Simbolismo e Pré-Modernismo: traços estéticos e principais representantes


Origens do Simbolismo

•       França —> o termo Simbolismo, proposto por Jean Moréas, apareceu em manifesto publicado(18/8/1886) no jornal Lê Figaro.
•       Portugal —> publicação de O aristos (1890), de Eugênio de Castro.
•       Brasil —> publicação de Missal (poemas em prosa, 1893) e Broqueis (poemas em verso, 1893), de Cruz e Sousa.

Simbolismo e Pré-Modernismo

Representantes e principais obras:
•   França: Arthur Rimbaud (Uma estação no inferno,  1873;  Iluminações,   1886);  Paul Verlaine (Amor, 1888; Os poetas malditos, 1884); Stéphane Mallarmé (A tarde de um fauno, 1876; Um lance de dados jamais abolirá o acaso, 1897).
•       Estados Unidos: Edgar Allan Põe (poemas “O dormente”, 1843, e “O corvo”, 1845; elegias “Lenore”, 1831, e “Anna bel Lee”, 1849).
•       Portugal: Eugênio de Castro (Oaristos, 1890); Antônio Nobre  (Só,   1892);  Camilo Pessanha (Clepsidra, 1920).
•       Brasil: Cruz e Sousa (Missal, 1893; Broqueis,1893; Evocações, 1898; Faróis, 1900); Alphonsusde Guimaraens

Contexto e traços fundamentais

•       Decadentismo: período de crise, de depressão moral e social, vivido pela Europa (fim do século XIX) e desencadeado pelo belicismo, pela máquina e pela sociedade de massas. O mal-estar culminaria com a I Guerra Mundial.
•       Interesse por doutrinas esotéricas, pela participação em sociedades secretas, que valorizavam a percepção, por si mesma, como fonte dos mistérios da existência.
•       Busca dos narcotismos,  dos paraísos artificiais. O Simbolismo valoriza os “estados” afetivos de alma.
•       Sugestão, por meio de símbolos, da realidade transcendental, ou seja, aquela que fica acima ou além da nossa capacidade explicativa. A Beleza vem da vertigem, do delírio, da alucinação.
•       Individualismo profundo: tentativa de desvendar os meandros do inconsciente, por meio da sinestesia (= relação entre percepções de natureza diferente).
•       Fina inteligência estética, adequada ao culto da Beleza.
•       Gosto da paisagem esfumada e crepuscular, interesse pelo fugaz, pelas fluidas tonalidades do poema.

Principais poetas simbolistas: Portugal e Brasil

Camilo Pessanha (1867-1926)

•      Clepsidra: matrizes da poesia moderna portuguesa.
•      Toque oriental na sonoridade poética e na visão de mundo budista.
•      Visão evanescente da vida—> símbolos: tempo (efemeridade/morte) e água (mudança permanente).
•      Temática da renúncia —> pessimismo derrotista.

O Pré-modernismo: traços estético-ideológicos

Estudo das obras de Euclides da Cunha e Augusto dos Anjos

•       Pré-modernismo  -»  denominação  dada  ao complexo de fatos culturais brasileiros compreendidos entre o início do século XX até a Semana de Arte Moderna de 1922. O Pré-modernismo não é um estilo sistematizado, por não ter codificado uma estética particular.
•       Marcos iniciais: 1902 -> Os sertões, de Euclides da Cunha; Canaã, de Graça Aranha.

Traços fundamentais

•       Permanência do ideário cientificista do Realismo/Naturalismo:  Determinismo,  Positivismo, Evolucionismo, Socialismo. Sob o influxo dessas ideias, registra-se a pluralidade cultural do País,em espaços de acentuada disparidade social.
•       Poesia: com a gloriosa exceção de Augusto dos Anjos, os poetas têm orientação conservadora, insistem em motivos e formas parnasiano simbolistas.
•       Prosa: assume tom participante, renovador, marcadamente regionalista e antecipa temas consagrados pelo Modernismo de 1922 e de 1930.

