Sérvia e Montenegro


A história da União Estatal de Sérvia e Montenegro, mais conhecida como Sérvia e Montenegro, é das mais curiosas e emblemáticas do contexto que se instalou no continente europeu, sobretudo nos Bálcãs, após o processo desencadeado pela queda do Muro de Berlim em novembro de 1989, seguida pela desintegração das repúblicas socialistas do Leste Europeu.

Sérvia e Montenegro

Mais que a queda do muro de Berlim, que abriu caminho para a reintegração da Alemanha, separada em República Federal da Alemanha (liberal) e República Democrática da Alemanha (socialista) desde o final da segunda guerra mundial, o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi o que mais contribuiu para a desintegração do bloco socialista, já que a URSS era aa grande mentora da expansão e consolidação do sistema socialista no Leste Europeu.

Iugoslávia, uma história de conflitos

Nenhum outro país viveu de forma tão intensa esse processo de reacomodação política e geográfica como a antiga Iugoslávia, país que surgiu após a Primeira Guerra Mundial congregando seis repúblicas: Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia e Herzegovina.

A história daquela região no século XX é marcada por conflitos. Primeiramente, foram as grandes guerras europeias, tendo o país sido ocupado por Itália e Alemanha na Segunda Guerra Mundial, mas libertado pela resistência, sob o comando de Tito, um líder comunista que reinstaurou a República Socialista Federativa da Iugoslávia.

O regime socialista conseguiu unificar o país, porém apenas na superfície. Se antes da desintegração a Iugoslávia vivia as amarguras da perseguição política aos inimigos do regime, o que se viu a partir da onda separatista foi uma ainda mais forte de conflitos étnicos e religiosos, que exterminaram centenas de milhares de pessoas e alimentaram o noticiário internacional com cenas chocantes.

Uma piada célebre e muito repetida acerca do regime iugoslavo era: “seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um Partido”. Essa diversidade reunida sob um único manto político foi a origem dos conflitos que se seguiram. O muro de Berlim caiu em 1989. Dois anos depois, em 1991, Croácia e Eslovênia declararam independência, seguidas pela Macedônia e, posteriormente, da Bósnia e Herzegovina, não sem a ocorrência de conflitos.

Restaram Sérvia e Montenegro, que só em 2003 fundaram um novo Estado. A verdade, todavia, é que, apesar da unidade política, com a constituição de um executivo e parlamento comuns, as duas repúblicas nunca formaram de fato uma unidade, havendo políticas diferentes em diversos setores, particularmente na economia, onde cada uma adotava uma moeda.

Os conflitos econômicos e a constante tensão levaram, em 21 de maio de 2006, a um referendo popular que decretou a independência de Montenegro. Porém nem nessa decisão foi particularmente massiva, haja vista que 44,5% dos motenegrinos votaram contra a separação.

Prevaleceu, no entanto, a maioria, ironicamente aquela que sempre foi vista como minoria na República da Iugoslávia e nunca se sentiu à vontade com a unidade política e territorial que atravessou o século XX.

Montenegro independente

Sérvia e Montenegro, ao longo dos três anos de existência, foi um país que fez fronteira com a Hungria, ao norte, com Macedônia e Albânia, ao sul, com Romênia e Bulgária, ao leste, e com o Mar Adriático, a Bósnia e Herzegovina e a Croácia a oeste.

Atualmente, Montenegro é uma pequena república localizada em uma região montanhosa, habitada por pouco mais de 620 mil habitantes, cuja capital é a cidade de Podgorica. O idioma oficial desse país é o montenegrino, mas a língua mais falada é a sérvia, de acordo com censo de 2011, que também detectou a incidência da língua croata, albanesa e bósnia. A religião predominante é a Igreja Católica Ortodoxa, da qual são adeptos cerca de 75% dos habitantes. Seguem o Islã cerca de 18% da população, e 4% são católicos apostólicos romanos.

Sérvia

A Sérvia é um país de 88.361km² com pouco mais de 7,1 milhões de habitantes, cuja capital é Belgrado. A nação se estabeleceu como Estado pela primeira vez no século VIII, quando se formou o Principado da Sérvia numa região que historicamente foi alvo de ocupações de diversos povos, dos gregos aos romanos e, por fim, dos bizantinos.

O país ainda viveu um conflito separatista na região de Kosovo, que teve sua independência reconhecida, mas não sem antes ser palco de um sangrento conflito, que vitimou cerca de 250 mil pessoas e levou o presidente Slobodan Milosevic à prisão por crimes contra a humanidade. Além de Kosovo, a Sérvia abriga outra província autônoma, que é Voidovina, cuja independência, embora reconhecida pela ONU, não é reconhecida pelo país que foi bombardeado pela OTAN em 1999 para derrubar Milosevic.

A Sérvia esteve, também, na gênese do conflito que levou à Primeira Guerra Mundial, por causa da ameaça do então poderoso império Austro-Húngaro, que desejava anexar o país.

A perspectiva para o país, que possui maioria sérvia, é de viver anos de paz, sobretudo por ter uma economia com fôlego, tendo sido chamada de Tigre dos Bálcãs, em referência aos Tigres Asiáticos. Na década passada, o país apresentou um aumento médio do PIB na casa dos 6,5%.

O país é mais conhecido pelo destaque nos esportes, sobretudo no tênis, esporte para o qual contribuiu com atletas como Monika Seles e Novak Djokovic, tricampeão de Wimbledon, hexacampeão do Australian Open, bicampeão do US Open e vencedor, também, em Roland Garros, em 1916. Outro esporte que se destaca é o basquete, sobretudo o masculino, medalha de ouro em Sydney e produtor de grandes talentos para o cenário internacional, herança da Iugoslávia, seis vezes campeã olímpica, oito vezes campeã europeia e pentacampeã mundial.