Poluição Litorânea e Problemas Ambientais Urbanos: Poluição do Ar e Sonora


Destruição de ambientes litorâneos

A pior agressão à biomassa litorânea tem sido a ocupa­ção humana do litoral. O crescimento das cidades na faixa costeira foi uma das marcas do processo de ocupação do território no Brasil, e até hoje a maior parte da população concentra-se nesse espaço. Os grandes e pequenos aglomerados que aí se insta­laram quase sempre comprometem a diversidade da vida e o equilíbrio do ambiente. Em muitos pontos da costa, as cidades litorâneas se desenvolveram sem nenhum planeja­mento, e a rede de água e esgoto não foi suficientemente organizada para apresentar um modelo satisfatório de qualidade de vida. Ainda hoje, diversos centros urbanos lançam seus esgotos diretamente no mar, sem nenhum tratamento prévio, e a utilização de emissários submarinos (longos dutos que levam dejetos para o alto-mar) é uma medida apenas paliativa, que compromete o ambiente oceânico.

Poluição Litorânea e Problemas Ambientais

Uma das situações mais graves envolve a sobrevivência dos manguezais, formações vegetais que se erguem nas áreas de encontro entre as águas dos rios e do mar, um am­biente muito rico para a reprodução de inúmeras espécies. Os solos extremamente permeáveis, constituídos por uma profunda camada de lama, permitem o desenvolvimento de plantas de médio porte, criando um bioma único, cujos ecossistemas têm equilíbrio muito frágil. A elevação do custo da moradia nas regiões de melho­res condições empurra milhares de pessoas de baixa renda para áreas mais afastadas dos centros urbanos, atingindo os manguezais. Para fixar-se, essa população constrói aterros precários que afetam a cadeia alimentar oceânica dos manguezais e comprometem todo o ciclo reprodutivo. Os dejetos são despejados diretamente no mangue devido à ausência de saneamento, o que impede a sobrevivência de algumas espécies e afugenta outras, que procuram outros.

A contaminação e a escassez da água decorrem também da ocu­pação irregular e caótica das áreas de mananciais pela população de baixa renda. Na Grande São Paulo, essas áreas abrigam uma popula­ção de quase 2 milhões de pessoas. Nas margens das represas Billings e Guarapiranga e na serra da Can­tareira, que deveriam permanecer intocadas, recobertas pela vegeta­ção nativa, o problema é causado pela proliferação indiscriminada de loteamentos, tanto legalizados e de alto padrão quanto pobres e clandestinos.

Nesses casos, recorrer ao tra­tamento da água não é suficiente. A captação em bacias hidrográficas situadas muito distantes também não. Em ambos os casos, as soluções são meramente paliativas, e essas cidades ressentem-se da falta de me­didas concretas para promover um desenvolvimento sustentável.

Medidas como a reciclagem do lixo, a incineração e a compostagem – transformação do material orgânico encontrado no lixo em adubo -, além do tratamento do es­goto, poderiam preservar a qualidade das águas dos lençóis freáticos e dos espaços físicos urbanos. Seriam necessárias também medidas preventivas por parte da administração municipal. Entre elas, preservação da cobertura vegetal das margens das represas e políticas de reflorestamento, bem como o controle da expansão urbana, mediante rígida aplicação das leis, para enfrentar diretamente a especulação imobiliária.
As palafitas da Vila dos Pescadores, em Cubatão, litoral sul do estado de São Paulo, recobrem uma área onde antes crescia um manguezal.

Até há poucas décadas, o forte odor resultante da presença de um volume muito grande de material orgâ­nico em decomposição levava as pessoas a imaginar que os manguezais eram ambientes pobres e sujos. Os estudos mais recentes, contudo, caracterizam esse ambiente como uma região imprescindível para o ciclo da vida marinha.

Problemas ambientais urbanos

Esse problema é particular­ mente grave nas cidades em que a maior parte da água consumida provém de lençóis freáticos pouco profundos, facilmente contaminados por aterros sanitários.

Poluição do ar

Um dos casos mais conhecidos é o da cidade industrial de Cubatão, em São Paulo: a floresta das encostas da Serra do Mar, que circunda a cidade, foi destruída por esse tipo de chuva. O fato exigiu medidas urgentes do poder público para reduzir a poluição atmosférica e promover o reflorestamento da área atingida, de modo a evitar o deslizamento das encostas da serra, que poderia soterrar a cidade.

Poluição sonora e visual

São igualmente graves outras formas de poluição, como a sonora e a visual. Todos os habitantes das grandes cidades brasileiras têm a saúde prejudicada pelo excesso de ruído diurno e noturno. Os motoristas dos ônibus urbanos, expostos diariamente por longas horas ao ruído ensurdecedor do motor e do trânsito, são geralmente cita­dos como as principais vítimas desse tipo de poluição. No entanto, prejuízos como surdez permanente, elevação da pressão arterial, das taxas de colesterol e do risco de infarte, insânia crônica e diminuição da capacidade de trabalho e da qualidade de vida estendem-se sem distinção a todos os moradores das grandes metrópoles, especialmente de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Em muitas cidades, tem-se o problema da polui­ção visual: fios elétricos, cabos telefônicos e cartazes de propaganda se emaranham nas cidades, contribuindo enormemente para a deterioração da qualidade de vida urbana. Isso ocorre porque a cidade é forçada a atender aos interesses financeiros (inclusive às deficiências técnicas) das empresas, agentes que mais se beneficiam da má qualidade de implantação e manutenção desses equipamentos. Além disso, o morador é exposto incessantemente aos apelos do consumo de bens materiais, o que acarreta elevados níveis de estresse e frustração. As questões centrais para proporcionar um maior bem-estar geral estão relacionadas à boa qualidade do meio ambiente. Esta pode ser alcançada por meio de parques e praças públicas, de ar e água mais puros, enfim, de espaços livres e saudáveis para desfrutar o lazer e a convivência.

Ilhas de calor e inversão térmica

São muito comuns nas grandes cidades outros graves problemas ambientais, acarretados pelo fato de a cobertura asfáltica e a elevada densidade de edifícios provocarem maior impermeabilização do solo. Esse fato diminui a infiltração das águas da chuva no solo. Consequentemente, ocorre maior escoamento das águas superficiais, ocasio­nando enchentes nas áreas mais baixas e deslizamentos de encostas nas áreas mais altas e íngremes. Além disso, a retirada da cobertura vegetal aumenta o transporte de detritos, que, ao chegarem ao leito dos rios, podem oca­sionar o seu assoreamento.
Recorrentes no Brasil, esses problemas urbanos são causados sobretudo pela característica eminentemente mercantil dos empreendimentos imobiliários. Contando quase sempre com o aval do poder público, esses empre­endimentos buscam a obtenção cega do lucro, sem levar em conta as consequências sociais ou ambientais. Daí as formas irregulares de ocupação do solo, que não respeitam a declividade dos terrenos, as várzeas dos rios etc.