Literatura informativa sobre o Brasil (1500-1601)


Literatura informativa sobre o Brasil (1500-1601)

É fato reconhecido que o primeiro movimento literário de que se tem notícia no Brasil colônia foi o barroco, presente, sobretudo, nos inspirados e vigorosos versos de Gregório de Matos.

Antes do barroco, movimento também conhecido como seiscentismo, por ter sido a tônica do século XVI, não há o que se possa reconhecer por movimento literário no Brasil.

Não obstante, tal situação não implica concluir que nada se escrevera até então, ainda que não houvesse, propriamente, o projeto artístico.

A ausência, aliás, de movimentos artísticos no Brasil colônia no primeiro século de ocupação é decorrência das próprias características dessa ocupação.

Nos primeiros cem anos de ocupação, o Brasil foi, para Portugal, uma mera colônia de exploração. Em terras brasileiras tudo que se fez foi extrair riquezas para abarrotar os cofres da Coroa portuguesa. Começou com o pau Brasil e, em seguida, a ocupação avançou para o interior em busca das pedras preciosas.

Naqueles primeiros cem anos, não houve uma política de povoamento da colônia por parte de Portugal, o que explica a ausência de movimentos literários, que só ganhariam considerável envergadura no século XIX.

Literatura informativa

Chegaram ao Brasil exploradores e jesuítas. Cultos, coube-lhes a tarefa de reportar à metrópole, por via de manuscritos, fatos relacionados à nova terra descoberta e suas peculiaridades.

Pode-se, pois, dizer que a primeira forma de literatura praticada no Brasil era produzida por portugueses, com caráter informativo e não propriamente literário, sendo a obra mais famosa a carta escrita por Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel.

“Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz”, diz trecho da carta de Caminha, narrando a chegada da esquadra à terra brasileira.

Destacam-se na literatura informativa sobre o Brasil, produzida nos primeiros anos após o descobrimento, as seguintes obras:

– Diálogo sobre a conversão do gentio (Padre Manuel da Nóbrega – 1556);

– Tratado da terra do Brasil e Histórias da Província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil (Pero de Magalhães Gândavo – 1576);

– Tratado descritivo do Brasil (Gabriel Soares de Souza – 1587);

História do Brasil (Frei Vicente do Salvador (1627).