Modo Imperativo, Conjugação, Formação e Exceções


Modo Imperativo

Os verbos grifados no enunciado estão no modo im­perativo. Eles expressam a orientação da pessoa que fala (o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão) para que os personagens Blimunda e Baltasar “venham”, “le­vantem’^ “não tenham medo”.

A Conjugação no Modo Imperativo

Modo Imperativo

Por ser a expressão de um apelo, o modo imperativo não apresenta conjugação na 1 pessoa do singular (eu). De fato, uma pessoa não pode dar uma ordem ou fazer um pedido a si mesma. No máximo pode, em certas oca­siões, simular que fala consigo mesma, tratando-se como uma outra pessoa. Assim, o modo imperativo não apresenta a forma eivem sua conjugação. Existe, entre­tanto, a forma nós, 1? pessoa do plural.

Igualmente, só podemos dar uma ordem ou fazer um pedido para uma pessoa com quem estejamos em contato. É claro que não há necessidade de ser um contato visual. Podemos dar ordens por carta ou por telefone, por exemplo. Mas sempre há necessidade do contato. Por isso, também não existe a forma ele ou eles na conjugação do imperativo.

Importante notar, porém, que existe a 3? pessoa no imperativo. Ela é empregada quando utilizamos prono­mes de tratamento, como você, o senhor, etc. Assim, a forma do verbo no modo imperativo varia conforme o tra­tamento seja tu, vós ou um pronome de tratamento. O modo imperativo apresenta duas formas: a afirma­tiva, que expressa ordem ou pedido para fazer algo, e a negativa, que expressa ordem ou pedido para não fazer algo. A conjugação é diferente em cada caso.

O Modo Imperativo

O modo imperativo é empregado para expressar uma ordem, um pedido, uma súplica ou algo semelhan­te. É o que ocorre na frase seguinte:
(1) – Blimunda, Baltasar, venham ver, levantem-se daí, não tenham medo. (José Saramago)

A Formação do Imperativo

O modo imperativo é formado tomando por base o presente do indicativo e o presente do subjuntivo. O imperativo negativo sai todo ele do presente do subjuntivo. São formas idênticas. Já o imperativo afirmativo é híbrido (= “misturado”). A 1a pessoa do plural e a 3a pessoa, tanto do singular quanto do plural, vêm das respectivas pessoas do pre­sente do subjuntivo. A 2a pessoa, singular e plural, vem da 2a pessoa, singular e plural, do presente do indicati­vo, retirando-se a terminação dessas últimas.

Esse princípio funciona para a quase totalidade dos verbos. Há, porém, duas notáveis exceções.

1. O verbo ser faz irregularmente a segunda pessoa do singular e a do plural do imperativo afirmativo. As demais formas são regulares. A conjugação
se dá, então, do seguinte modo: sê tu seja você sejamos nós sede vós sejam vocês.
2. Os verbos fazer, dizer e irás aceitam, além da forma regular, uma forma irregular para a segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo. As­sim são corretas as formas fazer, dizer , mas também faz, diz e irás (tu). As demais formas são regulares. A conjugação desses verbos no
imperativo afirmativo fica, então, do seguinte modo:

O Imperativo no Português Coloquial Brasileiro

No português do Brasil, como sabemos, a forma de tratamento tu é menos usada que o tratamento você. Entretanto, formas da 2a pes­soa do singular continuam com boa vitalidade, especialmente certas for­mas pronominais, como os posses­sivos (teu, tua, teus, tuas) e o oblíquo te. Também as formas verbais im­perativas muitas vezes conservam, na fala coloquial, o tratamento de 2a pessoa do singular.

Uma conhecida propaganda da Caixa Econômica Federal tinha como lema a frase convidativa Vem pra Caixa você também. Da maneira como é dita, a frase apresenta falta de uniformidade de tratamento (o que constitui desvio em relação à norma culta). A forma verbal vem corresponde ao imperativo afirmati­vo de 2a pessoa do singular. Para que houvesse uniformidade, o enun­ciado teria de ser Vem pra Caixa tu também ou Venha pra Caixa você também.