Literatura informativa sobre o Brasil (1500-1601)


A carta de Pêro Vaz de Caminha

A carta de Caminha inaugura o que se convencionou chamar de literatura de informação sobre o Brasil, pois ela informava sobre a nova Coló­nia de Portugal. Era mais um relato de viagem do que literatura. Pêro Vaz de Caminha legou-nos uma carta de gran­de valor literário e histórico, considerada como a “Cer­tidão de Batismo da Terra de Santa Cruz”.

Literatura informativa sobre o Brasil (1500-1601)

A descoberta

Durante a grande competição pela conquista de mares e terras, percebe-se que existia escassez de in­formação sobre a geografia do mundo, principalmente da América. Pode-se afirmar que poucas descobertas geográficas desses fabulosos tempos de aventura fo­ram tão bem documentadas quanto o “achamento do Brasil”. Por meio de uma carta, Caminha informava a Portugal sobre as características físicas dos habitan­tes, as riquezas vegetais e também sobre as possibili­dades de colonização do território descoberto.

A uma distância de aproximadamente cinco mil metros, os marujos avistaram, na praia, homens an­dando nus nas areias. Cabral, que era o capitão-mor da armada, decidiu envi­ar o grande navegador Nicolau Coelho para travar o que viria a ser o primeiro contato com aquela gente diferente, só que, de início, eles não conseguiram se entender.

Partiu de Coelho o gesto inaugural: o mestre jo­gou às ondas seu gorro vermelho e parte de suas vestimentas na esperança de que os índios depuses­sem os arcos e flechas; então ele recebeu dos nati­vos um belo cocar feito de penas de araras e papa­gaios. Eram onze horas da manhã, quando amanheceu o Brasil. Dificilmente exista outro país do mundo que tenha uma “Certidão de Descobrimento” com dia, mês, ano e até as horas em que a região foi avistada.

Os índios

Na carta é feita a descrição física detalhada de um grupo de pessoas que não pertenciam ao mesmo gru­po dos europeus e também é narrada a tentativa de comunicação pela linguagem gestual entre os índios e os exploradores, os quais não estavam acostumados ao comportamento dos nativos. Caminha atribui uma certa inocência à nudez dos índios e diz que eles mostram o corpo da mesma ma­neira como se entregam ao sono, e os compara a uma criança europeia pelo fato de usarem a gesticulação como recurso da fala e também pelas suas reações primárias, sentindo medo dos brancos.

É posta em evidência a atitude cordial dos índios, mostrando que eles se acostumaram rapidamente com a presença e os costumes dos portugueses. Por meio da carta, Caminha tenta sensibilizar o Rei D. Manoel sobre a beleza da nova terra, que ele acredita ser um continente e não só uma ilha, pela sua imensidão.

Os objetivos

Mais do que descobrir o Brasil, Portugal converteu povos e “salvou” almas. Mais do que expandir o Impé­rio, Portugal expandiu a fé, irradiando a luz de Cristo, implantando a primeira cruz, erguendo o primeiro altar, rezando a primeira missa e juntando no ato sagrado portugueses e índios. Frei Henrique de Coimbra lançou as bases do Brasil cristão.

Caminha estava interessado no lado humano da descoberta, demonstrando simpatia para com os ín­dios e com a expansão da fé cristã. Em primeiro de maio foi celebrada a primeira missa em terra firme e, durante a celebração, os indígenas acompanharam os portugueses em todos os seus ges­tos: ajoelharam-se na consagração, levantaram-se no evangelho e sentaram-se no sermão.

Quinhentismo Brasileiro

É a denominação genérica de todas as manifesta­ções “literárias” ocorridas no Brasil durante o século XVI, conhecidas como:
•          Literatura de Informação – voltada para a des­crição das riquezas materiais.
•          Literatura dos Jesuítas – voltada para o tra­balho de catequese e caracterizada pela: