Processo de Colonização e Descolonização na África e na Ásia


Do século XV ao XVIII ocorreu o desenvolvimento das Grandes Navegações. Os portugueses por terem consolidado seu Estado Absolutista antes dos demais países europeus, reuniram condições para se lançarem às grandes conquistas marítimas. As primeiras explorações ocorreram ao longo do continente africano. A princípio, numa tentativa de encontrar o caminho para as índias, foram instaladas feitorias (postos comerciais) ao longo do litoral africano, tática que se expandiu também para o continente asiático. Após a formação de outros Estados Absolutistas na Europa, outros países também investiram na conquista de colônias na África e na Ásia, a exemplo da Espanha, da França, da Inglaterra, da Holanda, etc.

Processo de Colonização

Durante o processo de colonização, os povos africanos e asiáticos foram vistos como “inferiores” pelos europeus, e estes não tiveram misericórdia ao destruir cidades e culturas. Em nome dos lucros, os costumes e a religião dos povos colonizados foram ignorados, e novos valores culturais e religiosos foram impostos. Para isso os brancos se valeram de sua superioridade militar, na tentativa gloriosa de sua “nobre missão civilizadora”.
Nesse período estava em vigor o pacto colonial, e a África e a Ásia eram extremamente necessárias para obtenção de gêneros tropicais, especiarias e mão de obra escrava para suprir as necessidades de trabalho nas colônias americanas.

A neocolonização africana acontece paralelamente à febre da industrialização. Os países industrializados necessitavam de fornecedores de matéria-prima para a produção de suas mercadorias, bem como de novos mercados consumidores. Novamente a “nobre missão civilizadora” entra no curso da história, usando o mesmo pretexto para os brancos conseguirem outras coisas. Desta forma, a neocolonização imperialista estendeu-se sobre todo o continente africano. Cada espaço era disputado a tapas pelas potências imperialistas. Ingleses, franceses, alemães, belgas, holandeses, : portugueses e espanhóis constituíram diversas colônias sobre todo o continente.

A Descolonização Africana

Após o término da Segunda Guerra Mundial, acelerou-se o processo de descolonização africana devido, sobretudo, ao enfraquecimento econômico das potências imperialistas devastadas pela Guerra. Somam-se a isso a vitória da democracia frente aos regimes autoritários, que estimulou a opinião pública internacional pela causa anticolonialista. Assim, gradativamente os países africanos foram conquistando sua Independência, principalmente entre os anos de 1956 e 1966.

Em 1955, aconteceu na Indonésia a Conferência Afro-Asiática de Bandung, onde participaram 29 países do Terceiro Mundo. Estes países rejeitaram a proposta de alinhamento com as potências capitalista e socialista, condenaram o colonialismo e proclamaram seu direito de autodeterminação política. De acordo com Cotrim (2003, p.438): “Após a Conferência de Bandung, 18 países africanos conquistaram sua independência somente no ano de 1960, sendo que de 1961 a 1980 outros 22 também alcançaram sua emancipação política”.

Em geral a descolonização africana (bem como a asiática) aconteceu mediante dois processos:
Pacífico: mediante acordos da metrópole com as colônias, que em geral preservaram-se as relações econômicas de dominação;
Violento: alcançada mediante violentas lutas, envolvendo forças da metrópole e tropas de libertação nacional. Estas lutas quando voltadas contra a dominação imperialista, indicavam a construção de uma sociedade socialista.

Na grande maioria dos países africanos recém independentes, observou-se uma disputa interna entre as tribos presentes no continente, fato que tem sua origem no início da colonização, quando não foram respeitadas as fronteiras territoriais que dividiam as tribos rivais. Muitos países durante a descolonização acabaram ficando com tribos rivais dentro de suas fronteiras, ocasionando as guerras civis.

Nas regiões colonizadas pela Inglaterra, o movimento de descolonização aconteceu de forma pacífica, em sua maioria, como em Gana, Nigéria, Serra Leoa e Cambia. Somente no Quênia a emancipação política ocorreu de forma violenta, por conta da resistência da população branca, que possuía cerca de 25% das terras férteis do país.

Colônias Francesas

O processo de Independência aconteceu de forma pacífica em Camarões, Senegal, Madagascar, Daomé, Costa do Marfim, Gabão, Mauritânia, etc. Somente na Argélia, situada ao norte da África, houve resistências internas de conservadores. Apesar disso, o governo de Charles de Gaulle enfrentou a resistência da famosa Organização do Exército Secreto (OAS) composta por oficiais franceses de direita, que não concordavam com a independência, e os franceses de origem argelina, os chamados pieds-noirs (pés-pretos). Após violentos conflitos do governo francês com a Frente de Libertação Nacional (FLN) foi proclamada, pelo Acordo de Evian, a República Popular da Argélia, em 1962.

