Principais Cultivos e Características Agrícolas do Norte e Sul e Urbanização do Campo


Principais cultivos e características agrícolas do Sul

Serra Gaúcha: descendentes de italia­nos praticam a vitivinicultura. Campanha Gaúcha: grandes fazen­deiros, descendentes de famílias estabelecidas bem antes do período imigratório, desenvolvem a pecuária semiextensiva. Destaca-se a criação de ovinos e bovinos, cujos rebanhos são continuamente aprimorados com raças europeias de boa qualidade. Noroeste/oeste do Rio Grande do Sul: grande produção de grãos, com des­taque para a soja, o trigo, o milho e o arroz.

Principais Cultivos e Características Agrícolas do Norte e Sul

A necessidade de produzir com lucro, associada ao crescimento demográfico de toda a região Sul, culminou com a absorção das pequenas propriedades pelas médias e grandes. Desde a década de 1970, inúmeros herdeiros dos imigrantes europeus têm vendido suas propriedades, migrando em seguida para as regiões de fronteiras agrícolas. Atualmente, gaúchos, catarinenses e paranaenses tentam prosperar em estados distantes, como Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Bahia, onde a terra barata permite a aquisição de lotes grandes e rentáveis.

•       Paraná: seus férteis solos de terra roxa, antes ocupados pela cafeicultura, hoje destinam-se ao plantio de soja, trigo e milho, principalmente. Com uma produtividade excepcional, as colheitas destinam-se tanto ao mercado interno quanto ao externo. Nesse último caso, os grãos são escoados pelo porto de Paranaguá.
•       Oeste de Santa Catarina: cooperativas de granjeiros produzem aves e suínos para grandes empresas.
•       Vale do Itajaí: descendentes de alemães desenvolvem a rizicultura.

Principais cultivos e características agrícolas do Norte

Essa região, em grande parte recoberta pela densa Floresta Amazônica, apresenta uma produção agrícola ainda incipiente. No entanto, desde os anos 1970, quando o regime militar incentivou a ocupação da região através do Pro­grama de Integração Nacional (PIN), tem sido intensa a disputa pela posse da terra, principalmente nas áreas da fronteira agrícola. Povos indígenas, posseiros e grandes fazendeiros têm sido os protagonistas dessa luta violenta, que já ocasionou grande número de mortes.

Antes de analisar tais conflitos, vamos conhecer as formas de produção na fronteira agrícola:
•      Agricultura itinerante, baseada na produção familiar para a subsistência. Apresenta uma peculiaridade muito danosa para o meio ambiente: as áreas ocupadas são abandonadas após poucos anos de exploração; em se­guida, uma nova área da floresta é ocupada, desmaiada e cultivada, para depois ser abandonada também. E assim sucessivamente.
•      Agricultura comercial, baseada no grande latifúndio. A principal produção é a pecuária bovina de corte, de tipo extensivo, geralmente usada apenas como farsa legal para legitimar a posse de uma vasta área. Esse artifício é usado para evitar que a terra seja considerada improdutiva, o que poderia facilitar a desapropriação para fins de reforma agrária.

A urbanização do campo

Desde o início da década de 1970, registra-se forte aumento da parcela da população rural empregada em atividades não agrícolas. A expansão da agricultura demonstra, mais clara­mente do que qualquer outro processo, esse perverso mecanismo de destruição. Atlântica; com o cultivo do café em São Paulo, no século XIX, que repetiu essa mesma destruição no Sudeste; com o cultivo da soja no Centro-Oeste, que em pouco mais de três décadas alterou radicalmente o ecossistema do cerrado.

Ameaça à soberania

O tratado sobre biodiversidade firmado por ocasião da ECO-92 (II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada no Rio de Janeiro em 1992) previa o estabelecimento de uma forma de royalties pela riqueza natural: seriam repassados para os países pobres parte dos lucros auferidos com a produ­ção e comercialização de mercadorias cujos componentes naturais fossem obtidos nesses países. Na verdade, isso nunca aconteceu.