Estado Novo – Getúlio Vargas: Principais Avanços, Características e Suicídio


Estado Novo - Getúlio Vargas

A chamada Era Vargas (1930-1945 e 1950-1954) é o período da história da República Federativa do Brasil que mais tem suscitado polêmica. Recai sobre Vargas o peso de ter comandado, entre 1937 e 1945, uma sangrenta ditadura. Por outros, é acusado de populista, devido às suas políticas de valorização da classe trabalhadora.

O fato é que o período Vargas é marcado por grande avanço da economia brasileira, com ênfase na industrialização. O que não se pode negar a Vargas é seu caráter nacionalista, o que esteve na gênese de seu sucesso e de seu ocaso.

No dia 24 de agosto de agosto de 1954, Vargas suicidou-se com um tiro no coração, deixando uma carta testamento ao povo, que provocou grande comoção e reação popular. Essa foi a resposta ao político que, durante seus dois governos, mais entregou benefícios à classe trabalhadora, atraindo contra si a fúria dos patrões.

A indignação dos patrões ganhou sua maior proporção quando Vargas, em 1954, concedeu aumento de 100% sobre o salário mínimo, recuperando o poder de compra de grande parcela da população.

1930 a 1945

A trama que se desenvolve entre 1930 e 1954 é bastante atual e, de certo modo, explica fatos ocorridos recentemente no Brasil, tendo a influência dos Estados Unidos no país como grande indutor de fatos históricos.

Para entender isso melhor, é preciso ir ao ano de 1945, quando terminou o Estado Novo, período ditatorial iniciado em 1937. Vargas renunciaria naquele ano e ascenderia ao poder um militar, Eurico Gaspar Dutra.

Era terminada a Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos ampliavam seu campo de influência. Durante o Estado Novo, Vargas adotara uma política nacionalista e industrializante. Ao assumir o governo em 1930, o país vivia uma conjuntura econômica voltada para a produção e exportação de café como carro chefe da atividade econômica. Vargas investiu na diversificação agrícola, tornando o país independente do café. Aumentou os impostos sobre importação e passou a estimular a indústria nacional, principalmente através da importação de bens de produção e instalação de filiais de indústrias estrangeiras no Brasil. Além disso, criou indústrias nacionais como a Companhia Siderúrgica Nacional e a mineradora Vale do Rio Doce.

A partir de 1938, com a recorrente justificativa de uma ameaça comunista, Vargas declarou estado de emergência, promulgou uma nova Constituição e implantou o Estado Novo, uma violenta ditadura, que extinguiu partidos políticos, suspendeu eleições, sujeitou os estados da federação, proibiu as greves, prendeu e exilou líderes políticos.

Apesar do regime ditatorial, Vargas conseguiu modernizar o país, ampliando seu parque industrial e promovendo economicamente as classes média e operária.

De Dutra ao suicídio

Dutra assumiu em 1945 e seu governo foi marcado pelo combate aos aumentos salariais, sob pretexto de combater a inflação. Apesar de presumidamente democrático, seu governo proibiu as greves, interferiu nos sindicatos, promoveu prisões, abriu o país às empresas estrangeiras e abandonou a política nacionalista de Vargas.

Os Estados Unidos haviam se tornado uma espécie de potência hegemônica após a Segunda Guerra Mundial. Do outro lado, a União Soviética aparecia como potência política e militar. Tinha início a chamada “Guerra Fria” entre bloco liberal capitalista e bloco socialista.

Dutra aliou-se aos Estados Unidos e rompeu relações diplomáticas com a União Soviética. Com a falta de incentivos e abertura do mercado às empresas estrangeiras, a indústria brasileira entrou em declínio. Em consequência do desequilíbrio na balança comercial, o Brasil perdeu grande parte das reservas acumuladas no governo Vargas.

Ao final do desastroso governo Dutra, nada era mais natural que Vargas, uma vez candidato, fosse eleito. Pela primeira vez, Vargas era eleito democraticamente. Em 1953, para desespero dos estadunidenses, criou a Petrobrás, uma empresa nacional, para explorar o petróleo brasileiro, objeto de cobiça dos Estados Unidos.

Além disso, Vargas restaurou a política nacionalista, de proteção à indústria e à classe trabalhadora, reunindo contra si interesses externos e a elite econômica nacional. Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda, seu fiel detrator, sofreu um atentado, no qual morreu o major Rubem Vaz, da Aeronáutica. Esse episódio ampliou a pressão contra Vargas, o que o levou ao ato extremo.