Industrialização em Outras Regiões do Brasil e Exportações Brasileiras


Região Sul: A região foi a mais beneficiada com o processo de desconcentração econômica do Sudeste, em razão de sua proximidade geográfica e da infraestrutura quanto aos transportes e comunicações, além da criação do Mercosul. Desse modo várias empresas foram atraídas para essa região visando o amplo mercado dos países do Cone Sul.

Industrialização em Outras Regiões

As áreas mais beneficiadas foram à região nordeste do Rio Grande do Sul, além da área metropolitana de Porto Alegre, que aumentaram muito sua participação industrial no estado (eixo Porto Alegre – Caxias do Sul). Os setores de maior destaque são: vinícola, alimentos, couro, calçados, carne, além de atividades siderúrgicas e metalúrgicas.

No Paraná, o parque industrial de Curitiba é um dos mais importantes e diversificados da região Sul, destacando-se as tradicionais indústrias de alimentos, madeireira, químicas, materiais elétrico, móveis e a automobilística (2° maior parque automobilístico do país). No interior, cidades como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel, também são destaques regionais na área de agroindústrias, vestuário, entre outras.
Em Santa Catarina, também as indústrias tradicionais se modernizaram, atraindo empresas do setor mecânico e elétrico além das têxteis, vestuário e alimentícias já existentes.

Região Nordeste: Em razão da forte intervenção estatal, houve grande desenvolvimento da atividade industrial na região. No entanto, apresenta-se muito dependente. 66% da matéria-prima e 58% dos serviços necessários são adquiridos no Sudeste. Do total produzido, 44% são mandados para o sudeste, dos quais 70% só para o estado de São Paulo. Os destaques são para o setor químico (Recife) e petroquímico (Bahia) e de material elétrico, bem como a modernização das indústrias de bens de consumo: bebidas, couros e peles, têxteis e alimentícios em geral. Os grandes parques industriais nordestinos são: o distrito industrial do Cabo em Recife, distrito industrial de Aratu (Salvador) e Camaçari, importante pólo petroquímico do Recôncavo Baiano.

Região Centro-Oeste: Destacam-se as atividades ligadas ao setor agropecuário. As indústrias de alimentos mais importantes são aquelas que se expandiram do Sudeste. Ao longo do eixo Campo Grande – Goiânia – Brasília, existem indústrias madeireiras, farmacêutica, papel e borracha.
Região Norte: A partir da formação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), a participação industrial dessa região aumentou sensivelmente. Os setores mais beneficiados foram os produtos eletroeletrônicos e ópticos, além das atividades industriais extrativas (minero-metalúrgicas). Tanto no Pará como no Amazonas a produção industrial vem superando em expansão o setor agropecuário, embora o mercado consumidor seja pequeno, a produção está voltada para o Centro-Sul.

Durante a 2a Guerra Mundial, houve grande restrição de importação no Brasil. Pois, as indústrias dos países beligerantes estavam empenhadas em produzir armamentos. Em contrapartida as exportações cresceram enormemente e o Brasil saiu da guerra com superavit elevado. Com saldo positivo na balança comercial, o país iniciou um momento de forte importação de equipamentos, visando substituir os antigos e obsoletos que vinham sendo utilizados até então, o que esgotou nossa capacidade de importação.

Após a Segunda Guerra, profundas modificações ocorreram no comércio internacional. As receitas oriundas das exportações brasileiras que eram constituídas basicamente por produtos primários baixavam em razão da maior competição decorrente da inserção de muitos países subdesenvolvidos no comércio internacional ao mesmo tempo em que as importações subiam devido à necessidade de implementar a industrialização do país.

Tendo em vista essas alterações no comércio internacional, o Brasil lentamente modificou também a estrutura do seu comércio externo. Em 1960 foi criada a ALALC (Associação Latino Americana de Livre Comércio), com sede em Montevidéu, na tentativa de solucionar o comércio dos países membros, que são: Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e México. Em 1980 a ALALC foi extinta e substituída pela ALADI (Associação Latino Americana de Integração). Nesse contexto, o Brasil esforçou-se para cada vez menos depender das exportações de produtos agrícolas, incentivando, por outro lado, vendas de manufaturados e minérios, veja o quadro a seguir.

