O Cristianismo: Surgimento, Características e Conflito Estado x Igreja


O Cristianismo surgiu na Galileia, região da Palestina que foi anexada, em 40 a.C., ao Império Romano. Com a morte de Jesus, na fase inicial do Império, os apóstolos difundiram seus ensinamentos nos territórios romanos. Mas foram perseguidos, acusados de não cultuar o imperador e os deuses romanos. A perseguição aos cristãos teve início durante o governo de Nero (54 – 68 d.C.), que os responsabilizava pelos problemas socioeconômicos do Império. Aliás, apesar das perseguições, a intensificação desses problemas, sobretudo a partir do século III d.C., fez crescer a quantidade de adeptos do Cristianismo.

O Cristianismo

Após 250 anos de perseguição, dois acontecimentos foram decisivos para a história do Cristianismo:
1°) Em 313, o imperador Constantino publicou o Edito de Milão, no qual concedia liberdade de culto aos habitantes do Império Romano;
2°) Em 391, o imperador Teodósio, pelo Edito de Tessalônica, transformou o Cristianismo na religião oficial do Império Romano.

Em meio ao processo de liberdade e oficialização do cristianismo, os cristãos, agora livres da perseguição, puderam organizar a Igreja Católica que cresceu aproveitando a estrutura administrativa fornecida pelo Império Romano. Posteriormente, a Idade Média é marcada por uma tentativa de conciliar fé e razão, onde a Filosofia é usada como instrumento da Teologia, surgindo para isso duas tendências fundamentais: a Patrística e a Escolástica.

A Patrística (que vai do século II ao VIII d.C.) representou o trabalho dos Padres da Igreja e teve em Santo Agostinho (354 – 430 d.C.) seu principal expoente. Considerado o mais importante teórico de toda a Igreja Católica, Agostinho retomou o pensamento de Platão e o adaptou às verdades cristãs, defendendo que a salvação da alma seria alcançada somente pela fé.

A Filosofia grega é novamente retomada, primeiro por Boécio (480 – 524), depois pelos árabes, como Averróis (1126 – 1198), um respeitado entendedor do pensamento de Aristóteles, que discutiu abertamente os embates entre fé e razão. Aliás, por intermédio de Averróis, Aristóteles seria novamente retomado por Santo Tomás de Aquino (1225 -1274), principal nome da Igreja Católica na Idade Média e principal representante da Escolástica, tendência que vai do século IX até o Renascimento. Aquino adaptou o pensamento aristotélico às necessidades cristãs, defendendo que a salvação seria alcançada pela fé e boas obras.

A Idade Média também foi marcada pelo surgimento das primeiras universidades (Bolonha, Paris, Oxford, Cambridge, Salamanca, Coimbra); na Literatura, destaque para a Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Empenhados na construção de um corpo teórico capaz de sustentar a ideologia cristã, visto que Jesus não deixou nenhuma obra escrita, os primeiros teóricos da Igreja Católica, preocupados em ressaltar a fé e combater a razão, desprezaram a Filosofia grega, que fica então adormecida nos mosteiros.

Também houve desenvolvimento da Escultura, da Pintura l e da Arquitetura, marcada pela construção de soberbas catedrais em estilo gótico (a arte gótica se desenvolveu do 1 século XII até o Renascimento). imperador do Sacro Império Romano Germânico, criado em 962. A questão girava em torno de quem deveria nomear sacerdotes para ocupar os cargos eclesiásticos: o papa ou o imperador. O problema só foi resolvido em 1122, pela Concordata de Worms, que deu ao papa poderes para nomear os bispos, mas estes deveriam, antes de assumir o bispado, jurar fidelidade também ao imperador.
Ademais, durante o reinado de Inocêncio III (papa de 1198 a 1216), apogeu do papado na Idade Média, a Igreja se envolveu em várias lutas contra monarcas da Inglaterra, França, Espanha, Noruega e Suécia.

Além das perseguições impostas aos cristãos pelos imperadores na Idade Antiga, outros conflitos ocorreram envolvendo o Estado e a Igreja na Idade Média. Um dos principais conflitos começou com o imperador bizantino Justiniano (527 – 565 d.C.), que assumiu os poderes conjuntos do Estado (como César) e da Igreja (como papa), inaugurando assim o chamado cesaropapismo. Tais conflitos entre o Estado e a Igreja se arrastaram por muito tempo até que resultaram, em 1054, no Grande Cisma do Oriente, dividindo a Igreja em duas: Igreja Católica e Igreja Ortodoxa.

É importante ressaltar que, apesar de existir escravo, não há predomínio da escravidão e sim da servidão, onde uma parte dos trabalhadores ficam presos à terra, num sistema de vínculo que é acertado entre o trabalhador (vassalo) e o seu amo, que por sua vez, tem deveres (sobretudo militares) a cumprir com o seu superior direto (suserano).