Poesia no Brasil: Gregório de Matos


Poesia no Brasil

Mais de trezentos anos após a morte de Gregório de Matos, na cidade de Recife, em 1696, não se teve notícia de um artista que conseguisse unir crítica voraz, sarcasmo, ritmo e intensidade na mesma obra poética.

Nascido em Salvador, em 1633, é o primeiro grande poeta brasileiro. Mesmo tanto tempo depois, continua único. Sua obra reúne crítica à sociedade baiana da época, religião, erotismo e lirismo, mas, sem dúvida alguma, são seus poemas satíricos que o diferenciam.

Biografia

Nasceu em 23 de dezembro de 1636 em Salvador, filho de Gregório de Matos, um abastado nobre português e Maria da Guerra. Na Bahia, estudou no Colégio dos Jesuítas. Em 1691, graduou-se em Direito em Coimbra, Portugal.

Em Portugal, trabalhou como juiz, mas decidiu deixar o posto e retornar ao Brasil, onde exerceu as funções de vigário-geral e tesoureiro-mor, cargo do qual foi afastado porque se recusava a usar batina.

Sempre polêmico, alcunhado de “Boca do Inferno”, por causa de suas críticas ácidas, que não poupavam das camadas mais populares aos governantes e à igreja, acabou exilado em Angola pela Inquisição em 1694. De volta ao Brasil, faleceu em Recife em 1696.

A obra

Gregório de Matos escreveu mais de 700 poemas, mas os primeiros só foram publicados em 1850 pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto-Seguro. O livro “Florilégio da Poesia Brasileira” reuniu apenas alguns de seus poemas.

Gregório uniu o erudito e a linguagem popular em sua obra, abusando do jogo de palavras e da variedade de rimas, um traço da poesia barroca. Utilizando-se desses recursos, se orgulhava de retratar em seus poemas as torpezas, vícios e enganos do Brasil.

No movimento barroco, foi contemporâneo de Manuel Botelho de Oliveira, ator de “Música do Parnaso”. Antes de Gregório e Botelho, a poesia barroca teve Bento Teixeira (1561-1618) como seu representante. Teixeira é autor de “Prosopopéia” (1601).