Brasil antes de Cabral – Natureza e Cultura dos povos indígenas brasileiros


Não vamos confundir. O Brasil tem 500 anos de colonização euro-portuguesa, mas pode ter certeza de que ele é muito mais velho do que nós imaginamos. A história do Brasil não se resume a 500 anos de co­lonização. Há muito mais para conhecer de nossos antepassados. Devido às pesquisas realizadas em sítios arqueo­lógicos, sabemos que grupos humanos habitavam o território brasileiro muito antes de Cabral aportar por aqui.

Brasil antes de Cabral

Diferentemente de outras sociedades, como incas, maias e astecas, que possuíam um Estado or­ganizado e hierarquizado do ponto de vista social, po­lítico e econômico, os povos do chamado Brasil ti­nham um modo de vida mais simples: a pesca, a caça e a coleta faziam parte do seu cotidiano, sendo sua economia essencialmente de subsistência. As pesquisas que estão sendo realizadas, não só no território brasileiro mas também em toda Améri­ca, a cada ano que passa trazem mais informações a respeito de nossa pré-história. Muitas delas ainda são questionadas por pesquisadores que não concordam com a antiguidade atribuída ao homem americano. O texto a seguir ilustra essas divergências.

A Natureza e os povos indígenas do Brasil

Sabemos que os povos que habitavam as Américas foram denominados índios devido ao engano de Colombo e de sua tripulação que, ao chegarem à América, pensavam ter chegado à índia, daí o nome índios.

Mas vamos conhecer um pouco mais dessas culturas do Brasil no período da chegada dos portugueses. Elas organizavam-se em tribos, que possuíam características diferentes umas das outras. Para você entender melhor, se um estrangeiro chegasse agora ao Brasil, ele nos chamaria de brasileiros e nos descreveria como se fôssemos todos iguais; porém, com o tempo, ele perceberia que, apesar de falarmos a mesma língua – o que não ocorria com os povos indígenas – e habitarmos o mesmo território, existem características diferentes de região para região. Em relação aos povos indígenas, ocorreu a mesma situação. Quando os portugueses chegaram, acharam que eram todos iguais, mas sabemos hoje que havia diferenças marcantes entre uma cultura e outra.

Mas como eram as sociedades de culturas tão diferentes da dos portugueses? A língua e os costumes eram fundamentais para fortalecer os laços entre indivíduos pertencentes a uma determinada tribo. Da Natureza provinha o alimento do grupo, pois praticavam a coleta, a caça e a pesca e frequentemente se deslocavam à procura de alimentos que pudessem manter a tribo. Alguns povos indígenas possuíam características sedentárias, pois já haviam desenvolvido técnicas de plantio relacionadas com a sua subsistência. Eles também desenvolveram técnicas na fabricação de utensílios domésticos de cerâmica.

As tribos construíam suas aldeias que poderiam ter formato de círculo ou de ferradura. O trabalho era dividido por sexo e idade, o que podia variar de grupo para grupo. De modo geral, as mulheres eram responsáveis pelo cultivo até a colheita, pela coleta, pela fabricação de farinha, pela fiação e pela tecelagem, além dos serviços domésticos e o cuidado das crianças. Os homens ocupavam-se da derrubada do mato e da preparação da terra para o plantio, da caça e da pesca, da fabricação de canoas e armas, da construção das casas e da proteção da aldeia. Os frutos do trabalho eram distribuídos entre todos.

Os povos da floresta aprenderam a utilizá-la em seu próprio benefício e mantiveram sempre uma relação harmoniosa entre homem e Natureza. Assim, conheciam os animais e os segredos das plantas para a cura de doenças. A arte na cultura indígena está intimamente ligada ao cotidiano. Os utensílios produzidos eram utilizados no dia-a-dia do grupo. As principais manifestações artísticas estão relacionadas ao canto, à dança, à pintura etc.

Os indígenas, com os quais os europeus mantiveram mais contatos no século XVI (e XVII), eram os que habitavam sobretudo o litoral leste. Entre eles, destacaram-se os goitacás, os tupiniquins, os guaianás, os carijós e, especilamente, os tupinambás, do tronco linguístico tupi. Os tupinambás foram privilegiados pela riqueza de informações deixadas pelos cronistas e relatos da época.

Índios e portugueses -concepções de mundo diferentes

Os primeiros contatos entre os povos indígenas e os portugueses aconteceram em 22 de abril de 1500. Esse encontro de culturas tão distintas se deu no primeiro momento de forma amistosa, pois os relatos deixados pelos portugueses da época descrevem os indígenas como sendo seres afáveis. A visão dos portugueses estava muito relacionada com a chegada a um paraíso terrestre formado por uma natureza abundante e de habitantes robustos que viviam em plena liberdade. Porém, com o estreitamento das relações, no início da colonização e da implantação da cana-de-açúcar, a visão paradisíaca dos primeiros contatos desapareceu, pois os indígenas passaram a ser vistos como seres “bestializados”.

Dessa forma, as relações entre índios e portugueses tornaram-se insustentáveis. Por um lado, os portugueses preocupados em acumular riquezas não compreendiam por que os índios não queriam trabalhar longos períodos, o que ocasionava frequentes conflitos. Para o indígena, a caça e a pesca e mesmo a agricultura estavam relacionadas apenas com o sustento da sua tribo. Outra questão que colaborou para dificultar as relações foi a moral cristã trazida pelos portugueses que aqui chegaram.