Modernismo – Segunda Geração: Jorge Amado e Érico Veríssimo


Jorge Amado  (1912-2OO1)

Romances de tese socialista:
•         O País do Carnaval (1931) – Paulo Rigger, brasileiro, formado na Europa, não consegue fazer a revolução verdadeira para mudar o Brasil e retorna, decepcionado, à Europa.
•         Cacau (1933) – trata da exploração de que são vítimas os trabalhadores rurais.
•         Suor (1934) – trata da perseguição à atividade grevista.
•         Jubiabá (1935) – narra a ascensão de António Balduíno, de boxeador a líder grevista.
•         O Cavaleiro da Esperança (1942) – narra a vida do líder comunista Luís Carlos Prestes.

Modernismo

Romances líricos:
•        Mar Morto (1936) – narra a história de amor entre Lívia e o pescador Guma.
•        Capitães da Areia (1937) – narra a história de menores abandonados, em Salvador, que viviam de pequenos furtos e que eram liderados por Pedro Bala.

Romances do ciclo do cacau:
•        Terras do Sem-Fim (1943) – narra a guerra entre os proprietários das fazendas de cacau.
•        São Jorge dos Ilhéus (1944) – continua o livro anterior, decorrendo a ação 25 anos depois.

Romances de costumes:
•        Gabriela, Cravo e Canela (1958)
•        Dona Flor e seus Dois Maridos (1967)
•        Tenda dos Milagres (1970)
•        Tieta do Agreste (1977)
•        Tocaia Grande (1987)
•        O Sumiço da Santa (1988)
•        Navegação de Cabotagem (1990)

Terras do Sem Fim (1943) é uma narrativa épica sobre a ocupação das terras de Sequeiro Grande, hoje região de Ilhéus e Itabuna-BA. Dois clãs, o dos Badaró e o dos Horácio da Silveira, guerreiam pela ocupação dessas terras férteis para o cacau. A Bahia, Salvador, Ilhéus, Itabuna, a terra do cacau, os pescadores, os marinheiros, os coronéis, os pobres, os miseráveis, os exploradores e explorados, as prostitutas, os bêbados, o candomblé, os menores abandonados, as carolas, os cornos, a luta pela liberdade são os elementos mais comuns na obra regionalista de Jorge Amado. Tudo isso expresso em uma narrativa humorística e envolvente. Na extensa e grande obra do autor destaca- se Os Velhos Marinheiros (1962), que é composto de duas novelas: A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso e A Morte e a Morte de Quincas Berro d’ Água.

Érico Veríssimo (1905-1975)

Primeira fase (romances urbanos)

•        Clarissa (1933)
•        Caminhos Cruzados (1935)
•        Música ao Longe (1935)
•        Olhai os Lírios do Campo (1938)
•        O Resto é Silêncio (1943)

Segunda fase (regionalista)

• O Tempo e o Vento (1949-1962)

Terceira fase (políticos)

•        Noite (1954)
•        O Senhor Embaixador (1965)
•        Incidente em Antares (1971)
•        Solo de Clarineta (memórias -1973)

Na primeira fase da sua obra, Érico Veríssimo preocupou-se em retratar um quadro pequeno-burguês de Porto Alegre, com narrativas lineares e personagens comuns, mas revelando-se um excelente contador de histórias.

Na segunda fase apresentou-se como o grande escritor e passou a ocupar um lugar de destaque entre os romancistas brasileiros. Nessa fase, publicou sua obra prima -O Tempo e o Vento -, a epopeia da formação do povo gaúcho. Trata-se de um romance gigantesco, uma trilogia dividida respectivamente em “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”, que narra a saga de duas famílias – os Terra e os Cambará – num período de duzentos anos (1745-1945). Os Terra e os Cambará, da cidade de Santa Fé, unem-se várias vezes por meio de casamentos e constituem o arquétipo dos indivíduos construtores do Rio Grande do Sul. Os Terra são perseverantes, obstinados, amam a terra, a permanência (Ana Terra e Bibiana Terra); os Cambará são generosos, sonhadores, aventureiros, amam a liberdade e a ação (Capitão Rodrigo e Toríbio Cambará). Os vários livros que compõem O Tempo e o Vento, na realidade, dividem-se em uma série de novelas que têm como ponto unificador a cidade de Santa Fé, onde se concentram todos os grupos sociais na colonização do Extremo Sul.

Na terceira fase da sua obra, Érico Veríssimo faz uma alegoria da ditadura de 1964 ao se utilizar do realismo mágico na narrativa de Incidente em Antares. Na primeira parte, a narrativa focaliza o nascimento e a formação da cidade de Antares, localizada às margens do Uruguai, divisa com a Argentina. Tal formação se dá com o domínio de duas famílias, os Campolargo e os Vacariano, que se digladiam, se matam, mas que acabam por se unir. Na segunda parte, há o fantástico: durante uma greve de todos os operários de Antares (inclusive dos coveiros), sete mortos que não foram enterrados (tinham sido colocados na porta do campo santo) ressuscitam num amanhecer de dezembro de 1963 e decidem descer à cidade para reivindicar o direito de ser enterrados. Como as autoridades corruptas de Antares demoraram para resolver a questão da greve (única forma de os coveiros voltarem ao trabalho), os sete mortos vão ao coreto da praça principal da cidade e de lá denunciam toda a podridão dos mandatários. Trata-se, evidentemente, de uma metáfora do Brasil daquela época.

Cyro dos Anjos  (1906-1994)

Amanuense Belmiro, romance urbano e psicológico de 1936, conta a história de um modesto funcionário público de Belo Horizonte de 38 anos que escreve um diário como forma de compensar sua vida cheia de vazios e de frustrações.

Dyonélio Machado (1895-1985)

Os Ratos, romance urbano e psicológico de 1935, conta a história de um pobre coitado – Naziazeno – às voltas com a angustiante tarefa de arrumar 53 mil réis a fim de pagar sua dívida ao leiteiro, que ameaçara, nas seis horas da manhã daquele dia, a não mais fornecer leite à família de Naziazeno caso não fosse quitada a dívida na manhã seguinte (o leite diário era essencial para a saúde do filho pequeno).