes de energia. As principais fontes al­ternativas são o sol (energia solar), os ventos (energia eólica), as marés (energia maremotriz), os gêiseres (ener­gia geotérmica) e a biomassa.

Fontes Alternativas de Energia

Energia solar

Os países subdesenvolvidos, por estarem quase to­dos situados na região intertropical, apresentam um po­tencial muito grande para o aproveitamento da energia solar. Faltam-lhes, contudo, tecnologia e capital. O problema do aproveitamento dessa fonte de ener­gia está relacionado com a armazenagem.
A energia solar, hoje mais usada no aquecimento de água e de interiores de casas e prédios, é uma das mais promissoras fontes do setor no século XXL Israel e Es­tados Unidos são exemplos de países que produzem ener­gia elétrica em grande escala utilizando a energia solar.

Energia eólica

Em 2005, a Agência Internacional de Energia, ligada a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvi­mento Econômico) decidiu instalar na França uma usina Eólica. A obtenção de energia por meio dos ventos é antiga. De há muito, são conhecidos os moinhos de vento. Atualmente, modernas tecnologias acionam turbinas uti­lizando a força do vento para movimentar pás verticais e horizontais. Em vários países a energia eólica já tem cus­tos competitivos em relação à convencional. É o caso de Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca e Países Baixos. A índia também já vem produzindo esse tipo de energia em escala comercial.

Em alguns estados brasileiros, a energia eólica já é urna realidade e o consórcio com empresas alemãs de alta tecnologia torna essa opção cada vez mais viável, pois o Brasil tem um enorme potencial na área, princi­palmente ao longo de seu extenso litoral, além de o país contar com imensas extensões planas, propícias a proje-tos desse tipo.

Biomassa

Os rejeitos de origem vegetal e (ou) animal vêm sen­do usados na geração de energia em usinas térmicas, com a queima da chamada biomassa que aquece a água e cujo vapor aciona turbinas. Paralelamente, plantas de origem agrícola como cana-de-açúcar, mandioca, mamona, dendê, etc. são fontes al­ternativas altamente viáveis, pois delas se pode obter álcool ou óleo combustível para motores.

No Brasil, a produção em larga escala do álcool, a partir da cana-de-açúcar, já é uma realidade. Com a rati­ficação do Protocolo de Kyoto, em fevereiro de 2005, e o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustível, o Brasil, além do álcool para substi­tuir a gasolina, passa a produzir óleos vegetais para subs­tituir o óleo derivado de petróleo. A tropicalidade da maior parte do território brasileiro favorece a produção da cana-de-açúcar e de plantas oleaginosas, que podem transformar o Brasil na grande potência de energia lí­quida, limpa e renovável do planeta.

Energia  marenraotriz

A obtenção da energia maremotriz só é viável nos locais onde a variação das marés é muito alta. França, Portugal e Japão são exemplos de países que usam as marés como fonte de energia.

Energia geotérmica

Chama-se energia geotérmica o calor proveniente do interior do planeta. A Islândia e a Nova Zelândia, por exem­plo, utilizam a água quente proveniente dos gêiseres.

Indústria

Também conhecida como atividade secundária, a in­dústria é a atividade pela qual o homem transforma matérias-primas em objetos que tenham uma aplicação útil. No mundo atual, predomina a sociedade de consu­mo e a atividade industrial é um dos ramos mais impor­tantes da economia. É a indústria que provoca o desen­volvimento de atividades que lhe são complementares, como fornecedores de matérias-primas e de energia; é a indústria que obriga a especialização e a qualificação da mão-de-obra, produz capital e estimula o desenvolvimen­to do comércio, dos transportes e dos serviços. A indústria moderna surgiu no século XVIII, impul­sionada por dois elementos fundamentais: a máquina e a energia mecânica.
Etapas da  industrialização

Primeira  Revolução  Industrial

A Primeira Revolução Industrial ocorreu no século XVIII, estendendo-se até por volta de 1870. A Inglaterra era a grande potência industrial, com empresas de pe­queno e médio porte, nas quais predominavam a máqui­na a vapor e as indústrias têxteis. A principal fonte de energia era o carvão mineral.

Segunda  Revolução Industrial

A Segunda Revolução Industrial durou até os anos de 1970. O carvão foi sendo substituído pelo petróleo, que, com o advento da indústria automobilística, tornou-se a principal fonte de energia do mundo. A descoberta da eletricidade e dos motores elétricos trouxe grandes inovações técnicas. A Inglaterra perdeu a liderança para economias mais dinâmicas como as da Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão e as pequenas empresas do capitalismo concor­rencial foram substituídas por grandes empresas do capi­talismo monopolista. Os setores mais importantes passa­ram a ser o de siderurgia, as indústrias metalúrgicas e, no século XX, a petroquímica e a indústria automobilística.

Terceira  Revolução Industrial ou Revolução  Técnico-Científica

A partir da década de 1970, o mundo foi invadido pelo conhecimento e pela tecnologia avançada. Hoje, os setores de ponta são a informática, a robótica, as teleco­municações, a química fina, a indústria de novas maté­rias, a nanotecnologia, a biotecnologia e, em particular, a engenharia genética.