O comércio exterior brasileiro teve início ainda no Brasil colonial. Num primeiro momento o comércio externo brasileiro era monopolizado por Portugal, sendo essa atividade exercida pelas Companhias que recebiam privilégios do reino. Nesse período as exportações brasileiras eram representadas pelo açúcar, ouro, pedrarias e o fumo, quanto às importações destacavam-se alimentos e manufaturados em geral e as relações se configuram em torno do “Pacto Colonial“.

Em meados do século XIX, com o país já independente o café tornou-se o produto básico da economia brasileira. Por volta de 1900, atingiu 75% do valor das exportações do país. Ao seu lado apareceram o algodão, o cacau, a borracha e o açúcar. No início da República, devido às muitas crises internas, o capital estrangeiro fugiu do país, ao mesmo tempo em que o comércio externo sofreu abalos causados pela inflação, além das anormalidades geradas pela 1a Guerra Mundial e a crise econômica da década de 1920^

Em 1991, com assinatura do Tratado de Assunção é criado o MERCOSUL, que entrou em vigor a partir de 01 de janeiro de 1995 com quatro membros fundadores: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 1996 o Chile e a Bolívia aderiram como membros associados, em 2006 a Venezuela associou-se como membro efetivo, porém ainda depende da aprovação dos congressos nacionais dos países efetivos.

Pelos acordos, aproximadamente 90% das mercadorias fabricadas nos países membros, circulariam livres de alíquotas de importação. Esse mercado comum não consegue deslanchar devido à desigualdade econômica entre os países membros, bem como as constantes dificuldades que ora um ou outro país passa.

No comércio externo brasileiro historicamente destacaram-se os produtos primários como café, cacau, algodão, soja, fumo, açúcar, madeiras, carnes, minério de ferro, manganês etc. Nas últimas décadas, entretanto, o Brasil vem exportando cada vez mais produtos manufaturados. Quanto aos mercados para os quais o Brasil exporta seus produtos destacam-se os países da União Europeia (principalmente Alemanha, Itália, França, Espanha e Holanda), Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Uruguai, Japão, México, Chile, Taiwan, Coreia do Sul, China Arábia Saudita e outros. Já as importações mais significativas são de petróleo, trigo, máquinas e motores, materiais elétricos, produtos químicos e farmacêuticos, adubos e fertilizantes, automóveis, materiais de consumo: óptico, eletrônico e outros, além de tratores, peças etc.

Durante grande parte da década de 1990 a balança comercial brasileira apresentou déficit financeiro, com as importações superando as exportações. A partir de 2001, o cenário se reverteu e desde então o superavit se apresenta crescente, observe os gráficos a seguir. Um dado importante é que na década de 1990 as exportações se mantiveram praticamente estagnadas não conseguindo chegar aos 60 bilhões de dólares. As importações atingiram, igualmente, cifra inédita, ao totalizar US$ 120,6 bilhões. Com isso, o intercâmbio comercial do Brasil atingiu US$ 281,2 bilhões, maior valor já alcançado, com superavit de US$ 40,0 bilhões. Estas cifras indicam o prosseguimento do aumento do nível de abertura da economia e a maior inserção do Brasil no comércio mundial. Em relação ao ano de 2006, as exportações cresceram 16,6% e as importações, 32,0%.

As exportações das três categorias de produtos: básicos, semi-manufaturados e manufaturados assinalaram resultados recordes. Em relação ao ano anterior, os produtos básicos evoluíram 28,1%, os semi-manufaturados 11,7% e os manufaturados 11,9%. As exportações de bens manufaturados responderam por mais da metade (52,3%) da pauta total.

A diversificação de regiões produtoras do Brasil tem sido igualmente relevante para a continuidade da expansão das exportações brasileiras. O aumento da participação de unidades da federação de menor representatividade no comércio exterior dá sustentabilidade à presente expansão das vendas externas. O grande desafio, no entanto, é conseguir manter esse crescente com superavit para que o Brasil possa fazer caixa para amenizar a enorme dívida que emperra o crescimento do país.