Segunda e Terceira geração do Romantismo – Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire e Castro Alves


“Se Se Morre de Amor”
Esse poema teve Ana Amélia como inspiradora. Essa mulher foi a paixão da vida de Gonçalves Dias, que chegou a pedi-la em casamento, mas a família dela não o permitiu por ele ter sangue de negro e de índio. O poema foi escrito depois da recusa ao pedido de casamento e imediatamente após um serão, no Recife, em que senhoras da alta sociedade contestavam que o amor pudesse matar.

Segunda e Terceira geração do Romantismo

Álvares de Azevedo (1831-1852)
Paulistano de família rica, não sem formou Direito na Faculdade do Largo São Francisco. Bom estudante, considerado gênio por seus pares, teve vida boémia. Na poesia, teve influência do pessimista inglês Lord Byron. Morreu aos 21 anos.
Obras principais
•         Lira dos Vinte Anos – único livro de poemas de Álvares de Azevedo, cuja publicação foi organizada por ele próprio. É composto de três partes(a primeira continua na terceira) e revela as duas faces do poeta: meigo e piegas, cantor de virgens pálidas e inatingíveis; macabro e sarcástico.
•         Noite na Taverna – uma série de narrativas (emprosa), contadas por um grupo de amigos semi-bêbados em uma mesa de bar, sobre violação,incesto, antropofagia, adultério, necrofilia e traição. Nelas, o macabro e o fantástico se encontram.
•         Macário – peça teatral cujos personagens mais importantes são Macário (ateu, irreverente), Penseroso (sentimental, crente) e Satã. Ela resume o pensamento de Álvares de Azevedo (sonhador,macabro e irreverente) e critica a cidade de São Paulo, que o autor detestava.
Este poema faz parte de Lira dos Vinte Anos:

IDEIAS ÍNTIMAS (fragmento)
Carioca, boêmio, morreu de tuberculose aos 21 anos. Melancólico, é chamado de o poeta da saudade.
Obra principal
• Primaveras (1850) – poemas líricos com três temas básicos: o amor adolescente, a tristeza da vida e a saudade da infância e da pátria.

Fagundes Varela  (1841-1875)
Enquadra-se na segunda geração romântica por seu forte pessimismo, mas em sua poética existem ingredientes da poesia da natureza, predominante na primeira geração, e do condoreirismo, da terceira geração. Seu poema celebrizado é “Cântico do Calvário”, uma elegia ao filho morto.
Obras principais
•         Noturnas (1861)
•         Vozes da América (1864)
•         Anchieta ou o Evangelho nas Selvas (1875)
CÂNTICO DO CALVÁRIO (fragmento)
Soteropolitano, seus vinte e três anos de vida foram dolorosos e sombrios: aos dezenove anos, tornou-se frade beneditino e, aos vinte e dois, largou o hábito. Morreu de ataque cardíaco, em Salvador.
Obra principal
•     Inspirações do Claustro (1855)
A poética de Junqueira Freire é feita de pessimismo e de amargura profunda. Trata de desejos sexuais não realizados e da prisão da vida monástica. A introdução de Inspirações do Claustro mostra isso.
(1847-1871)
Nasceu em Curralinho, Bahia. Filho de médico, estudou no Recife, em Salvador e em São Paulo. Aos 16 anos, no Recife, já era poeta, ator, autor de peças teatrais e diretor de teatro e apaixonou-se pela atriz.
Terceira Geração do Romantismo
Entre as muitas mulheres inspiradoras da sua poesia sensual, Eugenia foi a principal. Morreu aos 24 anos vítima de várias doenças.
A poética de Castro Alves tem como símbolo o condor, ave de porte avantajado e de voos altos, daí o condoreirismo.
Nos poemas do poeta condoreiro baiano, o verso é ressonante, altissonante, cheio de metáforas, hipérboles e apóstrofes, feito para ser declamado, gritado. É uma poesia grandiloquente, constantemente voltada para as causas sociais e, principalmente, para a causa abolicionista.
A obra de Castro Alves pode ser dividida em lírica e social. Na lírica, ele somente cantou o corpo da mulher, o contato físico entre ela e o eu-lírico, ou seja, há nele uma sensualidade que não aparece nos outros poetas do Romantismo brasileiro. Na social, as ideias abolicionistas se destacam.
A seguir apresentam-se as principais obras de Castro Alves.
•        Espumas Flutuantes (1870) – poemas lírico-amo-rosos e de exaltação à natureza
•        A Cachoeira de Paulo Afonso (1875) – poemas que constituem uma sequência narrativa e contam uma tragédia amorosa entre os noivos negros Lucas e Maria. Há também belas descrições da natureza.
. • Os Escravos (1883) – poemas de cunho abolicionista. Destacam-se “Vozes d’África” e “O Navio Negreiro”, que em tom metafórico e hiperbólico descrevem o sofrimento dos escravos em um navio em alto-mar.
•    Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875) – peça teatral de quatro atos em que é evocada a Conjuração Mineira e o romance entre Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) e Maria Dorotéia Brandão(Marília).
“O Navio Negreiro”
O poema “O Navio Negreiro”, que tem o subtítulo de “Tragédia no Mar”, começa com uma longa e belíssima descrição do oceano.
As cenas que se sucedem são impressionantes: a violência opressiva dos traficantes; as apóstrofes (interpelações diretas a alguém) exasperadas do poeta, tanto a Deus quanto às forças mais grandiosas da natureza; o repúdio à bandeira nacional que cobre tanta iniquidade;