Fontes de Energia: Carvão, Petróleo, Gás Natural e Usinas Termelétricas e Nucleares


Energia é a capacidade de produzir trabalho. O ho­mem, durante boa parte de sua história, dispôs da ener­gia de sua própria força muscular e da tração animal, do calor da lenha e da captação da energia das águas e dos ventos para produzir trabalho. A invenção da máquina a vapor só aconteceu há cerca de trezentos anos e a utili­zação do petróleo só foi possível no século XIX.

Fontes de Energia

Classificação das fontes de energia

As fontes de energia classificam-se em renováveis e não-renováveis. Renováveis são aquelas que, uma vez uti­lizadas pelo homem, são capazes de regenerarem-se espon­taneamente ou por meio de práticas conservacionistas. São exemplos de energia renovável a solar, a hidráulica (da água) e a eólica (dos ventos); a energia dos vegetais (lenha, car­vão vegetal, álcool, biodiesel) e a energia das marés.

Fontes não-renováveis são aquelas que, uma vez utili­zadas, não podem regenerar-se espontaneamente nem pela intervenção do homem. Os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, xisto, gás natural) e a energia nuclear são exemplos de fontes não-renováveis. Um dos índices utilizados para medir o nível de desen­volvimento de uma nação é o consumo per capita de ener­gia. Quanto maior o consumo, mais desenvolvido é o país.

O aumento desmedido do consumo e os sérios proble­mas ecológicos ligados à queima dos combustíveis fósseis transformaram-se em um dos grandes desafios a serem en­frentados pela humanidade, que já busca fontes de energia mais abundantes e menos poluentes que o petróleo. Na sequência, serão abordadas as principais fontes de energia convencionais (carvão mineral, petróleo, gás natu­ral, hidreletricidade e energia nuclear).

Fontes convencionais

Carvão

O carvão é um combustível fóssil encontrado em lo­cais sedimentares, formado por meio de transformações químicas que se processaram a partir de grandes flores­tas soterradas, principalmente na Era Paleozoica (perío­dos Carbonífero e Permiano). A transformação dos vegetais em carvão ocorreu em quatro estágios: turfa, linhito, hulha e antracito.
•         Turfa – primeiro estágio de transformação – a turfa, que se formou na Era Cenozóica, é a putrefação dos restos vegetais em várzeas e (ou)
pântanos. Tem baixo teor calorífico e alto grau de umidade.
•         Linhito – segundo estágio – formado na Era Mesozoica, tem elevado percentual de água e baixo teor de carbono.
•         Hulha – carvão propriamente dito – pode ser transformado em coque (carvão metalúrgico). Formado na Era Paleozoica, é o mais consumido
no mundo.
•         Antracito – último estágio – com alto teor de carbono (90 a 96%), é utilizado para aquecimento
doméstico.

O carvão é muito utilizado para gerar energia elétrica em usinas termelétricas, para produzir aço nas indús­trias siderúrgicas e, também, como matéria-prima na in­dústria química. No Brasil, as jazidas localizam-se no sul do país, nos terrenos permocarboníferos da borda oriental da Bacia do Paraná (Depressão Periférica).

Petróleo

O petróleo é hoje o combustível mais utilizado no pla­neta. Encontrado nas bacias se­dimentares, é um combustível fóssil que resulta de trans­formações sofridas pela matéria orgânica sob certas con­dições. Restos de animais e vegetais microscópicos (plâncton), que se depositaram no fundo de mares e, sob a ação de calor e pressão, transformaram-se em óleo e gás.

Se o consumo de petróleo se mantiver no nível atual, em cinquenta anos as reservas conhecidas entrarão em fase de esgotamento. A Opep – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – é formada por onze países: Arábia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Ira, Iraque, Kwait (Oriente Médio), Indonésia (Sul da Ásia), Argélia, Líbia, Nigéria (África), Venezuela (América do Sul).

Com sede em Viena, na Áustria, a organização é responsável por aproximadamente 40% da produção e por 60% da exportação mundial de petróleo e, por meio de cotas de produção, interfere no preço mundial do produto. A produção brasileira aumentou de forma expressi­va a partir dos grandes choques do petróleo. As princi­pais áreas produtoras são a Bacia de Campos (Rio de Janeiro), o Recôncavo Baiano, o litoral de Sergipe, de Alagoas e do Espírito Santo.

Gás natural

O gás natural já representa a terceira maior fonte de energia do mundo e passa atualmente por grande aumento de consumo. Combustível fóssil associado ao petróleo é fonte não-renovável de energia e, embora, polua menos que os demais combustíveis fósseis, é uma das fontes de libera­ção de gases do efeito estufa. Atualmente, o Brasil importa boa parte do gás que consome da Bolívia e o transporte é feito através do gasoduto Brasil-Bolívia, mas as grandes descobertas de gás na bacia de Santos podem diminuir a dependência externa.

Usinas termelétricas

As usinas termelétricas, responsáveis pela produção da maior parte da eletricidade consumida no mundo, usam carvão mineral, petróleo e gás como combustível. Isso explica o predomínio desse tipo de usina nos países ricos em carvão e petróleo, como a Europa, a América do Norte e a China, entre outros. A principal vantagem das usinas termelétricas é que podem ser construídas próximo ao local de consumo. Como desvantagens, destacam-se os elevados gastos com o consumo de combustíveis e a poluição.

As termelétricas queimam combustíveis fósseis para produzir vapor de água, que aciona uma turbina ligada a um gerador de eletricidade. A hidreletricidade é uma fonte de energia das mais baratas, limpas e seguras e, além disso é renovável. En­tretanto, deve-se destacar que as usinas hidrelétricas, com suas represas artificiais, ocasionam expulsão de popula­ções, imersão de cidades, povoados e florestas e a perda de grandes extensões de solos cultiváveis. A obtenção de energia hidrelétrica depende da exis­tência de rios caudalosos e que sejam de planalto. Rús­sia, Canadá, Estados Unidos e Brasil são os países que têm maior potencial na área. Esse fato também justifica o predomínio das usinas hidrelétricas na produção brasi­leira de energia elétrica.

Energia nuclear

Nas usinas termonucleares, a fissão nuclear que acon­tece dentro dos reatores produz calor, aquecendo a água e gerando o vapor que aciona a turbina. As matérias-primas mais usadas são o urânio e o tório. piloto de produção de energia por meio da fusão nuclear. Esta tornou-se uma fonte de energia alternativa para as gran­des indústrias.

A grande pressão mundial levada a efeito por entida­des ligadas ao meio ambiente está levando vários países a rever seus programas nucleares. A Alemanha começou a desativar suas usinas nucleares, e, até 2021, pretende pro­duzir toda a energia que consome utilizando fontes limpas e renováveis, com grande destaque para a energia eólica.

Para o Brasil, que conta com duas usinas nucleares em funcionamento – Angra I e Angra II – e já domina todo o processo de enriquecimento de urânio, a energia nuclear é uma alternativa viável, pois é altamente concentrada e subs­titui petróleo e carvão. Contudo, o lixo atômico e os gran­des acidentes, como o de Three Mile Island (EUA), na dé­cada de 1970, e o da usina de Chernobil, na Ucrânia, em abril de 1986, constituem grande preocupação.