Classificação das indústrias

A classificação das indústrias mais utilizada tem como critério a finalidade dos bens produzidos. Assim, existem:
•         indústrias de bens de produção ou indústrias de base – aquelas que produzem matéria-prima para outras indústrias; exemplos: siderúrgica, de celulose, petroquímica;
•         indústrias de bens de equipamentos ou de bens de capital ou de bens intermediários – as que produzem máquinas e energia para as outras indústrias; exemplos: máquinas, ferramentas, ener­gia elétrica, etc.
•         indústrias de bens de consumo – as que produ­zem bens para o consumidor final e que se sub­ dividem em:
indústrias de bens de consumo duráveis -aquelas que geram produtos de aproveitamento continuado. Exemplos: eletrodomésticos, móveis, veículos, etc.
indústrias de bens de consumo não-duráveis -as que produzem bens de consumo rápido, como produtos alimentícios, confecções, etc.

Quanto à matéria-prima e à energia utilizada, existem

•         indústria leve – a que usa pequena quantidade de matéria-prima e (ou) de energia, (vestuário, remédios, bebidas);
•         indústria pesada – a que consome alta quanti­dade de matéria-prima e (ou) de energia e re­quer vultosos investimentos iniciais (siderurgia,
navios e máquinas).

Revolução Técnico-Científica

Como as revoluções industriais anteriores, a Revo­lução Técnico-Científica ou Terceira Revolução Indus­trial nasceu no mundo desenvolvido, mas teve influên­cia sobre todo o planeta, difundindo-se inclusive para algumas áreas privilegiadas de países subdesenvolvidos. A distribuição espacial dos centros industriais vem se modificando. Alguns setores industriais, ainda neces­sários e importantes, porém não mais de vanguarda, vão sendo transferidos para regiões menos desenvolvidas. É o caso das indústrias petroquímica e automobilística, das usinas siderúrgicas e (ou) metalúrgicas, das fábricas de alimentos, etc. transferidas para os países subdesenvol­vidos emergentes.

As áreas “nobres” são aquelas reservadas para a ins­talação de indústrias avançadas ou de ponta: informáti­ca, telecomunicações, química fina, aeroespacial, eletrônica, biotecnologia, etc. São os tecnopolos, que exigem mão-de-obra qualificada com elevado grau de escolari­dade, centros de pesquisas e boas universidades.

Como se pode observar no mapa, as principais re­giões industriais localizam-se nos países desenvolvidos, que foram os pioneiros no processo de industrialização e continuam até hoje na frente em quantidade e qualida­de de indústrias. Dentre as maiores concentrações industriais, três merecem destaque: Manufacturing belt, Vale do Reno-Ruhr, na Alemanha e Extremo Oriente, destacando-se o Japão.

Novas indústrias

O conceito tradicional de indústria – indústria é a atividade pela qual o homem transforma matéria-prima em objetos que tenham uma aplicação – nos dias atuais vem sendo ampliado e já interage com o que era consi­derado o setor terciário. Não existe mais uma divisão rígida dos setores. A atividade mais importante da Terceira Revolução Industrial é a informática, especialmente a produção de softwares (programas ou aplicativos para computador) e de hardwares: supercomputadores, microcomputadores e, atualmente, a nanotecnologia, produzindo microprocessa­dores para os mais variados usos. A revolução técnica da informática foi a mais rápida que já ocorreu e atinge to­dos os outros setores econômicos. Os bancos e escritóri­os tornam-se cada vez mais automatizados, as fábricas dispõem de máquinas inteligentes, os aeroportos e avi­ões são orientados por computadores, até a temperatura e a umidade das residências podem ser controladas por computador.

A Terceira Revolução Industrial também apresenta outro setor de ponta, a biotecnologia, e em particular a engenharia genética. Por meio da manipulação dos ge­nes é possível melhorar plantas e animais e produzir microrganismos para usos medicinais. A biotecnologia vem contribuindo muito para o de­senvolvimento do setor agropecuário que tem evoluído significativamente. O melhoramento genético e, espe­cialmente, o desenvolvimento de plantas transgênicas, por meio dos quais surgem plantas resistentes a pragas e doenças, tem proporcionado grande aumento na pro­dutividade; plantas que só davam uma colheita por ano passam a dar duas ou mais, como é o caso da produção de uva no Vale do Rio São Francisco, em pleno Sertão nordestino.

A biotecnologia faz o setor agropecuário viver uma nova revolução verde, hoje bem menos dependente dos agrotóxicos prejudiciais à saúde humana.
Esses novos ramos industriais exigem altíssimos in­vestimentos em pesquisas. Os países desenvolvidos são os que mais investem em pesquisas e, depois, transfe­rem o know-how, por meio de suas multinacionais, para os países subdesenvolvidos que acabam desembolsando elevadas quantias com pagamentos de patentes.