Euclides da Cunha (1866-1909)

•       Os  sertões  (1902):  obra plural  —>  diálogo  entre gêneros: jornalismo, poesia, narrativa ficcional e ensaio   científico. Caso único  na  literatura  universal, essa obra promove uma crítica da cultura e delineia um vasto painel geopolítico do país.
•       A obra denuncia um crime da nacionalidade contra si mesma: choque entre “dois Brasis” – o oficiai versus o real. De um lado, o Exército, com os ideais positivistas e modernizantes, identificado com as elites “claras” do Brasil litorâneo; do outro, Antônio Conselheiro e os jagunços sertanejos de Canudos, apegados à religião e aos arcaísmos, vivem a utopia de uma sociedade igualitária, pré-socialista. Esquema determinista de Os sertões: levantamento de dados geográficos (“A terra”) e antropológicos (“O homem”) para explicar a explosão da guerra de Canudos (“A luta”).

Augusto dos Anjos (1884-1914)

Eu (1912): linguagem “suja” —> oralidade mesclada com vocabulário científico: revelação de angústia e pessimismo. Crueldade nos temas, variedade rítmica, rimas inusitadas e adjetivação inventiva. Visão escatológica: o universo se encaminha ao fim. A cada segundo perde sua energia, rumo à degradação total. “As palavras se desintegram na minha boca como cogumelos mofados”. Esta frase, do expressionista alemão Hugo von Hofmannsthal, poderia ser transferida a Augusto, para exprimir as visões de podridão, de que o brasileiro pretende se libertar, como forma de atingir uma elevação espiritual.

Lima Barreto (1881-1922)

Lima Barreto teve uma vida atribulada, com a loucura do pai e a própria dependência do álcool. Foi internado em hospício por duas vezes. Espantosamente lúcido, foi dos primeiros escritores brasileiros anarquistas. Com sua consciente marginalidade, de quem vive a contrapelo, contestou a construção de arranha-céus, a propriedade privada, a prática do futebol e até mesmo o feminismo, vistos como pontas-de-lança da penetração ideológica estrangeira.

•       Notabilizou-se pela sátira, de um realismo porvezes cruel, às feridas sociais e políticas da capital federal, criticando as elites plutocratas e aapática população dos subúrbios.

•       Triste fim de Policarpo Quaresma (1915): subsecretário do Arsenal de Guerra, Quaresma estuda a pátria, em todas as dimensões. Após trinta anos de meditação, torna-se um nacionalista eufórico, que pensa poder resolver os problemas brasileiros. Um fato fortuito, no entanto, interrompe seus devaneios: ao escrever um requerimento, sugerindo ao Congresso a adoção do tupi-guarani como língua nacional, é alvo da zombaria geral. É internado num hospício. Seis meses depois, é liberadoe muda-se para o interior, convencido de que nossa única saída é a agricultura. Quando uma peste dizima os animais e as saúvas destróem a colheita, entra em depressão. A Revolta da Armada (1893) leva-o para o Rio, onde se alista como voluntário do Exército, contra os “inimigos da pátria”. Com o fim da revolta, é feito carcereiro dos presos na Ilhadas Enxadas. Ao perceber que muitos “desapareciam”, decide protestar. É então preso na ilha das Cobras, e injustamente fuzilado. O romance é uma paródia do nacionalismo ufanista e da estreitezamental da classe média e das elites do País.

Destacam-se em suas obras Urupês (1918), Cidades mortas (1919) e Negrinha (1920), contos de um contador de estórias do campo e da província, de oralidade saborosa, que ele mistura com certo jargão ainda acadêmico. Critica o nacionalismo xenófobo, o cosmopolitismo das elites e o atraso dos caboclos brasileiros. Este último perfil se associa ao Jeca Tatu, de Urupês, símbolo do Brasil sem perspectivas. Foi admirável cronista da expansão, do apogeu e das crises do café, nos contos de Cidades mortas e Negrinha.

Foi prejudicado por haver escrito um artigo (“Paranóia ou mistificação”) criticando a pintura expressionista de Anita Malfatti. Ficou com a pecha de antimodernista, embora fosse convidado para a Semana de 22. (“Preferi ficar na minha honesta burrice”). E dá mais uma alfinetada: “Como preparo minha entrada nas hostes modernistas, estou fazendo uma aquarela para derrotar Picasso: uma mulher com cinco olhos, seis cristas, e um bico de galo.” Já editor, convidou Anita para desenhar a capa de O homem e a morte (1922), de Menotti dei Picchia. Di Cavalcanti igualmente produziu inúmeras capas e ilustrações para Lobato, que editou também Os condenados (1922), de Oswald de Andrade.