Colônias Belgas

Na região de colonização belga, a emancipação foi marcada pela violência, sobretudo devido aos interesses internacionais na região. Em 1960 Patrice Lumumba foi escolhido líder do Movimento Nacional Congeles. Mas na Província de Catanga, Moise Tcshombe, foi escolhido líder, apoiado por belgas interessados nas riquezas minerais da região. Lumumba apelou, em vão, para as forças internacionais da ONU para manter a unidade do país. Ele então pediu ajuda para a União Soviética, provocando a reação de grupos ligados ao bloco capitalista. O chefe do exército, o coronel Mobutu, assumiu a direção do país, prendeu Lumumba e o levou preso para a Província de Catanga, onde foi assassinado em fevereiro de 1961. A partir de então, Mobutu fortaleceu-se politicamente e, em 1965, o Congo passou a se chamar oficialmente República do Zaire.

Portuguesas

As colônias portuguesas foram as últimas a conquistar a Independência, por conta da neutralidade portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial e da ditadura de Salazar que governava o país e era contra a emancipação das colônias. A descolonização só acontece após a queda do regime de Salazar em abril de 1974, quando os revolucionários exigem o estabelecimento da democracia no país e o fim do colonialismo. A partir de então, ocorreu a independência das colônias portuguesas de Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.

África do Sul

A África do Sul tornou-se um país independente desde o século XIX. Mas eram os brancos (ingleses), que compunham 19% da população, que administravam o país. Por isso, mesmo sendo independente aos olhos do mundo, internamente existia um forte colonialismo baseado no regime de segregação racial chamado APARTHEID, imposto à maioria da população negra.

Esse regime de segregação racial, existente desde 1948, humilhava e maltratava os negros em um sistema de exploração quase que de subserviência.
A manutenção desse regime provocou a indignação da opinião pública internacional. Ocorreram muitas revoltas negras contra o Apartheid, tendo em Nelson Mandela, seu principal líder negro, que foi preso e condenado a 27 anos de prisão.

Em 1991, por conta das pressões anti-racistas, o governo da África do Sul é obrigado a revogar o Apartheid. Em 1993, o Parlamento sul-africano aprova um novo projeto de Constituição estabelecendo a democracia plena e enterrando de vez o Apartheid. Em 25 de maio de 1994, após eleições multirraciais, Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, fato que sinalizou o fim do domínio político dos brancos no país.

Inglaterra e França dominavam grandes áreas coloniais na Ásia. No entanto, 27 países conseguiram sua independência no período de 1943 a 1979, sendo necessária, não raro, a intervenção das superpotências, que viam nesse processo mais uma oportunidade para impor sua influência político-econômica.

O caso da Índia

Com o término da Segunda Guerra Mundial, os indianos que haviam lutado ao lado dos ingleses contra os alemães, deveriam receber maior autonomia administrativa. No entanto, os ingleses não cumpriram tal promessa e, contrariando as expectativas do povo indiano, começaram a reprimir violentamente qualquer movimento de emancipação da índia.

As tentativas de Independência foram organizadas pelo Partido do Congresso, tendo como principais líderes Mahatma Gandhi e Jawaharlau Nehru. O modelo de luta contra a dominação inglesa estava baseado no princípio da não-violência ativa onde, para conseguir a Independência, os indianos estavam dispostos a derramarem seu próprio sangue.

Para isso, Gandhi pregava como forma de luta a desobediência civil através de protestos contra as leis e os impostos ingleses, sem a necessidade da violência. Desta forma, os protestos eram organizados para o não pagamento de impostos e taxas, bem como para a rejeição dos produtos ingleses.
No entanto, devido ao pluriculturalismo existente na índia, algumas regiões não apoiavam o Partido do Congresso. Nessas regiões a Liga Muçulmana, liderada por Muhammad Ali Jonnah, tinha por objetivo fundar um Estado muçulmano desligado dos membros hindus do Partido do Congresso. A Inglaterra, aproveitando ao máximo estas diferenças, retardou o processo de emancipação indiana.

Em 1947, o governo inglês aceitou a independência indiana, mas com uma condição: de que o país fosse dividido em dois Estados: a República do Paquistão (Ocidental e Oriental), composta de população predominantemente muçulmana; e a República da índia, de maioria hinduísta. No ano de 1972, porém, após violenta guerra, ocorreu a separação do Paquistão Oriental, transformando-se em Bangladesh.