Estudo sobre a Descrição em conjunto com Narração, Dissertação e Gráficos e Tabelas


Descrição
O ato de descrever consiste em compor um retrato verbal. Traduzir em palavras os traços do objeto descrito. Basicamente, revela os aspectos visuais, mas, depen­dendo dos propósitos do enunciador, tato, audição, pala­dar e olfato também podem estar envolvidos. A descrição é a terceira modalidade básica de texto. As duas outras são narração e dissertação, que estu­damos na aula 01. Vimos que a primeira opera com o mundo relatado e a segunda, com o mundo comentado. Aquela se utiliza de imagens concretas e esta, de ideias abstratas.

Estudo sobre a Descrição em conjunto com Narração

A descrição também se vale, principalmente, de imagens, como a narração, mas, diferentemente, registra um momento congelado no tempo. A nar­ração, por seu turno, relata uma progressão cronológica de ações. Na descrição não há anterioridade ou posterioridade, mas simultaneidade entre os objetos des­critos.

Note que, depois da fachada, tanto faz começar a descrição do in­terior da igreja pela sacristia, pelas pinturas do forro, pela nave central ou pelos painéis portugueses. A or­dem dos enunciados é regida pelo espaço, mas não pelo tempo. Não existe anterioridade e posteriorida-de. A marca da descrição é a simul­taneidade.

Descrição e Narração

A descrição pode funcionar como linha auxiliar da narração, tanto na caracterização dos personagens como na descrição do cenário. Os dois parágrafos descritivos do romance O Xangô de Baker Street, de Jô Soares, por nós estudados na aula passada, evidenciam isso. O primeiro parágrafo assume o ponto de vista do navio, onde estão os personagens Sherlock Holmes e Doutor Watson, e revela o panorama da Baía de Guanabara em fins do século XIX. O segundo parágrafo, que ocorre simultaneamente ao pri­meiro, adota o ponto de vista da praia e focaliza os dois personagens, inclusive com detalhes de vestuário.

Importante frisar que os trechos descritivos muitas vezes podem fornecer importantes indícios sobre a trajetória da narrativa. Determinados traços de um persona­gem podem prenunciar o papel que ele assumirá no enredo. Da mesma forma, a descrição de um cenário pode auxiliar a criar uma atmosfera que compõe as ações que ali se desenrolarão.

Descrição e Dissertação

Se bem que em grau menor, a descrição também pode participar de textos argumentativos. Textos jornalísticos, científicos, técnicos ou tecnoló­gicos, por exemplo, podem descrever aparelhos, espé­cies animais, experimentos, procedimentos ou outros objetos semelhantes. Nesses casos, a descrição visa a ser neutra, objetiva, não opinativa nem subjetiva.

Por outro lado, em textos mais argumentativos, como os publicitários ou políticos, a descrição visa não a trans­mitir uma ideia neutra do objeto descrito, mas a influen­ciar a visão que o leitor terá desse objeto. Assim, pontos positivos ou negativos são destacados ou minimizados conforme a intenção do enunciador.

Descrição de Gráficos e Tabelas

O texto dissertativo pode muitas vezes apresentar gráficos, quadros e tabelas, eventualmente descritos e comentados. Vejamos um exemplo. Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, no texto Os recursos para a saúde, António Ermírio de Moraes apresenta a seguinte tabela: