Reino Arábico: Maomé e Expansionismo


Introdução

A Arábia é uma região árida, cercada por montanhas que margeiam o Oceano Índico e o Mar Vermelho. A parte central e norte é marcada por uma imensidão de areia e por alguns oásis. Na região ocidental, aglomeravam-se os prin­cipais centros urbanos. Os árabes são semitas e acreditam descender de Ismael, filho de Abraão. Os que viviam no litoral eram sedentários, dedican­do-se ao comércio e à agricultura, já os beduínos do de­serto eram nómades, organizavam-se em tribos gover­nadas por um sheik. Em termos religiosos, eram politeís­tas e idólatras.

Reino Arábico

Nas proximidades do litoral, as condições materiais eram melhores. Aden, Yatreb e Meca se destacavam. Meca, além de centro comercial, era também um centro religioso e de peregrinação. Lá, havia um poço sa­grado, Zem-Zem, uma Pedra Negra e um templo, a Caaba. Dentro da Caaba, além da Pedra Negra, encon­travam-se mais de 360 ídolos pertencentes às tribos do deserto. Em Meca, o comércio era controlado pela tribo dos coraixitas, que também eram os guardiões do templo. Estavam, portanto, interessados na preservação da reli­gião tradicional, que atraía os beduínos em constantes peregrinações.

Maomé

Maomé nasceu num clã pobre da poderosa tribo dos coraixitas, guardiães da Caaba, por volta de 570. Órfão, trabalhou como pastor e condutor de camelos. Aos 25 anos, casou-se com uma viúva abastada, cujo nome era Cadidja. Nesse período, encontrou-se com judeus e cristãos, sendo influenciado por eles.

Maomé passou a afirmar que tinha visões que che­gavam do céu. Parece que tinha compreendido que não eram boas as condições de seu povo. Considerando-se um instrumento de Deus, começou a denunciar a pluto­cracia existente em Meca e a criticar as lutas sanguiná­rias e os infanticídios. Em Meca, suas pregações não eram bem sucedidas. Sabendo que em Yatreb havia uma grande discórdia, resolveu, juntamente com seus adeptos, abandonar a cidade sagrada. Esse episódio é conhecido pelos maometanos como Hégira (fuga), eles consideram o ano de sua realização como início de sua era (622).

Como governador da cidade, Maomé mudou o nome de Yatreb para Medina (Medinat-en-Nabi – Cida­de do Profeta). Como alguns relutavam em lhe prestar obediência, recrutou os beduínos para uma guerra santa contra seus inimigos (La illa Allah, Muhammad rasul Allah – Só Alá é Deus e Maomé é seu Profeta). Em 630, triunfalmente, chegou a Meca, destruiu os ídolos do templo, preservou a Caaba e proclamou Meca cidade santa dos maometanos.
Quando Maomé morreu em 632, a Arábia estava uni­ficada política e religiosamente.

Expansionismo

A expansão árabe foi um projeto dirigido pelos grupos mercantis urbanos, empreendido pelas tribos de guerreiros beduínos. O projeto expansionista conjugava diversos fato-res: a conquista de terras teríeis, a possibilidade de acumulação de riquezas por meio do saque às popula­ções vencidas, o domínio de rotas e a Guerra Santa (Djihâd), prometendo o paraíso para aqueles que mor­ressem lutando pela propagação do islamismo. Depois da morte de Maomé, Abu-Bekr foi imposto como único sucessor do profeta. Recebeu o título de cali­fa, que quer dizer Delegado do Profeta. Abu-Bekr con­solidou-se no poder e iniciou o avanço em direção à Síria e à Pérsia. De 634 a 644, Ornar realizou a conquista da Palestina, da Síria, da Pérsia e do Egito. Morreu assassi­nado por um escravo persa.

Cúpula da Rocha, também chamada Mesquita de Ornar, foi construída em Jerusalém em 691. Localiza-se onde se situava o Templo de Salomão.
Com a ascensão de Otman, ligado aos coraixitas, os parentes de Maomé passaram a ser perseguidos. Os omíadas iriam salvar a comunidade muçul­mana pela força e construir o Império Árabe. Com a morte de Otman, o partido dos homens pios levou Ali ao poder. Moaviá Omíada, governador da Síria, primo de Otman, recusou-se a reconhecê-lo. A ba­talha teve lugar na Planície de Siffin, entre o Iraque e a Síria. Depois de três meses de escaramuças, Ali, indeciso, aceitou parlamentar. Os enviados de Moaviá o enganaram indignamente. Um grupo de seus partidários, os Khariditas, abandonou então o acampamento de Ali, enquanto os partidários de Ali foram chamados Xiitas (de Shi’á, partidário). Des­ses dois grupos viriam a se formar diversas seitas religiosas… Ali foi assassinado pelo Khariditas, em 661 e Moaviá se tornou Califa. Muito enérgico, ins­talou seu poder sobre a Síria e o Egito, mudando sua capital para Damasco.

Em 750, os persas lideraram uma insurreição geral contra os omíadas. Abou Abas inaugurou a dinastia Abássida com capital em Bagdá. No ano de 756, Abder Rhaman, remanescente da dinastia Omíada, refugiou-se na Espanha, fundando o Emirado de Córdoba. Era a divisão do Império Árabe. Durante o domínio dos omíadas (660-750), o califa­do passou a ser hereditário. Nessa época, ocorreram as conquistas do Afeganistão, Turquestão, Vale do Indo, norte da África, das Ilhas do Mediterrâneo e da Penínsu­la Ibérica. (Gibral Tarik, em 711, atravessou o estreito que hoje leva seu nome e penetrou na península).

Em 732, os árabes foram vencidos pelo chefe franco Carlos Martel, na Batalha de Poitiers. Durante o domínio dos abássidas, deve-se destacar as seguintes peculiaridades: o caráter teocrático do go­verno, a introdução do cerimonial persa na corte, a cria­ção do cargo de vizir, uma espécie de primeiro-ministro, e o aumento da burocracia estatal, além de um intenso comércio entre o Extremo Oriente e o Ocidente. A civili­zação muçulmana atingiu, então, o seu apogeu, no rei­nado de Harum al-Rashid (786-809). As divisões de lutas internas provocaram a decadên­cia. Os idríssidas tomaram o poder no Marrocos (788), e os fatímidas seguiram o exemplo no Egito (909). Final­mente, os mongóis destruíram a cidade de Bagdá.