Nova Ordem Internacional: Histórico e Características do Capitalismo


Nova Ordem Internacional

Há várias definições para o capitalismo. Para fazer uma síntese das diversas definições, excluindo aquelas que o definem como sistema político, o capitalismo é um modelo econômico em que seus diversos participantes buscam auferir lucro e riqueza por meio da atividade econômica ou financiando essa atividade.

Origem do capitalismo

Tomando por base tal definição, seria razoável dizer que o capitalismo é produto da própria atividade econômica e do processo de trocas. Sendo assim, trata-se de um conceito presente já na antiguidade. Afinal de contas, em toda atividade econômica há uma troca: trabalho por salário, dinheiro por matéria-prima, bens de consumo por dinheiro e crédito por juros.

O surgimento do capitalismo moderno é um processo que se inicia na Itália do renascimento, alimentada pelo rico comércio de especiarias e posição geográfica privilegiada. É nessa época que surgem os primeiros bancos – não por acaso, o primeiro banco do mundo surgiu em Gênova.

Não obstante, foram precisos alguns séculos para que essa tendência se consolidasse. A estrutura política vigente no continente europeu eram as monarquias absolutistas, que se alimentavam do modelo mercantilismo, em que quem acumulava riquezas era o Estado, não para distribuir benefícios às populações, mas para ter poder para financiar poderosos exércitos e sustentar a nobreza.

Durante o século XVIII, dois movimentos importantes produziriam grandes mudanças. O Iluminismo questionava esse sistema de privilégios e pregava uma nova forma de sociedade, mais justa e mais igualitária. A origem desses privilégios, sustentada na crença do direito divino e no poder da Igreja Católica, também era questionada pelo exercício da razão em oposição ao dogmatismo; e a Revolução Industrial, por sua vez, serviu para diversificar a atividade econômica e criar novas formas de produção de riquezas. Além disso, produziu novas classes sociais e econômicas, fortalecendo os fundamentos do capitalismo.

Liberalismo e capitalismo

Ao mesmo tempo, o mundo viu surgirem as ideias liberais. O liberalismo clássico foi a primeira tentativa de ordenar politicamente a nova conjuntura econômica. Baseado na liberdade da atividade econômica, pregava que o mercado era autossuficiente no sentido de produzir equilíbrio e bem-estar na sociedade.

Dentro da perspectiva liberal, o capitalismo se torna uma espécie de política de Estado, uma vez que o mesmo se estrutura em torno da atividade econômica, da produção e da propriedade.

No entanto, o capitalismo, enquanto política econômica de Estado, não foi capaz de entregar o bem-estar prometido. A promessa do ideal iluminista e da receita liberal não se materializaram em melhores condições de vida para a população trabalhadora, fossem os segmentos camponeses, fossem os operários.

A crítica ao capitalismo e o mundo atual

A crítica ao capitalismo não tardou e produziu diversos desdobramentos, inclusive o projeto de suprimi-lo, idealizado por Marx e Engels, que idealizaram o modelo de Estado socialista e o comunismo. O próprio liberalismo foi capaz de produzir soluções para que a economia capitalista fosse capaz de produzir modelos mais justos de sociedade.

Esse processo se desenvolve intensamente ao longo do século XX, com a criação da social democracia, do liberalismo social e do neoliberalismo, que é uma interpretação radical do liberalismo, em que o papel social e estratégico do Estado é desprezado.

A verdade é que o capitalismo vem mostrando que tem cada vez mais força como modelo econômico e política de Estado. Muitos países adotam sistemas híbridos, como é o caso da Suécia e o Canadá, onde o Estado tem forte presença social, garantindo desenvolvimento humano, bem estar e distribuição da riqueza nacional, mesmo tendo economias capitalistas.

Na Ásia, a China vem adotando o que muitos convencionaram chamar de capitalismo de Estado. O país, que viveu uma das mais radicais experiências comunistas, tem uma economia cada vez mais capitalista, mas com forte presença do Estado como participante do jogo econômico, como idealizador e condutor das políticas estratégicas, assim como de investidor no desenvolvimento estrutural e humano.