Resumo Pomba enamorada ou uma história de Amor


Escrito por Lygia Fagundes Telles, o conto “Pomba Enamorada ou Uma História de Amor” faz parte do livro “Seminário de Ratos”, de 1977. Mantendo o estilo da autora presente em diversos outros trabalhos, o conto foca em uma personagem feminina e explora seus desejos e anseios de forma intimista e ágil.

Resumo Pomba enamorada ou uma história de Amor

O conto

Para dar um resumo de “Pomba Enamorada”, é preciso começar apresentando seus personagens principais: a Pomba (ainda que esse não seja seu nome real), seu amor impossível Antenor e uma participação ativa de seu amigo Rôni.

A história começa quando Pomba, em um Baile de Primavera, é coroada princesa e vê pela primeira vez um homem por quem sente ter se apaixonado imediatamente. No salão, eles trocam poucas palavras, que ele termina com grosseria ao sair para fumar. Depois disso, ela não conseguiu mais encontrá-lo na festa, mas descobriu que seu nome era Antenor e que trabalhava, pelo menos por enquanto, na oficina de uma loja de acessórios. Desde o primeiro momento, Antenor demonstrou ser extremamente grosseiro, soltando palavrões a cada duas frases e não poupando os sentimentos de ninguém.

Aos poucos vamos descobrindo que a mulher apaixonada tem fortes crenças em superstições, ao passo em que seu primeiro assunto com Antenor havia sido sobre seu signo (de Capricórnio). Mais tarde, depois de visitar o pretendente em seu trabalho – o que não o deixou muito animado – e não receber qualquer ligação de volta, Pomba foi até a Igreja dos Enforcados acender sete velas e louvar Santo Antônio. Passou, então, a ligar repetidamente para Antenor, sem nunca juntar coragem de falar, até o dia que o horóscopo indicava ser bom para capricornianos.

Quando finalmente disse quem era e convidou Antenor para ver um filme, com ajuda de seu amigo e colega de trabalho Rôni para se acalmar, recebeu apenas silêncio. Rôni, então, pegou o telefone do salão onde trabalhavam e falou com Antenor ele mesmo. A resposta que recebeu era que parassem de ligar para a oficina, pois o patrão estava irritado, que não poderia namorar, pois já estava comprometido e, de forma cada vez mais agressiva, que se ele quisesse, ele mesmo iria telefonar.

Pomba não parou por aí. Ela passou a escrever cartas, totalizando quatorze, incluindo algumas de cunho erótico por influência de um livro recomendado por Rôni. Excluiu as eróticas na hora enviá-las, porém, e assinou-as como Pomba Enamorada. Não obteve resposta de nenhuma. Depois pediu para Rôni ligar para ele mais uma vez, sendo rejeitada novamente.

Após ver uma resolução amorosa em uma novela, Pomba se muniu de coragem para cercar Antenor na saída de seu trabalho, mesmo embaixo de uma chuva torrencial. Irritado, o homem a deixou ir para baixo do guarda-chuva e a guiou até o ponto de ônibus, sob protestos dela, que tentava convencê-lo de ir para um cinema. Sem ceder, Antenor implorou para que ela o deixasse em paz e a fez entrar em um ônibus.

Em seguida, ela acendeu mais 13 velas na igreja e até ameaçou uma pequena estatueta de Santo Antônio em sua casa. Continuou comprando presentes para Antenor e assinando como P.E., além de colocar oferendas em encruzilhadas e seguir dicas de Pais e Mães de Santo.

Ao fim do ano, Rôni deu-lhe a notícia do casamento de Antenor. Pomba ficou devastada a ponto de, no dia do casório, enviar um bilhete de felicidades para o casal e então tomar soda cáustica. Ela tratou das queimaduras no hospital, onde perdeu cinco quilos. Foi amparada por Rôni e por Gilvan, um chofer e amigo de Antenor com quem ela andara conseguindo informações há tempos.

Depois de recuperada, Pomba decidiu se casar com Gilvan. Em sua noite de núpcias, pensara em Antenor, e ao longo dos próximos anos continuou se inteirando sobre a vida do amado e enviando-lhe cartas periodicamente, como se fosse uma amiga de longa data. O conto encerra com uma visita de Pomba a uma cartomante, que diz que em seu futuro existiria um homem, cuja inicial era A e que chegaria em um ônibus na rodoviária no próximo domingo. Ainda que tenha tido que estava velha para acreditar nessas coisas, Pomba foi até a rodoviária.

Análise e autora

Ainda que o final do conto “Pomba Enamorada” deixe em aberto a possibilidade do retorno de Antenor, o leitor é levado a acreditar que, mais uma vez, a protagonista foi enganada por suas próprias superstições. A “história de amor” é contada em terceira pessoa, quase sem pausas, de forma fluída e com diálogos embutidos na narrativa. Lygia explora aqui o exagero do romantismo de uma mulher que consome exageradamente a ficção romântica (como em novelas) e a crendice, demonstrando como ela pode ir do racional até o insano por conta das emoções e, principalmente, da imaginação. É uma visão clara e até cômica de como o ato de idealizar o amor pode ser desastroso.

Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, no dia 19 de abril de 1923. Lançou em 1938 seu primeiro livro de contos e foi uma das autoras da terceira geração do Modernismo.