Influências, Características e Convenções do Neoclassicismo ou Arcadismo


O século XVIII — As luzes

Ao longo do século XVIII, ocorreram na Europa grandes transformações em todas as áreas: economia, po­lítica, organização social, filosofia, ciência, tecnologia… Transformações tão profundas que podemos considerá-las fundadoras da História Contemporânea. Basta lembrar os significados e as consequências da Revolução Fran­cesa, da Revolução Industrial, das guerras napoleônicas e das revoluções e movimentos de independência dos países americanos, para perceber que o chamado Século das luzes constitui uma das encruzilhadas da história ocidental.

Influências, Características e Convenções do Neoclassicismo ou Arcadismo

Para a compreensão da literatura e das artes da segunda metade do século, não se podem perder de vista as grandes mudanças ideológicas. A decadência da aris­tocracia feudal, os estertores das monarquias absolutas, o declínio do poder da Igreja Católica e o crescimento do poder da burguesia tornam anacrônicas as ideias que eram o pano de fundo da arte barroca. A crença na re­velação e a autoridade dos mestres antigos cedem lugar ao empirismo; o poder da Igreja, ao laicismo; o absolu­tismo, ao liberalismo. Na segunda metade do século, o Iluminismo francês fomentou os ideais revolucionários do mundo inteiro.

Neoclassicismo ou Arcadismo

As duas palavras com que se costuma designar a literatura da segunda metade do século XVIII podem se prestar a confusões, por serem empregadas, em outros contextos, com outras acepções. O substantivo neoclassicismo e o adjetivo neoclássico são utilizados genericamente em referência a qualquer tendência, de qualquer época, que pretenda recuperar os ideais estéticos greco-latinos pela imitação dos autores antigos. Os dois maiores movimentos neoclássicos foram o do Renascimento e o da segunda metade do século XVIII. Tornou-se hábito referir-se ao primeiro como Classicismo (renascentista) e, ao segundo, como Neoclassicismo.

Do mesmo modo, devemos distinguir os usos da palavra arcadismo na História da Literatura e das Artes. Ela pode designar:
• a tendência estética, inspirada no mito da Arcádia, que busca imitar o estilo e os temas de certos autores clás­sicos — o bucolismo, o pastoralismo, o elogio à vida simples e tranquila. Essa tendência pode ser encontrada desde o Renascimento.

ARCÁDIA — região da Grécia antiga (centro do Peloponeso), habitada por pastores e transformada pelos poetas antigos no lugar ideal da vida simples, da inocência e da felicidade.
 
Como expressão estética das novas ideologias, o Neoclassicismo foi uma escola de transição, congregando diversas tendências e evoluindo rapidamente para o Ro­mantismo, que já tem seus prenúncios no século XVIII (Pré-Romantismo).

•  a produção literária ligada às associações que receberam o nome de Arcádia a partir do final do século XVII. Nes­se sentido, o Arcadismo oitocentista seria apenas uma tendência do Neoclassicismo.
•  toda a literatura da segunda metade do século XVIII, isto é, ela pode ser usada como sinônimo de Neoclassicismo.

Características do Neoclassicismo

Já nos finais do século XVII, pode-se perceber o es­gotamento do Barroco, na enfadonha repetição dos temas e no exagero vazio das fórmulas cultistas, e o progressivo surgimento das principais características que identificarão o Neoclassicismo. São elas:
•  Culto do otimismo, da alegria de viver; confiança no progresso e na ciência; afirmação da capacidade do ser humano de dominar a natureza e promover o conheci­mento e o bem-estar.
•  Retorno ao equilíbrio clássico, pela imitação dos autores greco-latinos e renascentistas.
•  Ideal de simplicidade, de naturalidade, de suavidade elegan­te, expresso sobretudo nos temas pastoris e bucólicos.

Principais convenções da poesia neoclássica

Tendo surgido como reação ao barroquismo, cujos exageros passaram a ser considerados de mau gosto, o Neoclassicismo exagerou, por sua vez, na idealização da simplicidade, que logo se tornou artificiosa, repetitiva e extremamente convencional. Gosto pelo aprazível (a primavera, o prado, as flores, os pássaros, a brisa, o riacho murmurante etc.). Tema do fugere urbem (fugir da cidade): a cidade é vista como o lugar do sofrimento e da corrupção dos homens.

Elogio da áurea mediocritas (mediania de ouro -expressão de Horácio para dizer que uma situação de equilíbrio deve ser preferível a qualquer extremo) e do estoicismo, desprezo dos prazeres, do luxo e das riquezas. Carpe diem (tema clássico greco-latino): recomendação para que se aproveite o momento presente, por ser incer­to o dia de amanhã. Na lírica amorosa, o amante procura convencer a amada de que devem viver plenamente o amor, antes que venham a velhice e a morte.