A Europa no século XIX: Inglaterra, França, Itália e Alemanha – Liberalismo e Socialismo


Inglaterra

•      O século XIX foi de hegemonia da Inglaterra, a época da Pax Britânica da Era Vitoriana.
•      Entre os movimentos trabalhistas da Inglaterra destacou-se o Carthismo, reivindicando princi­palmente o sufrágio universal, o voto secreto e
o fim dos censos eleitorais.
•      Outra sociedade importante na atuação política inglesa foi a dos fabianos, que defendia con­quistas progressivas pela via eleitoral. Foi inspiradora do Partido Trabalhista inglês (Labour Paríy).

A Europa no século XIX

França

•      Com a derrota de Napoleão em 1815 e o Con­gresso de Viena, os Bourbon retomaram o go­verno francês: fase da Restauração.
•      O reforço absolutista de Carlos X ativou o clima revolucionário, culminando na Revolução Libe­ral de 1830.
•      O novo governo liberal de Luís Filipe, voltado para os interesses burgueses, teve forte oposi­ção popular.
•      A Revolução de 1848 (Primavera dos Povos) ins­talou a Segunda República, em meio à radicali­zação dos enfrentamentos entre liberais, socialistas e bonapartistas.
•      O Presidente Luís Bonaparte instalou a ditadu­ra em 1851 (“novo 18 Brumário”) e, em seguida, por um plebiscito, transformou-se em impera­dor (Napoleão III), dando início ao Segundo Império.
•      Por causa de sua desastrosa política externa, Napoleão III foi derrotado e preso na batalha de Sedan, na Guerra Franco-Prussiana (1870).
•      A Comuna de Paris durou pouco mais de dois meses, sendo vencida pela Terceira República.

Itália

•      A unificação italiana, fundada na ideia do Risorgimento,  contou  basicamente  com  duas correntes principais: os monarquistas e os republicanos.
•      Os monarquistas eram liderados por Cavour e apoiados pelo reino do Piemonte-Sardenha, do rei Vítor Emanuel II.
•      Os republicanos eram liderados por Mazzini e Garibaldi. Garibaldi, liderando os “camisas ver­melhas”, chegou a conquistar o sul da Itália, mas resolveu apoiar os monarquistas para não dividir as forças unificadoras.
•      Durante a Guerra das Sete Semanas (Prússia e Áustria), os italianos anexaram Veneza, que es­tava sob domínio austríaco.
•      Com a Guerra Franco-Prussiana, os italianos completaram a unificação, tomando Roma (o papa era apoiado pelos franceses).
•      O não-reconhecimento papal da unificação ita­liana e a perda dos Estados Pontifícios da Igre­ja provocaram a chamada Questão Romana, só
resolvida em 1929, pelo Tratado de Latrão, que deu origem ao Estado do Vaticano.

Alemanha

•      A unificação alemã coube à Prússia, a partir de diversas guerras e sob a liderança de Bismarck.
•      O primeiro passo importante da unificação foi o Zollverein, a união aduaneira criada em 1834.
•      A Guerra dos Ducados (contra a Dinamarca) e a Guerra das Sete Semanas (contra a Áustria)
deram à Prússia a liderança dos Estados ale­mães do norte.
•      Com a Guerra Franco-Prussiana, completou-se a unificação alemã, e os dois países assinaram o Tratado de Frankfurt, que estabelecia a anexação, pela Alemanha, das regiões francesas da Alsácia e Lorena.
•      A unificação foi oficializada em Versalhes (Paris), originando o II Reich alemão.

CRONOLOGIA

1815: Derrota de Napoleão em Waterloo.
1815-1824: Governo de Luís XVIII.
1824-1830: Governo de Carlos X.
1830-1848: Governo de Luís Filipe.
1837-1901: Governo da rainha Vitória.
1838: Carta do Povo.
1848-1851: Governo do presidente Luís Bonaparte.
1852-1870: Governo do imperador Napoleão III.
1864: Guerra dos Ducados.
1866: Guerra das Sete Semanas.
1870: – Guerra Franco-Prussiana.
–    Unificação da Itália.
–    Unificação da Alemanha.
1870-1918: II Reich.
1871: Comuna de Paris.
1893: Partido Trabalhista inglês.

O liberalismo e os socialismos

O liberalismo

•       Em meio às transformações sociopolíticas da Era das Revoluções, duas correntes de pensa­ mento fermentaram as atuações nos séculos
XIX e XX: o liberalismo e o socialismo.
•       Entre os pensadores liberais destacaram-se Malthus e Ricardo, herdeiros da economia polí­tica de Adam Smith.
•       Malthus ficou conhecido por afirmar que o cres­cimento da população ocorreria em progressão geométrica, enquanto o crescimento da produ­ção de alimentos ocorreria em progressão arit­mética, o que resultaria em pobreza e fome gene­ralizadas. A saída seria negar assistência às po­pulações pobres e induzi-las à abstinência sexual.
•       As workhouses viabilizaram as práticas defen­didas por Malthus, enquanto Ricardo defendia a “lei férrea dos salários”, garantindo a ordem
produtiva e a sujeição trabalhista.

Os socialismos

•       As ideias voltadas para o social organizavam-se basicamente nas seguintes correntes: socialis­mo utópico, doutrina social da Igreja (socialis­mo cristão), anarquismo e marxismo (socialis­mo científico).
•       Entre os utópicos estavam Saint-Simon, Fourier (defendendo os falanstérios) e Robert Owen (defensor das cooperativas).
•       Na doutrina social da Igreja destaca-se a encí­clica Rerum Novarum, de Leão XIII, defendendo entendimentos entre burgueses e operários.
•       No anarquismo, o principal nome foi Mikhail Bakunin, com suas propostas radicais de atua­ções terroristas, como a destruição do Estado.
•       No socialismo marxista, os líderes foram Karl Marx e Fricdrich Engels.

O marxismo

•       Marx e Engels defendiam como princípios cen­trais do socialismo científico: o materialismo
dialético, a luta de classes, a mais-valia e a revo­lução socialista.
•       No marxismo, o socialismo representaria uma transição entre o capitalismo e o comunismo.

Os movimentos trabalhistas

•       Os trade-unions e o ativismo reivindicatório e contestatório (Carthismo) contribuíram para as iniciativas em prol da organização dos trabalha­dores de forma internacional.
•       A I Internacional foi fundada em Londres, em 1864, e caracterizou-se pelos confrontos entre marxistas e anarquistas, desaparecendo 12 anos
depois.
•       A II Internacional (1889) foi baseada principal­ mente no ideal de alcançar o socialismo lenta­mente, via eleições, apesar da oposição de Rosa
Luxemburgo e Lênin.
•       A III Internacional (1919) teve por base a revo­lução bolchevique russa de 1917, liderando e es­timulando o surgimento dos partidos comunistas
por quase todos os demais países da Europa, da Ásia e da América.

CRONOLOGIA

1723-1790: Adam Smith.
1760-1825: Saint-Simon.
1766-1834: Thomas Malthus.
1771-1858: Robert Owen.
1772-1823: David Ricardo.
1772-1837: Charles Fourier.
1814-1876: Mikhail Bakunin.
1818-1883: Karl Marx.
1820-1895: Friedrich Engels.
1834: Lei dos Pobres (workhouses).
1837-1848: Carthismo.
1848: Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
1864: I Internacional.
1889: II Internacional.
1891: Rerum Novarum.
1919: III Internacional.