América Latina no séc XX e Semana de Arte Moderna no Brasil


A América Latina é constituída pelos países do continente americano que falam línguas derivadas do latim como o português, o francês e o espanhol. Isso significa que na América do Sul todos são latinos, menos a Guiana e o Suriname (são germânicos); na América Central, todos, com exceção de Belize; no Caribe, são latinos Cuba, Haiti e República Dominicana; na América do Norte, somente o México.

América Latina no séc XX

De um modo geral, na maior parte dos outros países da América prevaleceu a colonização anglo-saxônica. Economicamente, e também politicamente, durante o século XX, prevaleceu o domínio norte-americano em toda a América Latina. Pode-se dizer que a influência dos EUA só não atingiu a Cuba de Fidel Castro, isso a partir do início da década de 1960, visto que Cuba preferiu trilhar o caminho do socialismo soviético, contrário, portanto, ao capitalismo americano.

Com o avanço do capitalismo, da globalização e da consolidação da hegemonia norte-americana no mundo, e especialmente na América Latina, o final do século XX revelaria o grande contraste existente entre o Norte rico (EUA e Canadá) e o Sul pobre (demais países). Esse contraste tem suas raízes na política e na economia, visto que política e economia são irmãs siamesas. Assim, se a economia de um país floresce, a política também floresce. Se aquela capenga, esta anda de muleta.

Exemplos disso são justamente EUA e Canadá. Esses dois países desfrutaram de estabilidade econômica e política e, portanto, gozaram de igual estabilidade democrática. Já os países latino-americanos, todos eles dependentes economicamente, foram vítimas de frequentes golpes militares, o que denuncia a ligação estreita entre economia e política. Economia fracassada significa povo descontente. E, geralmente, é no exato momento em que o povo está descontente que costuma aparecer o candidato a salvador da pátria, aquele que dá o golpe de Estado.

A dependência econômica é uma barreira difícil de ser rompida. Por mais que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai busquem autonomia econômica dentro do Mercosul, eles não podem prescindir do mercado norte-americano, maior consumidor de seus produtos. A iniciativa do Mercosul como bloco integrador capaz de reduzir essa dependência é válida, mas o seu alcance é estreito, ficando restrito aos países do continente, que não têm as mesmas tecnologias para produzir os produtos comercializados pelo bloco. Saindo do nível local, o Mercosul não dispõe de forças para competir, por exemplo, com a União Europeia. Isso por que a União Europeia, além de economicamente mais poderosa, consegue produzir mercadorias, ao mesmo tempo, baratas e com qualidade superior às do Mercosul. Logo, as portas do mercado ainda são largas para a União Europeia e estreitas para o Mercosul.

Semana de Arte Moderna no Brasil

Entre os principais participantes da Semana estavam: os escritores Mário e Oswald de Andrade, Menotti dei Picchia; o músico Heitor Villa-Lobos; e os artistas plásticos Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Anita Malfati, entre outros. No início do século XX, a cultura francesa exercia forte influência entre os intelectuais brasileiros, tanto que eles viajavam à França com frequência na tentativa de acompanhar as últimas tendências culturais.

Esse procedimento, no entanto, começou a ser contestado na década de 1920, quando se reuniram vários artistas brasileiros em torno do chamado movimento modernista. Entre os objetivos dos modernistas estava justamente a reação crítica à invasão cultural estrangeira que, segundo eles, descaracterizava o Brasil.

No começo da década de 1920 já havia um clima de descontentamento sobre a condução da política brasileira, cujo controle estava concentrado nas mãos das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais^ resultado da tradicional aliança somente entre as populações dos grandes centros urbanos, livres do controle repressivo dos “coronéis” do interior, passou a ser notado também nas Forças Armadas, especialmente entre os tenentes, gerando um movimento chamado de Tenentismo.

O marco principal dessa reação foi a Semana de Arte Moderna que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, e contou com eventos que buscavam ressaltar a cultura brasileira, como festivais de música, recitais de poesia, conferências diversas, além de exposições de pintura e escultura.

Na verdade, os tenentes pretendiam tomar o poder e centralizá-lo, pois acreditavam que somente um Estado forte e autoritário seria capaz de realizar as mudanças necessárias. Por conta disso, o tenentismo caracterizou-se como um movimento político-militar que tinha na luta armada sua principal bandeira de sustentação.

Tanto é verdade que os tenentes levaram suas exigências às últimas consequências. Primeiro, em 1922, houve a Revolta do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, quando 18 tenentes lideraram cerca de 300 homens para tentar impedir a posse do presidente Artur Bernardes. Essa revolta tenentista, também conhecida como a Revolta dos 18 do Forte, foi rapidamente massacrada pelas forças governamentais, fato que resultou na morte de 16 dos 18 tenentes.

Depois, em 1924, a revolta tenentista novamente explodiria, dessa vez em São Paulo, onde aproximadamente 1000 homens ocuparam os pontos estratégicos da cidade, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes. Novamente foram vencidos pelas tropas federais. No entanto, mesmo derrotado, o general Isidoro decidiu continuar a luta contra o governo. Formou uma tropa bem armada, conhecida como Coluna Paulista, e deixou São Paulo em direção ao Sul do país, onde se juntou à tropa do jovem capitão do Exército, Luiz Carlos Prestes, que tinha objetivos comuns. Formou-se a partir desse encontro a Coluna Prestes, que percorreu os Estados brasileiros procurando despertar nas pessoas o desejo de lutar contra o poder das oligarquias.