Governos Democráticos no Brasil: Itamar Franco, FHC e Lula


O Brasil teve eleições democráticas desde o início da década de 80, mesmo no decorrer da parte final do regime militar. A redemocratização só se consolidou, no entanto, em 1989, quando houve eleições diretas para o executivo federal. Elegeu-se Fernando Collor de Mello, que assumiu o governo em 1990. No entanto, a desastrada política econômica e casos de corrupção levaram ao impeachment de Collor.

Em seu lugar, assumiu o governo o vice-presidente Itamar Franco, em 1992. O principal marco de seu governo foi o Plano Real, que estabilizou a moeda brasileira, controlando a inflação e criando base para uma nova realidade econômica.

Fernando Henrique Cardoso

Em 1994, Itamar elegeu seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso, que havia ocupado duas pastas ministeriais em seu governo: Relações Exteriores e Fazenda.

Os dois governos de FHC, iniciados em 1995, foram marcados pela política de privatizações de companhias estatais que atuavam em setores estratégicos, como a Vale do Rio Doce. Ao todo, foram privatizadas 70 empresas federais, arrecadando US$ 70,8 bilhões.

Ao mesmo tempo, Fernando Henrique quebrou o monopólio estatal sobre setores como energia elétrica, telecomunicações e petróleo. Ainda que o setor de telecomunicações tenha avançado, a política econômica não trouxe os melhores resultados, levando o país a pedir empréstimos recorrentes ao FMI.

O fracasso da política econômica teve sérias implicações sociais. O salário mínimo chegou ao menor valor histórico e todos esses fatores contribuíram para que FHC, que havia sido reeleito em 1998, não conseguisse fazer seu sucessor.

Lula

Lula disputava sua quarta eleição em 2002 pelo Partido dos Trabalhadores. A aproximação com o setor empresarial e financeiro fez com que Lula ganhasse apoios, que o levaram ao poder.

Lula se reelegeria em 2006, ficando no governo entre 2003 e 2010, reelegendo sua sucessora. O metalúrgico e sindicalista, que chegara a São Paulo como retirante da seca, deixou o governo com mais de 80% de aprovação, um fato inédito na história da República.

Contribuiu para o sucesso de seu governo uma forte política de inclusão social e desenvolvimento humano. Além disso, no campo econômico, Lula procurou se desvencilhar da histórica dependência dos Estados Unidos e dos ditames do FMI, buscando diversificar os parceiros comerciais.

As relações multilaterais com países da América do Sul, principalmente por meio do Mercosul, e a criação dos BRICs foram traços marcantes da política externa brasileira. O salário mínimo mais que dobrou durante seus dois mandatos e houve grande investimento na multiplicação de universidades e escolas técnicas federais.

Ao final de seu governo, a dívida interna recuara em relação ao PIB e as reservas em dólares, que eram de US$ 17 bilhões quando assumiu, chegaram a US$ 157 bilhões em 2010.

Apesar disso, o Brasil, que viu o crescimento do agronegócio, do setor do Petróleo (o valor de mercado da Petrobrás cresceu mais de 1.250%) e a redução drástica da miséria e da pobreza, não conseguiu obter grande incremento em seu setor industrial. Além disso, a educação básica, embora tenha sido universalizada, obteve poucos ganhos em qualidade.

Além disso, os programas de combate à corrupção deixaram de fora a relação promíscua entre o Congresso Nacional e as estatais, fonte de dissabores que o país viria a experimentar no futuro.