Naturalismo – Características e Principais Autores


O fragmento do romance O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, descreve o amanhecer de um cortiço, habitação coletiva comum no Rio de Janeiro do século XIX. Tanto quanto Machado de Assis, Aluísio de Azevedo mostrava a realidade, mas não se detinha na análise psicológica dos personagens; a ele só interessava o coletivo e a bestialidade natural do ser humano. Essa é a diferença básica entre o Realismo propriamente dito, o de Machado de Assis, e o Naturalismo de Aluísio de Azevedo.

Naturalismo

O Naturalismo nasceu na França nos romances Teresa Raquin e Germinal, de Émile Zola, e se difundiu pelo Ocidente como forma agressiva de revelar a sujeira da sociedade. No Brasil, o romance O Mulato, de Aluísio de Azevedo, publicado em 1881, é considerado o livro inicial desse movimento.

Características
•         Observação – objetividade – verossimilhança: retrato da verdade por meio da observação.
•         Homem é produto do meio, da raça e do momento: aplicação das teorias de Hippolyte Taine.
•         O ser humano é um animal: age por instinto, não pensa e porta-se como uma besta, ou seja, segue as mesmas leis naturais que regem um animal qualquer.

Determinismo biológico: o homem recebe por herança seu temperamento e o meio só o desenvolve. Presença das teorias de Herbert Spencer sobre o determinismo.

Patologia: personagens mórbidos, viciados e doentes. No Naturalismo, há uma legião de bêbados, assassinos, incestuosos, homossexuais, devassos e prostituídos. O feio, o vulgar e o sórdido dominam as narrativas.

Crítica social explícita: denúncia dos problemas sociais e da degradação humana. Preferência pelos ambientes dos menos favorecidos: desenvolvimento do enredo em cenários como cortiços, pensões e subúrbios. Detalhismo: narração lenta e descrição detalhada. Romances de tese: o objetivo dessas narrativas era defender uma tese – o homem é resultado da raça, do meio e do momento, conforme apregoava o francês Taine.

Observação
É importante entender que o Realismo de Machado de Assis se preocupava em retratar psicologicamente o indivíduo e as suas relações com o meio; dessa forma, ele fazia uma radiografia do indivíduo e da sociedade simultaneamente. Já o Naturalismo de Aluísio de Azevedo e outros escritores privilegiava o coletivo e a força do meio sobre este.
Um exemplo do Naturalismo na pintura é o quadro Os Bêbados (1907), do pintor português José Malhoa.

Principais autores
Aluísio de Azevedo (1857-1913)
Maranhense de São Luís, era desenhista desde menino e passou a escrever aos 24 anos. Depois de publicações de sucesso no Rio de Janeiro, onde se radicara, desgostou-se da literatura, que mal o sustentava, e tornou-se diplomata.
Principais obras
•         O Mulato (1881) – romance que conta a história do mulato Raimundo, vítima de racismo em São Luís do Maranhão.
•         Casa de Pensão (l884) – romance em que a ação acontece no Rio de Janeiro. Amâncio, rapaz do interior e estudante na capital federal, é corrompido pela sujeira da pensão onde morava.
•         O Cortiço (1890) – principal romance de Aluísio de Azevedo.

Raul  Pompéia  (1863-1895)
Fluminense de Angra dos Reis, nos seus 32 anos de vida, cursou Direito em São Paulo e em Recife, militou na causa abolicionista, foi diretor da Biblioteca Nacional, professor de Mitologia e jornalista. Por causa de incidentes que provocara no enterro do Marechal Floriano (do qual era partidário), o poeta Olavo Bilac o ofendeu moralmente em um artigo de jornal. Raul Pompéia desafiou o poeta para um duelo que acabou não acontecendo. Raul suicidou-se na tarde do Natal de 1895, após ler críticas sobre sua conduta – envolvia-se constantemente em polêmicas políticas.

Principal obra
•     O Ateneu (1888)
Nesse livro, o menino Sérgio narra a sua estada no Colégio Abílio, ou o Ateneu, um colégio de regime de internato onde estudavam e viviam meninos e adolescentes de onze a dezoito anos. Mais que simplesmente narrar, Sérgio registra as impressões que teve dos colegas, dos professores e do diretor de métodos educacionais condenáveis. A narrativa termina com o incêndio do colégio, simbolizando, certamente, a destruição daquela sociedade e da monarquia.

O Ateneu é uma autobiografia romanceada de Raul Pompéia, porque o próprio autor foi aluno interno do Colégio Abílio. Trata-se de um grito de revolta contra a educação que recebeu na adolescência. Retrata a educação sexual e intelectual dos rapazes como reflexo de uma sociedade no contexto da falência do regime monárquico.

Inglês de Sousa  (1853-1918)
Paraense, escreveu um romance regionalista intitulado O Missionário, no qual conta a história do padre Antônio de Morais, um homem extremamente religioso que não resiste à sensualidade da cabocla Clarinha e cai em pecado.

Júlio Ribeiro (1845-189O)
Mineiro de Sabará, era filho de brasileira e norte-americano. Não concluiu nenhum curso, mas foi um jornalista extremamente polémico, especialmente na defesa do erotismo, apresentado no seu romance naturalista A Carne.

Adolfo Caminha (1867-19O6)
Cearense, oficial da Marinha, tem como obras importantes no Naturalismo os romances O Bom Crioulo e A Normalista.

Domingos Olímpio (1867-1897)
Cearense, publicou um romance regionalista importante, Luzia-Homem, cuja ação acontece entre os retirantes da seca de 1877 e 1878. Por influência do meio e das circunstâncias, a força física que deveria caracterizar o homem Alexandre, um caboclo, ocupa o corpo de uma mulher, Luzia, a namorada dele.