Complemento Verbal


Na língua portuguesa, nem sempre uma frase consegue fazer sentido sem o auxílio de advérbios, adjetivos e substantivos após o verbo. E o complemento verbal tem exatamente essa função: de dar prosseguimento à ideia ou sentimento de um verbo transitivo direto ou indireto.

Complemento Verbal

Ligado com ou sem o auxílio de uma preposição, o complemento verbal é dividido em objeto direito e objeto indireto, que representam o resultado do fato verbal.

Objeto Direto

O objeto direto é o complemento de verbos transitivos diretos. Não utiliza preposição e indica o sujeito que recebe a ação.

Exemplo:

Carolina vende doces.
Pergunta: Carolina vende o que?
Resposta: Doces – o objeto direto

Além do verbo transitivo direto, o objeto direto tem como núcleo substantivos, palavras com função de substantivo e pronomes pessoais oblíquos.

Exemplos:

A menina trouxe água. – Objeto direto: água / Núcleo: água

O motorista ofendeu o guarda. – Objeto direto: guarda / Núcleo: guarda

Alguém conhece a nova vizinha? – Objeto direto: nova vizinha / Núcleo: nova vizinha

Alguém a conhece? – Objeto direto: a (pronome oblíquo) / Núcleo: a

Embora já se saiba que o objeto direto é o que faz a complementação verbal sem preposição, as únicas exceções são aquelas frases que, mesmo fazendo sentido como está sendo dita, usam a preposição para dar ênfase e também evitar ambiguidades. São utilizadas em verbos que denotem sentimentos.

Exemplo:

Eu desejo esta mulher.

Nós amamos a Deus.

Outros exemplos para fixação da compreensão do objeto direto:

Eu quero uma casa. – Eu quero o quê? Uma casa

O agricultor cultiva a terra – O agricultor cultiva o quê? A terra

Objeto Indireto

O objeto indireto é um termo que faz a ligação do verbo intransitivo através do uso de uma preposição. Ou seja, a ligação entre o verbo e sua complementação é feita através de uma preposição.

Exemplo para compreensão:

Nós confiamos em você.
Pergunta: Nós confiamos em quem?
Resposta: Em você – o objeto indireto

Uma forma de identificar a utilização do objeto indireto é quando não se usa “o quê” para perguntar a complementação verbal. Em geral, a pergunta se define como “a quem” e “de que”.

Exemplos:

Não desobedeço a meus pais. – Objeto indireto: meus pais / Núcleo: meus pais

Preciso de auxílio. – Objeto indireto: auxílio / Núcleo: auxílio.

O objeto indireto também pode ser usado com a ajuda de pronomes, como lhe, lhes, me, te, se, nos e vos.

Exemplo:

Enviei-lhe um recado. – Objeto indireto: recado / Núcleo: recado

O objeto indireto pode ser iniciado com uma crase e acontece quando o verbo exige a preposição “a”, que contrai a palavra seguinte.

Exemplo:

Entregamos à criança o brinquedo. = sendo “a” preposição “a” artigo definido = à

Há ainda o objeto indireto reflexivo, que indica a reflexão da ação pelo sujeito.

Exemplo:

A dona da loja deu-se o prazer de uma roupa.

Outros exemplos de fixação de todas as variações do objeto indireto:

Ricardo obedeceu aos professores – Ricardo obedeceu a quem? Aos professores

Maria tem medo de fantasmas – Maria tem medo de que? De fantasmas

A empresa enviou brindes aos empregados / A empresa enviou-lhes brindes.

Aspirava ao cargo de gerente.

Observações Gerais para Objeto Direto e Indireto

Pode ocorrer o objeto direto ou indireto pleonástico, que usa o pronome pessoal para dar ênfase ao sujeito.

Exemplo:

A todos vocês, eu já lhes ofereci ajuda. – Objeto indireto

As crianças, eu as vi no parquinho. – Objeto direto

É sempre objeto direto o uso dos pronomes oblíquos o, a, os, as e suas variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas.

Exemplo:

Eu o encontrei no porão.

É sempre objeto indireto o uso dos pronomes lhe e lhes.

Exemplo:

Eu lhe enviarei a carta.

No caso dos pronomes oblíquos me, te, se, nos e vos, eles podem ser usados nos objetos direto ou indireto. Para identificar qual sua função sintática, basta substituí-lo por um substantivo e verificar se é necessário o uso da preposição ou não.

Exemplo:

Cristina me viu no shopping. – Objeto direto

Nesse exemplo foi substituído o pronome pelo substantivo, “Cristina viu a amiga no shopping”. Como não há preposição, é objeto direto.

Exemplo:

Fernando me ligou – Objeto indireto

Já nesse outro exemplo, o pronome foi substituído por um substantivo de associação como “Fernando ligou para mim” e como a preposição foi usada, ele é objeto indireto.

– O predicativo do sujeito não é considerado complemento verbal e vem seguido de um verbo de ligação. É semelhante aos objetos diretos e indiretos, por darem sentido ao verbo.

Exemplo:

A menina está apaixonada. – O apaixonada é um predicativo do sujeito, porque dá a ele uma caracterização, vindo em seguida de um verbo de ligação.

A melhor forma de identificar quando há um predicativo, um objeto direto e um indireto é a identificação dos verbos. Verbos de ligação são predicativos, transitivos diretos são objeto direto e transitivos indiretos são objetos indiretos.

– Existe casos em que o verbo exige mais que um complemento e usa tanto do objeto direto quanto indireto. Nesses casos, o verbo é transitivo direto e indireto ao mesmo tempo.

Exemplo:

Damos gorjeta ao garçom – Quem dá, dá algo a alguém, o que define que a gorjeta é um objeto direto e o garçom objeto indireto.