Concordância Verbal: Casos com Sujeito Simples, Composto; Concordância com o Predicativo e Verbos Impessoais


Concordância verbal

O verbo concorda com o núcleo do sujeito em pes­soa e número. Observe que, na fala expressa no segundo balão, o verbo (precisa) concordou com o núcleo do sujeito -maioria – que embora seja uma expressão coletiva, está no singular. Nem sempre há uma norma definida em relação à concordância verbal. Os escritores apresentam soluções divergentes para um mesmo caso e os casos especiais, muitas vezes, são definidos por questões de estilo.

Concordância Verbal

Casos especiais com sujeito simples
•     Quando o sujeito simples é um substantivo coletivo, o verbo deve ficar no singular. A multidão reuniu-se na praia para a festa de fim de ano. O elenco recebeu os cumprimentos ainda no palco. Quando o coletivo é seguido de uma palavra que especifica os elementos que o compõem, a concor­dância se dá de acordo com a ênfase pretendida. Um grupo de empresários entrou na sala de reuniões. (Enfatiza-se a ideia de grupo.) Um grupo de empresários entraram na sala de reuniões. (Enfatiza-se a ação de cada membro do grupo).
•    Quando o sujeito indica quantidade aproximada, o verbo vai para o plural. Quase cem alunos participaram do vestibular si­mulado.
•    Se o sujeito indicar parte de um todo, o verbo pode ir para o plural ou para o singular, de acordo com o que se quiser enfatizar. A maior parte dos candidatos foi aprovada. (Ênfa­se na noção do todo) A maior parte dos candidatos foram aprovados. (Ênfase na ação de cada membro do todo.)
•    Quando o sujeito é o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente. Esses são os parentes que nos visitaram nas férias.
•    Quando o sujeito é constituído pela expressão mais de um, o verbo fica no singular. Mais de um aluno protestou contra as novas regras do vestibular.
•    Quando o sujeito é constituído de nomes de lu­gar ou títulos de obras que se apresentam no plu­ral, o verbo fica no singular. Caso os nomes ve­nham acompanhados de artigo no plural, o ver­ bo também vai para o plural.

Casos especiais com sujeito composto

•    Quando o sujeito composto é anteposto ao ver­bo, a concordância se faz no plural. Pai e filho conversaram longamente sobre suas di­ferenças.
•    Quando o sujeito composto vem posposto ao ver­bo, existem duas possibilidades de se fazer a con­cordância: o verbo concorda no plural com todo o sujeito ou no singular com o núcleo do sujeito mais próximo. Faltaram persistência e competência. Faltou persistência e competência. Pouco falaram o secretário e os assistentes. Pouco falou o secretário e os assistentes. Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor­dância é feita obrigatoriamente no plural. Abraçaram-se o jogador e o técnico do time. Na discussão, ofenderam-se mãe e filho.
•     Se a ideia expressa pelo verbo só pode ser atri­buída a um dos núcleos do sujeito, a concordân­cia se faz no singular. O meu sucesso ou fracasso depende unicamente da minha dedicação. É formada por um verbo transitivo direto (VTD) na terceira pessoa (singular ou plural) acompanhado do pro­nome apassivador se.
Consertam-se aparelhos de som.
VTD      PA     sujeito (terceira pessoa)
Aluga-se apartamento na praia.
VTD      PA     sujeito (terceira pessoa)

Não confunda orações na voz passiva sintética com orações que apresentam sujeito indeterminado. Precisa-se de costureiras para turno de oito horas.Nessa construção o se é índice de indeterminação do sujeito; o verbo não é transitivo direto nem tran­sitivo direto e indireto e aparece sempre na terceira pessoa do singular.

Verbos impessoais

Verbos que não têm sujeito (impessoais) aparecem sempre na terceira pessoa do singular. Os verbos que indicam fenômenos da natureza também se enquadram nessa categoria. Choveu muito ontem à noite. O verbo haver no sentido de existir é impessoal, por­tanto só pode ser usado na terceira pessoa do singular. Houve tantos problemas que o contrato foi cance­lado. Havia muitos alunos fora da sala quando o profes­sor chegou.

Os verbos haver e fazer indicando tempo decorrido são impessoais, portanto só podem ser usados na ter­ceira pessoa do singular. Faz dez anos que estudo nesta escola. Há dez anos estudo nesta escola. Na maioria das vezes, a concordância do verbo ser é optativa: pode ser feita com o sujeito ou com o predicati­vo, dependendo apenas de qual termo se quer enfatizar.

Concordância com o predicativo

•     Quando o sujeito é um dos pronomes isso, isto, aquilo, o, tudo. Em orações impessoais, indicando distância ou tempo. São dez horas da manhã.
Daqui a São Paulo são 400 quilômetros. Quando o sujeito for um substantivo comum sin­gular e o predicativo estiver no plural.
Sua roupa eram retalhos de tecidos coloridos.

Atenção!
Nas referências a horas, quando o verbo ser é acompanhado de locuções como perto de, mais de, cerca de, ele pode ficar no singular ou no plural.
Era perto de dez horas quando saí do colégio. Eram perto de dez horas quando saí do co­légio. Nas referências a datas, o verbo ser admite a concordância com a palavra dia, que está implíci­ta, ficando no singular. Hoje é dez de abril.