Tumultos na Inglaterra em 2011


Em agosto de 2011 iniciou-se uma série de tumultos por Londres, com inúmeros conflitos, saques e muita destruição. Eles eram causados por jovens encapuzados que inicialmente atacavam os subúrbios e posteriormente seguiram para os bairros mais tradicionais e centrais.

tumultos-na-inglaterra-em-2011

Tudo começou com um protesto contra a violência da polícia londrina, que baleou um homem. A partir disso foi iniciada uma onda de manifestações violentas, com carros incendiados, lojas destruídas e saqueadas, além de pessoas feridas, que duraram quatro longos dias.

Origem do tumulto

Não à toa, os tumultos na Inglaterra em 2011 se tornaram referência de manifestações violentas pelo mundo. De seis a dez de agosto daquele ano a situação foi tão grave que até mesmo o Parlamento foi convocado para encontrar medidas que pudessem controlar a situação e encontrar soluções urgentes.

Cinco pessoas morreram e 16 ficaram feridas, enquanto que 3100 pessoas foram presas e 1000 foram processadas pelos atos. O empenho foi tão grande que até mesmo os tribunais trabalharam em horas extras para atender a demanda. Outra consequência causada pelos tumultos foram os prejuízos estimados em 200 milhões de libras esterlinas, deixando a atividade econômica da cidade seriamente prejudicada.

A imagem da polícia londrina foi bastante prejudicada pelo ocorrido por ter sido considerada o pivô inicial das ondas de violência e, principalmente, pela ineficiência em combater os vândalos.

O tumulto também gerou um constante debate não só em Londres, mas em diversas partes do mundo, sobre causas e consequências de ações políticas, sociais e acadêmicas e análises pontuais sobre a forma de lidar com a sociedade, principalmente as mais pobres, e como combater a violência.

Mesmo que o mote tenha sido a morte de Mark Duggan, especialistas fazem várias especulações a respeito do que levou a tamanha revolta e violência. Os fatores socioeconômicos são os mais relevantes, estimulados pelo desemprego, o analfabetismo e o uso de drogas e a falta de interesse do governo em mudar essa situação. Inclusive, na época o governo havia feito consideráveis cortes em subsídios à população mais pobre.

Esses sentimentos de vulnerabilidade e exclusão foram determinantes para incitar os tumultos. A cultura do ódio, conhecida como cultura gangsta, estimula a violência e a rebeldia social, criando inimigos como a policia e políticos.

Cronologia do tumulto londrino

A causa mais provável do início do tumulto foi o assassinato de Mark Duggan por policiais londrinos. Na versão da polícia, o jovem seria preso na Operação Trident, que investigava a comunidade negra por crimes com armas. Numa confusão próxima à Estação Tottenham Hale ele teria levado um tiro fatal.

Até hoje a sua morte não foi devidamente esclarecida e a polícia indicou como legítima defesa já que, segundo ela, o jovem portava uma arma. Porém, as investigações posteriores não detectaram que a arma tivesse sido disparada.

Com a polêmica gerada com a morte de Mark, amigos começaram a protestar sobre a injustiça e o despreparo da polícia, e apontaram paro o fato de que não havia provas sobre legítima defesa por parte dos policiais. As opiniões se propagaram, principalmente na mídia, o que foi gerando uma revolta na população que culminou com uma manifestação pacífica, organizada por amigos e parentes em 6 de agosto de 2011. Ela partiu de Broadwater Farm e seguiu até a delegacia de Tottenham, próximo ao local do crime e foi motivada não só pelo assassinato, mas pela discriminação contra as pessoas mais pobres e as minorias étnicas dispostas nos bairros pobres de Londres.

Os manifestantes exigiram que um oficial superior da polícia fosse falar com eles, mas não foram atendidos. Após um longo período de espera, sem sucesso, os mais jovens que resistiram à espera começaram a agir com violência, principalmente quando houve um rumor de que os policiais foram violentos com uma adolescente.

A onda de confrontos, vandalismos, roubos e depredações foi iniciada em Tottenham e seguiu para Tottenham Hale, no Centro Atacadista e Varejista, que tomou grandes proporções e se espalhou para Brixton, Enfield, Wood Green, Oxford Circus, Islington e o centro de Londres, assim como cidades próximas como Bristol, Birmingham, Nottingham, Gillingham e Gloucester. Jovens usaram coquetéis molotov, fogo de artifício e até mísseis para incendiar agencia de correios, carros de polícia, ônibus, pequenas empresas e até mesmo residências.

Inúmeras lojas foram saqueadas e vitrines quebradas, e policiais foram feridos. O resgate dos feridos e o controle dos incêndios foram muito prejudicados pela dificuldade dos bombeiros em se aproximar do foco dos protestos.

Até mesmo a imprensa foi atacada e teve dificuldades em noticiar os fatos nos locais onde ocorriam. Há relatos de que um fotógrafo do Mail on Sunday foi assaltado e espancado pelos vândalos e uma equipe da BBC News teve o carro atacado por mísseis.

A polícia não conseguiu intervir na maior parte dos acontecimentos, nem mesmo no saque a Tottenham Hale. Pessoas foram feridas e começaram a dar entrada em hospitais, inclusive havendo mortes por ferimento de bala e agressão. Os locais onde aconteceriam os protestos eram informados através de redes sociais e mensagens pelo celular.

Com o caos instalado, as autoridades começaram a reagir. Magistrados se reuniram para impor penas mais duras aos envolvidos nos crimes; o primeiro ministro David Cameron voltou de suas férias, conclamou outros políticos, e estes buscaram soluções para devolver a ordem pública. Uma delas foi a convocação de policias de férias e folga para reunir o máximo do efetivo, que finalmente conseguiu controlar a revolta.

Com o fim das manifestações violentas as redes sociais foram usadas para mobilizar os cidadãos em prol da organização da cidade. Em poucas horas, mais de 18 mil seguidores foram às ruas para limpá-las.