Grécia Antiga: Origem, Cidades-Estado e Atenas


Povos de origem indo-europeia (Aqueus, Eólios, Jônios e Dórios) chegaram ao mar Egeu a partir do ano de 2.000 a.C. A grande quantidade de ilhas contribuiu para o desenvolvimento do comércio marítimo da região. Dessa época até o ano de 1.400 a.C. o comércio no Mediterrâneo era dominado por Creta, a maior ilha do mar Egeu. A civilização cretense ou minóica (os reis de Creta eram chamados de Minos) transformou-se no primeiro centro cultural do mundo grego e por isso exerceu grande influência sobre a Grécia Continental.

Grécia Antiga

No entanto, por volta do século XIII a.C., Creta foi dominada pelos Aqueus, que também dominaram Troia (no episódio em que Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, teria sido raptada por Paris, filho de Príamo, rei de Troia, fato que teria originado a famosa guerra). Creta também seria invadida pelos Eólios e Jônios até o século XII a.C., época em que os Dórios finalmente assumem o controle da região, destruindo todo o esplendor da sociedade de então, provocando um colapso generalizado no mundo das artes, da escrita e do artesanato, dando origem ao chamado “Período Obscuro” da civilização grega.

Entre 800 e 500 a.C., período historicamente conhecido como Arcaico, são fundadas importantes cidades gregas como Tebas, Samos, Atenas e Esparta. A economia baseada no comércio e no artesanato molda o padrão urbano da cultura grega. O relevo montanhoso típico dessa região dificultava a comunicação por terra. Tal situação favoreceu o surgimento das cidades-estado, as chamadas polis (cidades políticas), visto que o isolamento facilitou a fragmentação administrativa e política, e assim, cada cidade grega desenvolveu sua autonomia semelhante a de um Estado. De modo que a Grécia Antiga não era um Estado unificado, e sim um conjunto de ilhas independentes e, em alguns casos, até rivais.

Durante as Guerras Médicas (492-479 a.C.), Atenas confirmou a supremacia naval, comercial e política da região, tornando-se o maior centro da vida intelectual e cultural do Ocidente, vivendo um período de esplendor (500 a 300 a.C.), período este conhecido como O Século de Péricles (499 – 429 a.C). Durante o governo de Péricles foram realizadas importantes reformas urbanas, numa tentativa de restaurar a cidade parcialmente destruída
após a invasão persa. Dentre as cidades-estado gregas, Atenas e Esparta se destacaram como exemplos de organização política, social e econômica. Enquanto que Atenas, localizada na península da Ática, tinha sua economia mercantil, Esparta, localizada na península do Peloponeso, tinha uma economia agro-pastoril.

Politicamente, Atenas evoluiu do escravismo de classes para a democracia, ao passo que Esparta, extremamente militarizada, não acompanhou tal evolução, preferindo, ao invés disso, manter um controle opressivo sobre os escravos do Estado (os hilotas). A pobreza dos solos contribuiu para a conquista de outras regiões mais férteis, fato que justifica a fundação de colônias no mar Negro, na costa da Ásia Menor (atual Turquia), no sul da Itália (Magna Grécia) e no norte da África.

O comércio na Ásia Menor e no mar Negro intensificou-se de tal forma que despertou o interesse de outros povos desencadeando as Guerras Médicas (Batalhas de Maratona, Salamina e Plateia), conflitos envolvendo gregos e persas, pelo controle da região. (O termo MÉDICAS deriva de MEDOS, povos que habitavam a Pérsia).

O fortalecimento de Atenas provocou a imediata reação de Esparta que criou, em 505 a.C., a Liga do Peloponeso (aliança entre cidades gregas comandadas por Esparta). Atenas, por sua vez, criou, em 478 a.C., a Confederação de Delos (aliança de cidades gregas sob o comando de Atenas, com sede na ilha de Delos); Novamente a disputa pela supremacia se acirrou, agora entre as cidades-estado gregas, desencadeando a Guerra do Peloponeso (431 a 404 a.C.), conflito que, apesar da vitória de Esparta, resultou numa destruição mútua, visto que ambas enfraqueceram-se militarmente e economicamente e, no caso de Atenas, também democraticamente.

Aproveitando-se desse cenário de decadência generalizada, as cidades gregas foram invadidas e conquistadas pelos macedônios comandados pelo rei Filipe II, na Batalha de Queronéia, em 338 a.C., e, em seguida, anexadas, em 331 a.C., ao Império Macedônio, de Alexandre Magno, filho de Filipe II. Alexandre passou a comandar o maior Império até então formado, o Império Macedônio, somente superado pelo Império Romano que começaria tempos depois (em 27 a.C.).

A herança cultural grega acabou influenciando toda a cultura ocidental. Nas Letras, destaque para: Homero, que imortalizou os feitos heroicos dos primeiros tempos gregos com Ilíada e Odisseia; Píndaro (Poesia Lírica); Demóstenes e Esquines (Oratória); e Esopo (Fábulas). No Teatro, os gregos criaram a tragédia e a comédia, dois géneros clássicos, com destaque para Esquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes. Na Filosofia, foram os primeiros a buscar uma explicação racional para as coisas do mundo, destaque para Tales (o primeiro filósofo), Sócrates, Platão e Aristóteles.

As conquistas de Alexandre, O Grande, permitiram a fusão cultural entre gregos, macedônios e orientais, resultando na civilização helenística. Até 323 a.C., o império helenístico já havia estendido seus domínios para além do Mediterrâneo, fato que contribuiu para um intercâmbio, onde a cultura grega era transportada para outras regiões, ao mesmo tempo em que influências orientais invadiam o Ocidente. O helenismo tinha como principais centros de manifestação cultural as cidades de Pérgamo (onde se fabricava o pergaminho), na Ásia Menor, e Alexandria, cidade fundada pelo próprio Alexandre, no Egito. Em Alexandria foram construídos vários teatros, um museu e a maior biblioteca da Antiguidade. De um modo geral, o helenismo é o período histórico que vai das conquistas de Alexandre até a conquista romana.

Nas outras áreas, destaque para Ptolomeu (Astronomia); Eratóstenes (Geografia); Hipócrates e Empédocles (Medicina); Euclides e Arquimedes (Matemática e Física); Pitágoras (Matemática); Heródoto e Tucídides (História). No esporte, destaque para a realização das Olimpíadas (776 a.C.), jogos em honra a Zeus, principal divindade grega. Nas Artes, destaque para Fídias (o maior escultor da Grécia Antiga), e Míron (autor do famoso discóbolo); Ictinus e Calícrates (arquitetos construtores do Partenon, cujas frisas foram feitas por Fídias); e Apeles (o maior dos pintores gregos), entre tantos outros. Por tudo isso, o mundo da cultura em geral tem uma dívida eterna de gratidão para com os habitantes da Grécia Antiga, tida como o berço da civilização ocidental.