Literatura Atual: Chico Buarque de Holanda, João Gilberto e Lya Luft


Literatura Atual

Divisora de águas da cultura brasileira, a Semana de Arte Moderna foi fundamental para que se chegasse a atual literatura contemporânea. Com o rompimento da obrigatoriedade de seguir padrões europeus de arte e abrindo espaço para falar sobre assuntos relativos ao Brasil fez com que uma identidade genuinamente nacional fincasse raízes definitivas.

Hoje há uma multiplicidade de tendências nas produções literárias do país, navegando tranquilamente em inúmeras outras escolas e formatos. Inspirada no homem moderno e suas crises existenciais, os movimentos mais pontuais pós-modernismo e que permanecem são o concretismo e neoconcretismo, assim como a poesia marginal, de processo e práxis. Nesse contexto os nomes de Chico Buarque de Holanda, João Gilberto e Lya Luft se destacam.

Chico Buarque de Holanda

Conhecido como um compositor inspirado da MPB e cantor enaltecido, Chico Buarque de Holanda também é escritor e dramaturgo. Filho do sociólogo e jornalista Sergio Buarque de Holanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim, teve profundas influencias artísticas e intelectuais de seus pais e amigos, que se refletiram na amplitude de sua cultura.

Autor de mais de 400 canções e que fizeram parte do repertório dos mais relevantes cantores nacionais e internacionais, Chico também criou peças de teatro e roteirizou filmes, além de já ter escrito sete livros que lhe renderam muitos prêmios, inclusive foi o primeiro escritor a ganhar três vezes o Prêmio Jabuti, o mais conceituado da literatura brasileira.

De contos, crônicas, prosas e romances, o seu primeiro livro foi Fazenda Modelo e o último O Irmão Alemão. O mais premiado foi Leite Derramado, com o Livro do Ano Ficção pelo Jabuti e Prêmio de Narrativa José Maria Arguedas.

João Gilberto Noll

O escritor gaúcho João Gilberto Noll representa perfeitamente a ideia de que o “escritor está sempre escrevendo o mesmo livro”. Sua obra já foi vista com estranhamento e é um marco na literatura contemporânea, por manter sempre o mesmo ritmo de desafios e provocações ao leitor.

A estética de suas narrativas é primorosa, com um estilo único de prosa poética que utiliza muitas figuras de linguagem, um ritmo que lembra a oração e uma perfeita afinação entre personagens e leitor.

Em sua carreira era comum que João Gilberto associasse a profissão com a solidão, pelo necessário isolamento para escrever. Formado em Letras e colega de Caio Fernando Abreu, veio ainda jovem para o Rio de Janeiro e trabalhou como revisor até publicar seu primeiro livro de contos O Cego e a Dançarina. Ganhou prêmios de revelação do ano e iniciou uma fértil trajetória literária.

Lya Luft

Também gaúcha, mas de Santa Cruz do Sul, Lya Luft era uma menina contestadora que se formou em Pedagogia e Letras Anglo-Germânica. Trabalhou por muitos anos como tradutora de livros de autores como Virginia Woolf e Gunter Grass, foi professora universitária, mas começou a sua carreira na literatura timidamente.

Sem pretensões, começou a escrever poesias ainda no primeiro casamento, até que publicou um livro de poemas chamado Flauta Doce. Mais adiante iniciou seus textos em contos, até que começou a lançar anualmente livros de contos, romances e poesias que se transformaram em verdadeiros marcos da literatura contemporânea.

Sua literatura é tal como ela, contestadora. Que caminha entre o natural e comum da vida, sem cair em brechas piegas e ciladas literárias de uma felicidade inexistente. O Rio do Meio foi considerado a melhor obra de ficção de 1996, assim como o Lete: Arte e Crítica do Esquecimento, em 2001. Em 2012 ganhou o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.