Brasil Colônia: Segundo Reinado – Segunda Fase (1850-1870)


Café: O Ouro Verde

Como sabemos, a principal atividade econômica do período foi o café, pro­duzido inicialmente na região conhecida como Vale do Paraíba e desenvolvido com uma estrutura muito semelhante à açucareira, ou seja, a plantation. Os fazendeiros fluminenses vão se tornar o sustentáculo econômico e político do Império, que em contrapartida defenderá seus interesses políticos e econômicos, particularmente a escravidão. A decadência da cafeicultura do Vale do Paraíba, na segunda meta­de do século XIX, indicará o declínio da própria estrutura monárquica.

Brasil Colônia

Na segunda metade do século XIX, a lavoura cafeeira expande-se para a região conhecida como oeste paulista. O clima e o solo dessa região – a chamada terra roxa – eram muito fa­voráveis ao plantio do café. Além disso, os proprietários paulistas en­contravam-se mais intensamente in­seridos na dinâmica econômica do capitalismo, por esse motivo diferen­ciavam-se dos fazendeiros fluminen­ses por sua qualidade e espírito em­preendedor. Além disso:

• usavam técnicas mais modernas para a produção do café, estabele­cendo assim maior produtividade e diminuindo os custos;
• desenvolviam estrutura própria para a comercialização do café;
• apesar de proprietários rurais, vol­tavam-se para a vida urbana, com seu luxo e novas invenções;
• procuravam desenvolver novos ti­pos de relações de produção, inician­do a imigração em larga escala.

O Surto Industrial

Outra importante atividade que se destacou no Brasil da segunda metade do século XIX foi a indústria. O país vi­veu um surto de crescimento econômico, devido a, principalmente, duas razões:

• Em 1844, o governo liberal do ministro Alves Branco, aproveitando-se do fim do acordo de tarifas reduzidas com a Inglaterra, elevou os impostos sobre os produ­tos ingleses de 30% a 60%. Essa medida, nas palavras do próprio ministro, visavam a não só preencher o défi­cit do Estado, como também proteger os capitais nacio­nais já empregados dentro do país, em alguma indús­tria fabril, e animar outros a procurarem tal destino.

• Em 1850, ocorreu, após intensa pressão inglesa, a Lei Eusébio de Queirós, que pôs fim ao tráfico negreiro. Com isso, ficou impossibilitada a alocação de recursos para a compra de negros, o que gerou uma disponibili­dade de capitais, muitos dos quais destinados à atividade fabril.

Perceba que a maior parte dos capitais que impul­sionaram o primeiro surto industrial do país advieram do café do oeste paulista. O grande destaque desse período de desenvolvi­mento industrial foi Irineu Evangelista de Sousa, Barão e depois Visconde de Mauá. Entre outras coisas, Mauá foi o responsável pela:

• criação da Companhia Estaleiro Ponta da Areia (cons­trução de navios);
• reorganização do Banco do Brasil;
• criação da Companhia de Transportes Urbano;
• criação do Banco Mauá, com filiais em vários países;
• criação da Companhia de Navegação a Vapor;
• criação da Companhia de Iluminação a Gás;
• construção da primeira estrada de ferro do país – Es­trada de Ferro de Petrópolis.

O país cresceu movido por este surto. Já na primeira década da segunda metade do século, estabeleceram-se mais de 60 novas empresas industriais, 14 bancos e mais de 60 companhias (de navegação, seguros, mine­ração), além de 8 novas estradas de ferro. Um dos símbolos desse crescimento industrial, vinculado igualmente ao café, foi o desenvolvimento ferroviário. No período de 1870 a 1885 – época da ex­pansão cafeeira paulista -, a rede ferroviária passou de 1 000 km para quase 9 000 km.

No entanto, essa característica de “surto” da indús­tria nacional compreendia um problema intrínseco: seu curto fôlego! A falta de capitais contínuos, a limitação do mercado de consumo e as pressões inglesas contribuí­ram para que o boom verificado logo esmorecesse. As empresas Mauá são o melhor exemplo para ilus­trar o que foi explicado acima. Em pouco tempo, todo o seu grande parque de empresas acabou falindo. Diversos fatores contribuíram para isso:

• a pressão inglesa que levou o governo a decretar a Tarifa Silva Ferraz (1860), diminuindo as tarifas al­fandegárias sobre os produtos estrangeiros;
• a posição de Mauá contra a Guerra do Paraguai, que fez com que ele se indispusesse com o governo;
• a defesa intransigente da abolição da escravatura.

Quais os Principais Aspectos sobre os Trabalhadores no Segundo Reinado?

A escravidão negra continuou a ser a tônica da mão-de-obra até o fim do século XIX. Desde o Período Joanino, havia forte resistência à exploração do traba­lhador negro, principalmente por parte da Inglaterra.Em 1845, o parlamento inglês aprovou a Bill Aberdeen, pela qual os comandantes das embarcações inglesas ti­nham poder para apreender navios negreiros em qual­quer lugar, inclusive em águas brasileiras.

É verdade que essa lei foi também uma represália à Tarifa Alves Branco, mas inegavelmente teve o mérito de levar o governo brasileiro a tomar uma decisão definitiva em relação ao tráfico e a estimular a fundação de núcleos de colonos, retomando assim a política iniciada por D. João.
Na década de 40 do século XIX, o senador Nicolau de Campos Vergueiro trouxe portugueses para a sua fazenda Ibicaba, em São Paulo. Pouco depois, traria suíços e alemães. Empolgado, criou a firma Vergueiro & Cia., cujo objetivo era centralizar o forne­cimento de imigrantes não só para suas fazendas, como também para outros proprietários interessados.