O que é Educação – Resumo do Livro


O processo de ensino e aprendizado é intrinsecamente humano. Por isso, pode ser observado mediante o estudo de qualquer sociedade, em qualquer época da história. A compreensão da natureza dessa troca de conhecimento é o ponto de partida de “O Que É Educação?”, de Carlos Rodriguez Brandão. Este artigo é um resumo do livro.

O que é Educação – Resumo do Livro

Apesar de o processo educacional estar na essência das sociedades, o autor demonstra as diferenças entre cada sistema. Não há uma forma única de educação, pois ela sempre varia em método e conteúdo. Além disso, a validade de um determinado conhecimento não tem o mesmo peso para todos os grupos humanos. Brandão cita o exemplo dos índios norte-americanos, cujos chefes se recusavam receber o ensino dos estados de Maryland e Virgínia, nos EUA.

Brandão ainda demonstra como a educação pode ser instrumentalizada para atingir objetivos políticos e ideológicos. Um grupo que tem domínio sobre o sistema de ensino pode impor em uma sociedade um tipo específico de educação, para poder controlá-la e utilizá-la de acordo com sua vontade. Nesse sentido, a educação moldada por esse grupo pode ser entendida como a verdadeira, mesmo se equivocada. Em seguida, uma parcela de indivíduos, tomada por “incivilizada”, passa a ser obrigada a absorver o conhecimento “verdadeiro”.

Continue lendo o resumo do livro “O Que é Educação”.

A natureza da Educação

A transmissão de conhecimento tem um aspecto abrangente, e que não se limita ao ensino convencional, aquele de dentro dos muros da escola. Isso porque os jovens aprendem também com outras instituições, com as relações na sociedade, com a comunicação da memória e da tradição e na observação de pessoas mais velhas. Aí há uma relação entre o que é aprendido pelo homem e o que é aprendido por animais. Mas, diferentemente deles, o homem, segundo Brandão, tem a capacidade de identificar o que é instintivo e articulá-lo com ajuda da sua racionalidade. Nos animais, o aprendizado está sempre relacionado à luta pela sobrevivência.

A respeito da necessidade de um ensino coletivo e compartilhado na sociedade, existem diferenças básicas em grupos diferentes. A educação é útil para integrar todos os indivíduos e colocá-los numa mesma direção. A necessidade disso é vista em povos que experimentam situações caóticas, em que os interesses dos grupos e os ensinamentos compartilhados diferem-se. A escola surge então num contexto em que o processo de ensino-aprendizagem precisa estar coerente com as necessidades da comunidade.

Depois do surgimento da escola, novas dúvidas surgem a respeito da teoria da educação. Os especialistas começaram a se questionar sobre o que ensinar, por que ensinar, para quem ensinar e como ensinar. Esses problemas moldaram o método, de forma que foram sendo criados níveis diferentes de ensino. Observou-se que mulheres, jovens, homens adultos, entre outros segmentos tinham formas diferentes de absorção. O objetivo da transmissão de conhecimento diferenciado a cada grupo era oferecer práticas de acordo com o papel desempenhado na sociedade.

No entanto, logo se notou que, embora fosse útil esse tipo de educação, era necessário manter o método tradicional de transmissão de conhecimento entre indivíduos. Ou seja, as pessoas ainda precisariam aprender com os mais velhos, com as instituições sociais, etc. Brandão, ao contrário de outros estudiosos, entende essa forma de aprendizado também como “educação”. A escola oferece, então, uma forma de ensinamento pensado, manejado para determinado fim. E como se deu o início do desenvolvimento escolar? Abordamos a seguir no resumo sobre o livro “O Que É Educação”.

Primórdios no Ocidente

A educação segmentada e instrumentalizada é observada nas primeiras sociedades ocidentais: Grécia e Roma. Os gregos tinham ensinamentos voltados a cada função. Os cidadãos aprendiam o que era fundamental para a formação física e intelectual. Já os indivíduos comuns aprendiam a fazer o trabalho pesado. As crianças aprendiam a escrever e a ler, os pobres, em seguida, tinham estudos voltados à agricultura e à indústria. Os ricos se voltavam para música, equitação, filosofia, caça e ao ginásio.

Na Grécia surgiu o papel do pedagogo, que acompanhava a vida estudantil dos jovens para a vida na pólis. Depois que surgiram os primeiros sofistas, qualquer indivíduo que pudesse pagar podia ter instrução intelectual.

Em Roma, o ensino diferia um pouco, pois era trabalho da família. A criança aprendia a valorizar todo tipo de conhecimento e a entender a importância dele na sociedade. Além disso, o conhecimento informal fora de casa também era importante para a vida em comunidade. Isso enriqueceu os primeiros clãs, de onde surgiram disparidades sociais. Uma nova educação, voltada para cada nível, deu início ao ensino que conhecemos hoje em dia.

Em nosso tempo, a educação ainda enfrenta muitas dificuldades, principalmente por causa da sua uniformização. Ao mesmo tempo em que há um método centralizado no Estado, existem grupos que possuem privilégios. Por causa disso, o desafio moderno é uma educação que seja livre e universal, que atenda aos desejos de toda a sociedade, e não apenas de um grupo. Esse é o fim do resumo do livro “O Que É Educação”.