Capitalismo: Surgimento, Fatores e Fases


Antes de falarmos em capitalismo propriamente dito, é conveniente falarmos em capitalismo primitivo. Paul Sweezy aponta o capital monetário acumulado pelos usuários e mercadores como a única forma de capital existente no mundo medieval. De acordo com esse autor (1977; p.149), “o capitalista medieval típico era o mercador que obtinha seu lucro do monopólio do comércio entre áreas economicamente atrasadas e geograficamente remotas. Esse lucro poderia derivar-se da importação de artigos de pequeno vulto e altos preços (como especiarias do Oriente; ou da exploração dos diferentes preços de mercadorias de consumo diário entre uma e outra área de mercado). O lucro do usuário também dependia dos atrasos, mais do que dos avanços, da economia. Era extraído da extravagância das classes proprietárias de terras, e da perpétua bancarrota do camponês e do pequeno artesão”.

Somente quando o capital assume o controle da produção é que houve a possibilidade de acumulação de capital por meio da produção e, consequentemente, do aumento da produtividade e uma nova classe social, a burguesia, emergiu e assumiu o controle político e econômico. Os tentáculos desse novo poder alcançaram o campo e mudaram as relações entre este e a cidade. O poderio remanescente feudal foi abalado. O capitalismo rompe, gradativamente, com o poder até então estabelecido. A partir daí, o capital do mercador e dos usuários se subordina ao capital industrial, e apenas aí se torna possível falar de um modo de produção capitalista.

Capitalismo

Marx apontava o modo de produção como o principal gerador de riquezas e de ideias de qualquer sociedade. Tendo, portanto, o modo de produção como a mola-mestra da riqueza material de uma sociedade, é possível afirmar que a principal mudança que ocorreu da sociedade feudal para a capitalista foi a passagem de uma sociedade de pequenos produtores tipicamente agrários, com senhores feudais e servos, para uma sociedade produtora de bens que serão trocados no mercado, com os donos dos meios de produção e assalariados.

A produção industrial, a princípio em pequena escala, alicerçou a transição do sistema feudalista para o capitalista porque implantou a Divisão Internacional do Trabalho e formou um mercado consumidor, ainda que pequeno e inserido no capitalismo mercantil, para os bens produzidos. Desta forma, o terreno ficou preparado para as superproduções geradas com a Revolução Industrial.

Mas o comércio, por si só, não conseguiu romper a super-estrutura política e econômica da aristocracia feudal. O poder político, mesmo estando concentrado nas mãos de uma classe dominante, cuja base econômica está ruindo, é ainda capaz de retardar o desenvolvimento de novas formas econômicas e sociais.

Como vimos, o capitalismo não surgiu da noite para o dia. A sua implantação foi o resultado de uma luta longa e dura da burguesia contra a aristocracia feudal (nobreza e clero). Na verdade, o surgimento do capitalismo foi um processo que dependeu de vários fatores para a sua consolidação. Vejamos a seguir os principais deles:

As Cruzadas: de 1096 a 1270 ocorreram oito Cruzadas, expedições militares organizadas pela Igreja Católica contra os muçulmanos, uma vez que estes dominavam lugares considerados sagrados para o Cristianismo (como o Santo Sepulcro). Numa época em que as cidades quase desapareceram, as Cruzadas representaram uma possibilidade concreta de auferir riquezas, por meio de pilhagens e abertura de rotas comerciais, fato que leva ao aquecimento da economia e revitalização das cidades.

A Invenção da Imprensa: permitiu a impressão de vários exemplares da Bíblia, retirarido dos padres a interpretação exclusiva das escrituras sagradas. Surgiram várias interpretações da doutrina cristã, dando origem a reflexões críticas e questionamentos que culminaram com a chamada Reforma Protestante. A fé que condenava a usura começa a dar lugar à razão.
Réplica da primeira prensa desenvolvida por Gutenberg.

Além desses, outros fatores que contribuíram para o surgimento do capitalismo foram a Reforma Protestante na medida em que questiona a Igreja Católica (que condenava o lucro e assim representava um obstáculo ao desenvolvimento do capitalismo), e as Grandes Navegações (que contribuíram para a abertura de novos mercados). A Basílica do Santo Sepulcro é um local em Jerusalém onde a tradição cristã afirma que Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e de onde ressuscitou no Domingo de Páscoa. Constitui um dos locais mais sagrados da cristandade.

O Mercantilismo: práticas econômicas que vigoraram na Europa do século XV a meados do XVIII, e tinham por objetivo fortalecer o Estado e a burguesia, numa fase conhecida como acumulação primitiva de capital. As práticas mercantilistas variavam de um país para outro. Assim, o mercantilismo espanhol foi marcado pela busca de metais preciosos (metalismo); o inglês foi marcado pelo fortalecimento do comércio e pelo desenvolvimento da indústria têxtil; o francês, pelo desenvolvimento da indústria manufatureira (o mercantilismo francês é também conhecido pelo nome de colbertismo, termo que deriva de Colbert, ministro francês das finanças).

O Metalismo: foi um dos grandes objetivos do mercantilismo, pois a riqueza dos países da época era medida pela quantidade de ouro e prata que dispunham.

Fases do Captalismo

Capitalismo Primitivo ou pré-capitalismo (do século XI ao XV): início da acumulação primitiva.
Capitalismo Mercantil (do século XV ao XVIII): impacto do comércio.
Capitalismo Industrial (do século XVIII ao XX): impacto da produção.
Capitalismo financeiro (a maior parte do séc. XX): impacto do capital.
Sociedade pós-industrial (século XX ao XXI): impacto do conhecimento.