Crise no Socialismo: Queda da URSS; Neoliberalismo e Desenvolvimento Tecnológico


Crise do Socialismo

A globalização foi um fenômeno que atingiu o mundo a partir da década de 1990 do século passado. Foi um evento formidável que reuniu aspectos políticos, econômicos e uma revolução, a da informática, situada bem no foco da terceira revolução tecnológica, aquela que Alvin Toffler chama de ‘A Terceira Onda’.

Crise no Socialismo

Nesse mesmo período, outros acontecimentos também rápidos e quase que simultâneos contribuíram para acelerar ainda mais as transformações no cenário mundial. Entre seus aspectos notáveis encontramos a desintegração do comunismo soviético representado pelo poderoso conjunto da URSS que se transformou em CEI – Comunidade dos Estados Independentes. Quando as vinte e duas repúblicas soviéticas se separaram, delas restando apenas menos da metade, na enfraquecida CEI, o socialismo se desprestigiou e o mundo se modificou.

Sem dúvida, uma ruptura dolorosa para muitos países que, de uma hora para outra, se viram frente à tarefa hercúlea de ter de adaptar-se, tanto política quanto economicamente, à nova realidade mundial. Para muitos deles, esse processo teve um alto custo social e, por isso mesmo, deixou cicatrizes profundas que ainda persistem.

Para Hobsbawm, no seu livro Era dos Extremos (2002), a mudança foi tão potente que finalizou o “breve século XX” que se havia iniciado com a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) e deu início a outro mundo, o globalizado (ou mundializado como querem os franceses). O advento da globalização e o avanço das políticas neoliberais acabaram por reduzir os campos de atuação do Estado de bem-estar social (também conhecido como Estado Providência ou Welfare State).

A partir daí são firmados acordos para: política de desarmamento; criação e legalização de outros partidos políticos. O desgaste econômico provocado pela corrida armamentista e espacial impediu o crescimento de indústrias de bens de consumo e alimentícias, obrigando a população no auge da crise a enfrentar longas filas para receber alimento, além de amargar outras privações, como a falta de remédios, por exemplo.

A crise sociopolítica que a União Soviética atravessava facilitou a declaração da Independência das repúblicas bálticas, Estônia, Letônia e Lituânia, o que originou diversos conflitos até o reconhecimento destes países pela ONU. Em 1990, Boris Yeltsin assume o poder na Rússia. Boris Em 19 de agosto de 1991, alguns setores conservadores do partido comunista, descontentes com o fim do socialismo, (como as Forças Armadas) sequestram Gorbatchev, numa tentativa de restabelecer o comunismo soviético. Yeltsin, sem perder tempo, mobiliza a população ávida por mudança e declara a Independência da Rússia e de suas demais repúblicas. Gorbatchev é libertado. É o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Surge, a partir daí, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Em meados de 1980, o secretário-geral do partido comunista, Mikhail Gorbatchev, assume o poder na URSS. No final dos anos 1980, Gorbatchev percebe o esgotamento do sistema socialista e resolve realizar profundas transformações socioeconômicas na URSS. Essas transformações foram norteadas por uma reestruturação econômica (Perestroika).

Novas Ideologias Políticas e Econômicas: Neoliberalismo

Primeiro, vejamos o que foi o liberalismo econômico. Foi uma doutrina que teve suas bases lançadas no livro A Riqueza das Nações, publicado por Adam Smith, em 1776. Nesta obra, Smith defende que o Estado não deve interferir na economia, que funcionaria de acordo com a lógica do mercado, conduzida pela livre concorrência. No liberalismo, prevalece a defesa da propriedade privada.

O neoliberalismo nasceu logo após a Segunda Guerra Mundial nos países capitalistas da Europa e da América do Norte que, após a crise de 1929, adotaram políticas que visavam ao bem-estar social, aquelas em que o Estado intervém na economia. Como exemplo disso, podemos citar o New Deal (Novo Acordo). Colocado em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação econômica dos Estados Unidos e representou um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia.
Portanto, o neoliberalismo representou uma reação a esse tipo de política intervencionista do Estado na economia (também conhecida como política de bem-estar social, Estado Providência, Welfare State ou KEYNESIANISMO, por ter em John Maynard Keynes seu principal defensor).

Pode-se dizer que o texto que inaugura o neoliberalismo é O Caminho da Servidão, de Friedrich Von Hayek, escrito em 1944. Nesta obra, Hayek trata qualquer intervenção do Estado na economia como uma ameaça letal à liberdade, tanto econômica quanto política. A partir da década de 1980 a ideologia neoliberal triunfou com mais vigor, através da adoção das seguintes medidas:
elevação das taxas de juros;
criação de níveis de desemprego massivos (numa tentativa de garantir o exército de reserva de que falava Marx);
combate às greves;
imposição de nova legislação anti-sindical;
corte drástico dos gastos em obras sociais;
baixa considerável dos impostos sobre os rendimentos altos;
incentivo ao turismo;
amplo programa de privatização.

Por tudo isso, é possível apontar como uma das consequências do neoliberalismo, o gradual enfraquecimento do Estado, cada vez mais submetido aos interesses dos organismos internacionais como o FMI e o Banco Mundial, representantes da chamada grande burguesia transnacional. Tudo isso agravado pelo enfraquecimento do movimento operário a nível mundial, fato que é considerado estratégico para a dominação da burguesia, que comemora o fenomenal recuo de poder de negociação dos sindicatos.

Desenvolvimento Tecnológico

Quando a Revolução da Informática – um dos núcleos da Revolução Tecnológica desde 1945 com o aparecimento do primeiro computador (o Mark One inglês) – se uniu às comunicações, tivemos o advento da Internet com toda a sua gama de modificações. Milton Santos (2004, p.238) resume o período atual afirmando que: “Estamos diante da produção de algo novo, a que estamos chamando de meio técnico-científico-informacional”. Portanto, o neoliberalismo deseja encolher o Estado e foi aplicado primeiro no Chile, em seguida na Inglaterra e nos Estados Unidos, de onde se espalhou para todo o mundo capitalista e, inclusive, para os países do Leste Europeu (após a queda do muro de Berlim).

Ao se deslocar para o computador, o suporte da informação fez desta o bem mais precioso, capaz de unir todo o mundo em segundos, pelo simples acionar de um micro. Logo, o que caracteriza esse novo momento em que vivemos é a velocidade da informação pelo mundo. Dessa forma, se vivemos uma revolução resultante do rápido desenvolvimento tecnológico, os impactos das novas tecnologias sobre o mundo do trabalho e suas relações, exigem um novo tipo de trabalhador, com sua respectiva formação.

Logo, a educação passa a ter um papel importantíssimo na formação geral e profissional para o mercado de trabalho. A reflexão crítica e o auto-aperfeiçoamento precisam ser desenvolvidos. Em outras palavras, não basta mais que o trabalhador saiba fazer, ele precisa conhecer e, acima de tudo, saber e querer aprender.

O novo perfil valoriza traços como participação, iniciativa, raciocínio lógico e discernimento. Todos esses requisitos caracterizam um novo tipo de trabalhador, sobre o qual recaíram dobradas exigências. Tudo isso, ainda, envolve a escola com os seus trabalhadores, principalmente os docentes, que são a matéria-prima a ser transformada, segundo essa visão e, acima de tudo, a filosofia educacional que preside o cenário geral. Por fim, se estamos em tempos de transição, encaminhando-nos para uma nova sociedade, podemos ainda afirmar que a globalização consequente aos fenómenos apontados representou um catalisador do processo.