Romantismo – Castro Alves: Obras e Características


OBRAS PRINCIPAIS

Lira dos Vinte Anos: compõe-se de três partes (a 3a praticamente uma continuação da 1a), apresentando as duas faces de Álvares de Azevedo: o poeta piegas e meigo, cantor de virgens pálidas (1a e 3a partes) e o poeta macabro e sarcástico que ironicamente descreve objetos cotidianos (2a parte).
que se propusera, o poema Os Escravos, na verdade uma série de poesias em torno do tema da escravidão. Em 1870, numa das fazendas em que repousava, havia completado A Cascata de Paulo Afonso, publicado em 76 como A Cachoeira de Paulo Afonso, parte do empreendimento, como se vê pelo esclarecimento do poeta: Continuação do “Poema dos Escravos” sob o título de Manuscritos de Stênio.

Romantismo

Em nossos dias, o benemérito Afrânio Peixoto juntou-se aos outros versos do ciclo para compor o que resta do poema, assim como reuniu também as poesias líricas esparsas, sob o título que o poeta lhes destinava: Hinos do Equador. Principiada em vida, a popularidade de Castro Alves não decresceu, sucedendo-se as edições dos seus versos.

CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS

Condoreirismo: o condor é signo de liberdade. A poesia condoreira é a poesia libertária. Em Castro Alves, o anseio de liberdade faz de seu lirismo um canto humanitário, comprometido com o abolicionismo e com a causa republicana.

Sensualismo: num sentido amplo, dizemos que a poesia de Castro Alves é sensual porque os sentidos são valorizados na captação do real. Por isso sua poesia enfatiza tanto a natureza, compondo um lirismo plástico encantador. Num sentido restrito, dizemos que a sua lírica amorosa é sensual por que o amor físico satisfeito é tematizado com insistência e erotismo.

Verbalismo: a poesia de Castro Alves, mormente a social, incorpora a retórica, o tom discursivo e deblaterante. A torrente de palavras compõe um estilo grandiloqúente, que visa cativar o leitor ou ouvinte e convencê-lo da justiça da causa defendida.

Figuras

hipérbole: figura de exagero, bastante útil como recurso de oratória quando se quer impressionar ou chamar a atenção do público.
apóstrofe: figura de chamamento, equivale gramaticalmente ao vocativo. Recurso retórico que confere dramaticidade ao discurso. Em Castro Alves são apóstrofes grandiosas que invocam as forças da natureza ou a divindade para testemunharem as atrocidades praticadas sobre os oprimidos. A tia, o médico, enfim, o pessoal que agita (ou tem vontade de agitar) os salões, os saraus burgueses.

Essencialmente romântico, o autor de A Moreninha e de O Moço Loiro apresenta em sua obra todos os clichês deste movimento literário: o casamento como garantia social, a obrigatoriedade de dote, e os empecilhos amorosos, as coincidências impossíveis, as descrições idílicas da natureza e da infância, adolescentes que se apaixonam desenfreadamente e os esperados “happy-endings” (finais cor-de-rosa). Como se nota, o folhetim romântico apresenta uma série de características comuns à radionovela e à telenovela do nosso tempo:

o histórias longas, apresentadas ao público em capítulos;
a preocupação dos autores com o “gancho”, acontecimento em todo final de capítulo para manter interessado o leitor (e o ouvinte ou telespectador);
a interferência do público na história: os autores escrevem-na de acordo com as reações e os desejos do público;
a temática amorosa é o ponto mais importante na maioria das histórias. A dúvida do “quem fica com quem” prevalece nas novelas, como nos folhetins românticos;

Nas obras românticas, a mulher é, geralmente, dissociada em anjo ou demônio, resultante da ótica machista gerada pelos valores patriarcais da sociedade. Em A Moreninha, percebemos em Carolina o retrato da mulher-anjo, super estimada e idolatrada. Em contraposição, podemos encontrar personagens femininas sendo subestimadas, tratadas como decaídas; é o retrato da mulher-demônio, referido, por exemplo, por José de Alencar em Lucíola;

Para finalizar na Literatura Romântica Brasileira predomina o “happy-end”, com os personagens casando-se e sendo felizes para todo o sempre.