Resumo Anão de Jardim


Esse é um resumo “Anão de Jardim”, de Lygia Fagundes Telles, publicado no livro “A noite escura e mais eu”, de 1995. A narrativa em primeira pessoa conta a crise pela qual passou um casal e os problemas de comunicação entre eles. A autora aborda problemas comuns no mundo moderno, como a falta de interação entre pessoas que deveriam ser próximas.

Resumo Anão de Jardim

No conto, que é narrado por um ser inanimado, os personagens possuem problemas que não podem ser resolvidos. O leitor acaba experimentando uma tensão narrativa, pois encontra, ao mesmo tempo, um caráter fantástico e um realismo frio. A história traz características marcantes de muitas narrativas do final do século XX e começo do XXI. Leia agora o resumo Anão de Jardim.

O conto

A história é narrada por um anão de jardim, que teve influência direta no conflito da narrativa. Feito de pedra, o anão se chama Kobold, e presencia a destruição da casa onde viveu durante muito tempo. Na sua companhia, só conta com um violoncelo quebrado. Eles terão o mesmo fim da casa e de tudo o que há nela.

Enquanto aguarda no caramanchão, o anão observa os operários trabalhando. Começa, então, a se lembrar de como foi sua vida até aquele momento. Ele nos conta que foi um professor que o comprou. Esse homem que o retirara de um antiquário tornou-se seu amigo, e ambos gostavam de conversar. O professor tinha uma esposa chamada Hortência, que era desprezada por seu marido. Ele passava muito mais tempo conversando com Kobold, deixando sua mulher solitária e isolada.

Instalado no caramanchão desde sua aquisição, Kobold passou a ser um grande companheiro do professor. Por isso, era o único que compreendia a estátua de pedra. Embora fossem muito próximos, às vezes o professor irritava seu amigo. O principal motivo era a sua ingenuidade. Enquanto ele dava atenção ao anão, sua esposa estava interessada em cuidar do patrimônio do esposo.

Com Hortênsia em profunda solidão, em breve aconteceria uma mudança na vida do casal. Eles viviam sob o mesmo tento, mas distantes, como se nem se conhecessem. Ainda que Kobold descrevesse seu dono como alguém ingênuo e até mesmo insensível, na crise do matrimônio ele tomou o lado do seu amigo.

Se sentindo desprezada, Hortência, primeiro, encontrou um amante. Em seguida, criou um plano para se livrar do marido, pois, assassinando-o, ela conseguiria ficar com toda a herança para desfrutar com o amante. Ela consegue colocar seu plano em prática, através de um envenenamento com arsênico, que mata seu marido aos poucos. Depois que o professor morre, ela vende a casa para outra pessoa e some. O novo dono decide que a residência será demolida.

Resumo Anão de Jardim: crítica

Lygia Fagundes Telles escreveu um conto que aborda as relações interpessoais da sociedade moderna. A história demonstra as eventuais crises pela qual a família atual passa. Durante séculos ela tem sido a “célula mater” da sociedade, isto é, a base para que se organize um conjunto de seres humanos vivendo pacificamente.

Um aspecto interessante da narração é que ela parte do ponto de vista de um anão de jardim, que é, evidentemente, um objeto inanimado. Através dele, a autora demonstra sua preocupação com o cinismo que há em relações hoje em dia. A falta de interação pode ser trágica para o ser humano, que precisa dos outros para viver saudável em sociedade.

A relação fria e impessoal do casal virou a causa da solidão e da infelicidade de Hortência. O próprio anão demonstra a pessoa que foi o professor, quando conta como desprezava sua esposa e dava preferência a uma estátua de pedra. De personalidade problemática, Hortênsia resolveu acabar com tudo de maneira brutal.

A morte do professor por arsênico, e de maneira lenta, demonstra a violência de uma pessoa que se sente abandonada. Nesse aspecto compreendemos a inteligência da escolha de um ser de pedra para narrar à história: ele é duro, frio e sem qualquer sentimento humano. E o anão de pedra, que não possui coração, passa a conviver com sentimentos intensos da vida humana.

O narrador inanimado trata de realidades sensíveis, como ódio, amor e traição. Disso nasce a sua incompreensão do gênero humano, por vezes demonstrada na irritação que sentia pela ingenuidade do seu dono.

O texto parece ser uma espécie de alerta sobre a comunicação humana. Aquilo que foi a base da nossa civilização está em crise em uma era de informação constante. As pessoas se comunicam com frequência utilizando meios, enquanto a comunicação interpessoal está sendo abandonada.

Isso é agravado em casos de pessoas que não se amam, mas que precisam fingir que tudo está bem. A falsa felicidade pode ser construída de várias formas, principalmente por meio do dinheiro. Mas valores verdadeiros e importantes, no entanto, são abandonados. Ao mentirem para si e para os outros, essas pessoas acabam vivendo uma vida sem sentido. Esse é o fim do resumo Anão de Jardim.