Feudalismo: Sociedade Feudal, Hierarquia e Poder Político


Sociedade Feudal

A sociedade feudal era uma sociedade de ordem. Se­gundo Adalberto de Laon, o domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem. A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos e os fracos, protegem todo mundo inclusive a si próprios. Os servos, por sua vez, têm outra condição. Essa raça de infelizes não têm nada sem sofrimento… Nenhum homem livre pode viver sem ele… A casa de Deus, que parece una, é, portanto, tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. Todos os três formam um conjunto e não se separam: a obra de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual, por sua vez, presta seu apoio aos outros.

Feudalismo

Assim como a ordem celeste é una e trina, o mesmo deve acontecer com a ordem terrestre. Como na cidade de Deus existe desigualdade, o mesmo deve acontecer na cidade do homem. Esse esquema ideal, que dividia a sociedade feudal em oratores (clérigos), bellatores (guerreiros) e laboratores (trabalhadores), não corresponde à realidade, pois a sociedade feudal era bem mais complexa, como você verá a seguir.

Nobreza

Era constituída por duques, marqueses e condes, que pertenciam à antiga nobreza e eram chamados grandes feudatários porque tinham o direito de enfeu­dar, isto é podiam conceder feudos a outros nobres, seus vassalos. A pequena nobreza era formada por ba­rões, viscondes e cavaleiros, que podiam receber feu­dos, mas não podiam enfeudar, ou seja, ter vassalos. A vida da nobreza feudal era regulada de maneira particular no que diz respeito à habitação, aos hábitos sociais, às ocupações e às diversões: vida no castelo, caça, guerra privada, torneios, cavalaria.

A guerra privada era uma guerra entre senhores feu­dais, motivada pela ambição de conquistar feudos, ou por simples amor pela luta e pela aventura. Matavam, pi­lhavam e incendiavam. A Igreja procurou impedir tais vio­lências, tomando medidas drásticas, tais como:

•   a Paz de Deus, que punia os que violassem os lugares de adoração, roubassem os pobres e injuriassem os sacerdotes;
•   a Trégua de Deus, que proibia a luta de sexta-feira ao amanhecer de segunda-feira e em época de plantio e de colheita. Os infratores eram excomungados.
• Já a Cavalaria era um código de honra, conduta e comportamento dos cavaleiros medievais, criada por in­fluência da Igreja. Além da influência cristã, recebeu in­fluência germânica e muçulmana.

Os escritores românticos deram-nos uma ideia da vida dos cavaleiros feudais, que não deve ter sido tão fácil e confortável como eles fazem crer. A Igreja tornou-se poderosa devido aos seguintes fatores: os homens, temerosos do inferno pela vida que ti­nham levado, doavam-lhe, antes e morrer, suas terras. Outros faziam doações porque achavam nobre o traba­lho de assistência aos pobres. Ela recebia doações dos vencedores de guerra; não dividia suas terras e cobrava o dízimo (imposto territorial).

Na Idade Média, a Igreja foi a maior proprietária de terras. Muitos dos seus membros eclesiásticos transfor­maram-se em verdadeiros senhores feudais. É importan­te salientar que o nível de vida do baixo clero era infinita­mente inferior ao do alto clero, portanto não devemos ver o clero como um todo orgânico.

O preparo do futuro cavaleiro era longo: dos 15 (ou mesmo antes) aos 21 anos. Primeiro, como pajem, de­pois, como escudeiro. Quando terminava sua aprendiza­gem (aos 21 anos, ou quando praticava um extraordiná­rio ato de bravura), era recebido na ordem da cavalaria mediante solene ritual, ao qual a Igreja emprestou cunho moral e religioso.

Servos

Como já vimos, a forma de trabalho característica do feudalismo foi a servidão. O servo era um camponês que, dispondo de instru­mentos de trabalho e do usufruto de uma exploração, se encontrava, todavia, ligado a um senhor por toda espé­cie de compromissos pessoais e tributos. Os servos tinham dupla origem: uns eram os ex-es-cravos, que haviam recebido uma casa e terra para culti­var; outros eram os colonos e demais homens livres, submetidos, espontaneamente ou não, ao poder de grandes senhores.

As principais obrigações dos servos eram: corvéia, o camponês trabalhava três dias por semana para o se­nhor; talha consistia na entrega da parte da produção ao senhor; quando se casava, o camponês era obriga­do a pagar uma taxa chamada formariage; já quando sucedia ao pai na posse do manso, pagava a mão-morta.

Uma obrigação singular eram as banalidades: o camponês as pagava quando usava as instalações do senhor, como, por exemplo, o forno e o moinho. Porém não houve um só tipo de servo nem um só tipo de servidão. Na verdade, ocorreram variações, dependen­do da época e do local. Segundo Hamilton Monteiro, o leitor não deve pen­sar que a servidão foi a única forma de trabalho na Idade Média. Continuou a existir o pequeno proprietário livre; as comunidades camponesas, em algumas regiões, ofe­receram resistência e conseguiram formas de trabalho contratado, mediante remuneração anteriormente acer­tada, ele. Ora, uma formação social não é homogênea; nela coexistem diversas formas de produção, porém a servidão, no caso em questão, foi a que predominou.

Mulher

Durante a Idade Média, a mulher era vista como um ser inferior ao sexo viril. Apesar de unir-se ao homem pelo casamento, ela era um reflexo secundário da ima­gem masculina. A mulher era responsável pela queda da humanidade no pecado e, como castigo, sofria as dores do parto e a dominação do esposo. Os maridos ti­nham direito de castigá-las. Uma surra de vez em quan­do era considerada salutar. É verdade que alguns exa­geravam.

Poder Político

O rei tinha poucos poderes no mundo feudal. Em ge­ral, era uma figura decorativa, tendo poderes apenas no seu feudo. Por meio do contrato de enfeudação, o monarca distribuía terras aos nobres. A enfeudação consistia na hocãs, de modo que o rompimento do senhor; se existisse herdeiro, este era homenagem e na investidura: acordo era considerado uma traição obrigado a pagar uma taxa.