Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo – Características, Autores e Obras


As seis estrofes seguintes fazem parte do poema ‘Profissão de Fé’, do poeta parnasiano Olavo Bilac. Profissão de fé é uma expressão que significa ‘declaração pública de uma crença’. Nesse poema, Olavo Bilac declara seu conceito de poesia, que era o credo do Parnasianismo: o poeta, quando escreve, tem o mesmo cuidado de um ourives ao trabalhar o ouro.

Parnasianismo

Bilac insiste na ideia de que o trabalho do poeta precisa ser idêntico ao do ourives.

Bilac, como parnasiano, privilegiava os vocábulos nobres e raros como o ourives despreza o mármore de Garrara e escolhe as pedras raras.
Bilac compara a pena (com que escreve) ao cinzel (martelo do ourives), pela precisão que ambos os instrumentos devem ter.

A ideia do poeta deve ser vestida de uma roupa solene; essa metáfora defende o privilégio aos elementos formais do texto.
O poeta compara a rima ao rubi. Isso significa que a rima tem que ser perfeita.
No Brasil, o Parnasianismo esteve principalmente na poesia de Olavo Bilac, de Raimundo Correia e de Alberto de Oliveira e dominou a produção literária do final do século XIX e do começo do século XX.
Além da preocupação com a elaboração de um poema perfeito, as características do Parnasianismo eram as relacionadas a seguir.
Arte pela arte: certamente escudado nos poetas parnasianos, o poeta paranaense Paulo Leminski escreveu que poesia é um in(utensílio), isto é, um utensílio inútil. Ora, segundo o Parnasianismo, o poema deve ser um objeto de arte, ele é um fim em si mesmo. O poema não deve estar a serviço de uma causa social, não deve fazer concessão ao que é prosaico e popular; o poema só pode retratar o que é esteticamente belo.
•         Grécia – Roma – Renascimento: Parnasianismo tem tudo a ver com a Grécia (e seus imitadores), uma vez que Parnaso é a região montanhosa onde ficaria o Olimpo, a morada dos deusessegundo a mitologia grega. Os parnasianos buscavam retratar a beleza ideal cujo modelo foi inspirado na Grécia e, por consequência, em Romae no Renascimento.
•         Objetividade e impassibilidade: pode-se dizerque o Parnasianismo foi o Realismo na poesiana medida em que era anti-romântico: os textosdessa escola buscavam a objetividade e evitavamos arroubos sentimentais típicos do Romantismo.Todavia, a completa isenção de sentimentos (impassibilidade, frieza) não aconteceu nos parnasianos brasileiros.
•         Descrição: objetos esteticamente bonitos, criaturas belas e fatos históricos interessantes eramassuntos parnasianos; por isso, a descrição erauma forma recorrente nos textos parnasianos.
•         Soneto: o poema (texto em verso) foi a tónicaparnasiana, tanto que o soneto se constituiu naforma poética fixa mais cultivada por Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, a trindade parnasiana. Mesmo assim, o vocabulário rebuscado e culto, a sintaxe clássica e preciosa também apareceram em prosadores como Rui Barbosa e Coelho Neto.

Pré-Modernismo
O Pré-Modernismo não é propriamente um estilo ou uma escola literária.
O Pré-Modernismo resultou da simultaneidade de vários estilos e de características marcantes das obras de quase todos os escritores que dele fizeram parte:
•         alguma  influência do Expressionismo (a caricatura e a crítica social) e do Impressionismo europeus;
•         a visão eminentemente crítica da realidade brasileira do começo do século XX;
•         o interesse pela vida marginalizada na sociedade(os sertanejos, os mulatos, os caipiras e os funcionários públicos);
•         o regionalismo crítico evidenciado na obra deEuclides da Cunha, Monteiro Lobato e do gaúcho Simões Lopes Neto;
•         o imigrante e suas dificuldades de adaptação noBrasil.
Autores e obras
Augusto dos Anjos  (1884-1914)
Eu e Outros Poemas (misturam-se nessa obra poemas naturalistas e simbolistas com técnica parnasiana) – poesia pessimista, muitas vezes de linguagem científica, que privilegia a sujeira humana e/ou aspectos sórdidos da condição humana.
Euclides da Cunha (1 886-1 9O9)
•     Os Sertões (1902) (realidade nordestina e Guerrade Canudos) – Euclides da Cunha estruturou OsSertões em três partes: “A terra”, “O homem”,”A luta”. Ou seja, ele só escreveu sobre a guerraapós um levantamento geográfico da região e umestudo antropológico do homem do sertão em umaproposta de causalidade: Canudos foi o confrontode “dois Brasis” – um, rico e latifundiário; outro,abandonado e miserável. Esse critério para a reda-ção de Os Sertões revela a clara influência da doutrina positivista na leitura que Euclides da Cunhafazia daquela realidade brasileira.
Ainda que Os Sertões tenha sido escrito com um enfoque sobremaneira sociológico, também é fundamentalmente uma obra literária. A linguagem do livro é monumental, solene, épica; também tortuosa, difícil, preciosa, a ponto de o Barão do Rio Branco ter dito ao seu amigo Euclides da Cunha: “O senhor escreve como um cipó”.
Lima  Barreto  (1881-1922)
•         Recordações do Escrivão Isaías Caminha (romance, 1909)
•         Triste Fim de Policarpo Quaresma (romance,1911)
•         Numa e Ninfa (romance, 1915)
Morte e M. J. Gonzaga de Sá (romance, 1919)
•         Os Bruzundangas (crónica, 1923)
•         Clara dos Anjos (romance, 1924)

•         Histórias e Sonhos (contos, 1956)
•         Diário Intimo (memórias, 1956)
•         Cemitério dos Vivos (memórias, 1956)
Lima Barreto é considerado um dos melhores narradores da literatura brasileira. Despiu-se da linguagem requintada, intelectualizada e parnasiana da época para utilizar-se de outra linguagem, mais jornalística, panfletária e popular, pois esteve mais preocupado em retratar a vida dos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro na época da Primeira República. Detestava as altas rodas sociais. Seus personagens foram os humildes funcionários públicos, os alcoólatras, os fracassados, os humilhados, os mulatos, os negros, os miseráveis, os pobres-diabos cujos pensamentos e modos de vida apareceram, principalmente, em Recordações do Escrivão Isaías Caminha e em Clara dos Anjos.
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Monteiro Lobato (1882-1948)

Graça Aranha (1868-1931)
•        Canaã (romance, 1902)
•        A Estética da Vida (tese de explicação do modernismo, 1921)
Canaã foi o primeiro romance brasileiro sobre os imigrantes. O enredo dessa obra gira em torno da vida social de uma colónia alemã (pomerônios) na localidade de Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo. A ele chegam dois imigrantes, Milkau e Lentz, que simbolizam concepções opostas de existência. Naquele, a solidariedade universal fortemente carregada de cristianismo, e neste, a exaltação do mais forte, do imperialismo racista alemão. Para Milkau, o Brasil é Canaã, a terra prometida, onde a fusão de raças formaria uma humanidade renovada; para Lentz, o que interessava era a defesa da superioridade da raça alemã..