Segunda e Terceira geração do Romantismo – Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire e Castro Alves


Segunda e Terceira geração do Romantismo

O romantismo foi uma escola literária, mas também um movimento artístico dos mais importantes da história. Surgiu no século XVIII na Europa, mas só chegou ao Brasil no início do século XIX, trazendo três gerações com suas respectivas características e autores.

Suas bases eram o sentimentalismo em excesso, o romantismo no Brasil teve grande influência do momento histórico do país. A vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, a independência e as ideias abolicionistas foram marcantes para o movimento.

A segunda geração

Quando os autores românticos são comparados no início e no fim do movimento, é nítida as alterações sofridas ao longo do tempo. Para melhor compreender suas transformações, o romantismo brasileiro foi separado em três gerações:

– Primeira geração: indianista e nacionalista. Com profunda exaltação da natureza, elevação do índio como herói nacional e o sentimentalismo muito ligado a religiosidade.

– Segunda geração: “o mal do século”. Fase mais depressiva e exagerada, valorizando o negativismo, a boemia, a morte, a desilusão e o tédio.

– Terceira fase – condoreiros. O foco começa a se direcionar para o social e as grandes causas.

A segunda geração é a que mais se enquadra na definição do romantismo, também sendo conhecida como ultrarromântica. O nome de “mal do século” descrevia a depressão, doença hipervalorizada pelos poetas, que traçavam poesias onde descreviam a morte, as desavenças amorosas e o pessimismo.

Era o amor não correspondido ou a falta de iniciativa do apaixonado, que preferia amargurar a ideia da negatividade do romance. A vida boêmia e os prazeres noturnos também eram reverenciados. Os textos eram ainda mais subjetivos, melancólicos, egocêntricos e carregados de saudosismo.

Influenciado por Lord Byron, o poeta Álvares de Azevedo foi o marco para o início dessa fase. O escritor, dramaturgo, poeta e ensaísta morreu aos 20 anos e todas as suas obras foram publicações póstumas. Também é patrono da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras e teve em Machado de Assis um grande admirador.

Outra grande referência desta fase é Casimiro de Abreu. Autor de “Meus Oito Anos”, o filho de fazendeiros, que fez apenas o primário, viajou para Lisboa e teve contato com os intelectuais da época, quando começou a escrever. De volta ao Brasil, viveu na boêmia, foi amigo de Machado de Assis e patrono da cadeira seis da Academia Brasileira de Letras.

Um dos poetas mais populares do país morreu aos 21 anos de tuberculose, antes de sua obra ser realmente reconhecida e valorizada.

Diferente de Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, Junqueira Freire foi um monge. Nasceu em Salvador e depois de um tempo de clausura no mosteiro acabou pedindo a secularização, onde se afastou da ordem. Essa fase foi muito importante para criar seus poemas, baseados em sua vida no mosteiro, com todos os ingredientes dessa fase do romantismo. Também morreu jovem, aos 23 anos por problemas cardíacos.

Terceira geração

A geração condoreira foi um período considerado mais leve do romantismo, com muitos traços do Racionalismo. Marcada pela liberdade, o nome “condoreira” vem do Condor, ave muito comum na Cordilheira dos Andes.

O escritor francês Victor Hugo foi o inspirador dos autores brasileiros. O período tinha forte influência no nacionalismo, mas de uma forma diferenciada da primeira geração. Inclusive, com um foco principal aos negros presente no país e ainda escravos.

Na poesia romântica da terceira geração o erotismo e o pecado estão muito presentes, tal como a liberdade, as ideias abolicionistas e a dura realidade social. O autor mais marcante do período foi Castro Alves.

Baiano e filho de fazendeiro, Castro Alves começou a escrever aos 17 anos e seu carisma foi determinante para viver várias experiências que acabaram se transformando em belíssimos poemas líricos.

Seu poema mais conhecido é O Navio Negreiro, um marco do período. Castro Alves morreu aos 24 anos, com tuberculose e como consequência de um acidente que o levou a uma amputação no pé. Mesmo com pouca idade, teve uma obra vasta e é uma das grandes joias literárias do país.