Os Três Períodos do Desenvolvimento Industrial Brasileiro


Primeiro período

Este período é subdividido em três etapas:

•         1500 a 1808 – eram desenvolvidas apenas atividades artesanais, pois a Metrópole portuguesa permitia somente a instalação de alguns tipos de indústria na Colônia.
•         1808 a 1844 – a abertura dos portos, determina­ da por Dom João VI, representou um duro golpe para a indústria brasileira, sem condições de con­correr com os produtos ingleses, de melhor qua­lidade.
•         1844 a 1930 – a aprovação da Lei Alves Branco, que aumentou a taxação alfandegária sobre pro­dutos estrangeiros, e a expansão do mercado con­sumidor, com o aumento do número de trabalha­ dores assalariados, foram fatores decisivos para a industrialização do Brasil.

Desenvolvimento Industrial Brasileiro

Segundo período (193O a 1945)

Esse período pode ser caracterizado como uma ver­dadeira “revolução industrial brasileira”, pois represen­tou a desestruturação da oligarquia rural exportadora, com a grande crise mundial de 1929, e o deslocamento dos capitais dos fazendeiros de café para as atividades in­dustriais. A Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, impedindo a importação de produtos europeus, foi outro fator que contribuiu para a industrialização brasileira.

Terceiro  período (após 1945)

Vários fatores contribuíram para o desenvolvimento industrial do Brasil, nas últimas décadas:
•         implantação da maquinofatura e de indústrias de base;
•         ampliação e reequipamento do parque industrial, com as divisas acumuladas durante a Segunda Guerra e com as exportações superando as importações;
•         criação, em 1941, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, e, em 1942, da Companhia Vale do Rio Doce. Durante o governo de Juscelino Kubitscheck de Oli­veira (1956-1961), o Brasil atravessou uma fase de grande desenvolvimento industrial por causa do Plano de Metas (energia e transportes), cujo objetivo consistia em desen­volver a industrialização pela internacionalização da eco­nomia brasileira, com a implantação de inúmeras indústri­as multinacionais (Volkswagen, Ford, General Motors) e pela participação do governo nos setores básicos: petróleo, eletricidade, siderurgia e mineração.

A partir de 1964, o modelo econômico brasileiro conjugou o capital estatal com grandes conglomerados nacionais e internacionais, e, a partir de então, as médias e pequenas empresas de capital nacional foram margina­lizadas do processo de desenvolvimento industrial. Nas décadas de 1970 e 1980 o governo ampliou sua participação econômica em empreendimentos de infraestrutura. Isso, porém, foi feito às custas do aumento da dívida externa, do desequilíbrio na distribuição de ren­da, do aumento inflacionário e da implantação de inú­meros planos económicos (Cruzado, Bresser, Verão, Collor) que, longe de solucionar o problema do Brasil, só agravaram a crise, causando uma recessão industrial alarmante, com reflexos em todos os demais setores pro­dutivos e, consequentemente, muito desemprego.

Desde o início da década de 1990 e, principalmente a partir de 1994, com o Plano Real, o Brasil vem pas­sando por uma nova fase de desenvolvimento industrial e econômico. Essa nova fase diz respeito à maior abertura brasi­leira para a globalização da economia, tornando a indús­tria brasileira mais moderna e competitiva.

O modelo econômico brasileiro a partir daí caracte­rizou-se pela privatização das empresas estatais, em que o Estado entra como regulamentador das atividades econômicas (Lei Antitruste), mas com cada vez menos par­ticipação direta. Pode-se resumir a atual fase da economia do Brasil e do mundo em alguns itens básicos:

•         crescente internacionalização da produção capi­talista e reconcentração do capital em conglome­rados transnacionais e nos principais oligopólios dos países “centrais” (fusão de grandes empre­sas, compra e venda de outras, etc.). Como con­sequência, há uma reconcentração do poder econômico e financeiro. O controle de tecnologias e o domínio de mercado concentram-se cada vez mais;
•         transferência do poder decisório da esfera públi­ca (Estado) para a esfera privada (empresas), como controle da economia mundial sendo exercido cada vez mais pelas transnacionais e por gran­des bancos;
•         aumento do desemprego, inclusive nos países centrais, e a busca da terceirização das ativida­des;
•         informatização e automação do processo de pro­dução, exigindo cada vez mais mão-de-obra qua­lificada, o que depende de educação de qualidade
e boa formação profissional. Nesta área o Brasil precisa fazer grandes investimentos para se adap­tar à economia cada vez mais globalizada.

Comércio  exterior

O comércio exterior brasileiro conheceu profundas alterações nas últimas décadas. As exportações de produtos primários (agrícolas e minerais) e de semi-industrializados foram sendo substituídas por exportações de mercadorias industriais. Hoje predominam, na pauta das exportações brasileiras, produtos industrializados, refletindo as caracterís­ticas urbano-industriais de nossa economia. Deve-se destacar, contudo, que alguns produtos do setor primário, como soja, café, minério de ferro, etc., ainda têm grande destaque.

Outra mudança marcante, fruto do modelo liberalizante adotado pelos governos brasileiros nos anos de 1990, é o comércio multilateral. O Brasil busca integrar-se ao comércio mundial como parceiro global. As exportações e impor­tações nacionais distribuem-se por diferentes blocos e países do mundo.

Balança  comercial

De 1983 a 1993, por causa de uma política cambial e tarifária favorável ao setor exportador e desfavorável ao setor importador, o comércio externo brasileiro apresentou-se prioritariamente voltado às exportações, o que ocasionou elevados saldos na balança comercial do país. Cabe ressaltar que o protecionismo comercial deixou o Brasil à margem do intenso processo de competitividade internacional que estava ocorrendo no planeta na década de 1980 e no início dos anos de 1990.

Com a abertura do mercado interno às produções estrangeiras, eliminando restrições às importações, e com a redu­ção acentuada das tarifas alfandegárias, iniciada em 1990 e intensificada com a implantação do Plano Real, em 1995, houve grande mudança na balança comercial brasileira, com sensível aumento nas importações.

Uma das bases de sustentação do Plano Real consiste numa política cambial favorável ao setor importador, com a valorização do real em relação ao dólar. Essa política cambial criou, contudo, dificuldades para a colocação de produtos nacionais no mercado internacional, principalmente aqueles de setores industriais que apresentavam grande defasagem tecnológica em relação às empresas estrangeiras e dificuldades financeiras para se modernizarem a curto prazo.

O aumento do volume das exportações no país não acompanhou o ritmo de crescimento das importações, o que acabou provocando déficit na balança comercial no período de 1995 a 2000. Por causa dos estímulos do governo ao setor exportador – por meio de incentivos fiscais e de importação de maqui-nários – e aos investimentos privados para modernizar o seu parque industrial, o Brasil dá mostras de que reverterá os saldos da balança comercial.

Um fato que vem confirmar esta tese é o aumento das vendas, a partir de 1998, para o exterior, em setores da economia brasileira que até pouco tempo atrás encontravam grandes dificuldades para competir internacionalmente. Aumentaram as vendas de aviões, automóveis, equipamentos de telecomunicações e ônibus.

O déficit da balança comercial aumenta a dependência do Brasil em relação ao capital externo e mantém os juros altos, inibindo o crescimento económico. Desde o ano 2000 o Brasil vem tendo sucessivos superávits na balança comercial. O processo de reestruturação económica, iniciado com a abertura económica no começo da década de 1990 e em pleno processo de modernização, está tornando os produtos brasileiros competitivos no mercado mundial, permitindo superávits na balança comercial.