Simbolismo e Pré-Modernismo: traços estéticos e principais representantes


Simbolismo e Pré-Modernismo

O Simbolismo é um movimento literário de resgate do Romantismo, com traços mais modernos e que surgiu na Europa no final do século XIX. Foi posterior ao cientificismo, que valorizava os métodos científicos para justificar o saber e até mesmo o desenvolvimento da cultura. Para os simbolistas, os textos literários não poderiam se fundamentar apenas na razão, mas também em outros aspectos abstratos.

Já o pré-modernismo não abandona totalmente o realismo, mas não valoriza as teorias científicas, dando mais foco às realidades cotidianas marcantes da população como a pobreza. Ele é considerado como base do modernismo, como o ensaio do rompimento com as escolas europeias.

O simbolismo

Tanto o simbolismo quanto o pré-modernismo não são considerados escolas literárias, mas foram fundamentais para servir de conexão entre o realismo e o modernismo. Como ambos surgiram na mesma época e possuem perfis distintos, foram bases perfeitas para as ideias modernistas que visavam quebrar as regras de todas as escolas literárias e artísticas.

O contexto histórico que permitiu o surgimento do simbolismo vem do período da Revolução Industrial, que estimulou o surgimento de teorias científicas que deram forma ao Realismo. O Realismo era uma oposição ao Romantismo, com o direcionamento voltado para a objetividade, a realidade comprovada e até mesmo a frieza.

O Simbolismo surgiu na França como contraste ao Realismo, Positivismo e Naturalismo. Foi abundantemente inspirado pelos conceitos Românticos, mas com foco nos estudos do inconsciente com temas como o misticismo, sobrenatural, a sinestesia e uma linha mais onírica de pensamento.

O maior representante desse movimento foi Charles Baudelaire em sua obra “As Flores do Mal”, que sugeria mais do que dizia abertamente e mantinha uma grande preocupação com a forma, de tal modo que a poesia fosse semelhante a uma música.

No Brasil foi Cruz e Sousa o principal representante no campo da poesia, como “Missal” e “Broquéis”. Há algumas obras simbolistas de Augusto dos Anjos, Alphonsus de Guimarães e Manuel Bandeira.

O pré-modernismo

O movimento surgiu quando alguns escritores começaram a se unir, tendo em comum a dissonância com as outras estéticas literárias e artísticas existentes. Diferente do Simbolismo, o Pré-Modernismo não se opunha totalmente à escola Realista, já que os avanços científicos e tecnológicos eram estimulantes aos artistas a criar suas obras.

Enquanto na Europa a 1ª Guerra Mundial se estabelecia, no Brasil a economia dos latifundiários do “café-com-leite” comandavam o país. Revoltas começaram a surgir contra a classe dominante, como a descrita pelo pré-modernista Euclides da Cunha sobre a Revolta de Canudos em “Os Sertões”.

Sob esse quadro histórico, o pré-modernismo procurava os temas mais concretos e reais, mas sem se apoiar em dados concretos e teorias científicas. Ele também era uma ruptura do sistema artístico como se apresentava até aquele momento, que pouco se compreendia pela maioria. Ele expunha os personagens tal como eram de fato, mesmo marginalizados e ignorados no dia a dia, assim como incluía fatos históricos, sociais, políticos e econômicos para narrar suas histórias.

Além de Euclides da Cunha se destacam Monteiro Lobato, Augusto dos Anjos, João do Rio, Graça Aranha e Lima Barreto.