Tempo Passado e Tempo Futuro; Passado Perfeito e Imperfeito


Passado e Futuro

O tempo passado é o objeto da história, ou da narrativa, e da Histó­ria como forma de narrativa verda­deira ou científica. A percepção, a memória, a descoberta do tempo passado fazem parte da experiência humana. A importância da consciên­cia do tempo passado é enorme para todas as sociedades. Todas contam sua história, justificam seus atos, exigem esforços, fazem honras e calúnias em nome de fatos ocorridos no passado, recente ou remoto.
A linguagem humana expressa essa consciência do passado por meio de textos narrativos. Esses tex­tos são imediatamente percebidos pela presença de ações e de perso­nagens.

Tempo Passado e Tempo Futuro

Os personagens podem ser en­tendidos – ainda que meio grosseira­mente – como imitações de seres humanos. Mesmo quando são for­malmente representados como objetos ou animais, eles são objetos e animais humanizados, que repre­sentam homens e não objetos ou animais. A caracterização das ações é um pouco menos evidente. Ações envolvem ao menos um persona­gem em relação a qualquer outra coisa. Uma ação se caracteriza quando esta relação sofre qualquer espécie de transformação.

A representação do tempo é ine­rente à própria representação das ações, pois qualquer transformação leva um tempo para ocorrer. Esse tempo, em princípio, é o tempo pas­sado. três do modo indicativo (perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito) e um do subjuntivo (imperfeito).
A seguir você tem três tabelas, com a apresentação de três verbos regu­lares, um de cada conjugação, nos quatro tempos verbais do passado.

Há quatro tempos verbais sim­ples que expressam o passado. São chamamos a atenção para alguns pormenores da conjugação dos tem­pos do pretérito.
1. Note que  há algumas formas coincidentes. São elas:
a)     1a e 3a pessoas do singular do imperfeito (amava, batia, partia).
b)    1a e 3a pessoas do singular do mais-que-perfeito (amara, batera, partira).
c)     3a pessoa do plural do perfei­to   e   do   mais-que-perfeito. Essa é a coincidência mais importante. As formas ama­ram, bateram e partiram tanto podem ser do perfeito como do mais-que-perfeito do indi­cativo.
d)    A1a pessoa do plural do per­feito, nos verbos regulares, é igual à1a pessoa do plural do presente do indicativo. Assim, as formas amamos, batemos e partimos tanto podem estar no presente como no perfeito do indicativo.

2. A segunda pessoa do singular (tu) termina sempre em s, com exceção da 2a pessoa do singular do perfeito. O perfeito é o único tem­po de todo sistema verbal que marca a distinção tu e vós por pre­sença ou ausência de s. Assim, as formas amastes, batestes e par­tistes estão no plural, e não no sin­gular.

Termo perfeito significa, ao pé da letra, totalmente feito, isto é, acabado; em oposição, o termo imperfeito significa não totalmente feito, isto é, inacabado (o prefixo latino per- significa totalmente, completamente; o radical feito é o particípio do verbo fazer). Assim, usamos o pretérito perfeito para ações já acabadas no tempo pas­sado a que nos referimos e o pretérito imperfeito para ações não concluídas neste mesmo tempo passado. Observe, a propósito, o seguinte enunciado, que apresenta duas formas verbais, uma no perfeito, outra no imperfeito. (1) Eu estudava quando ele chegou.

imperfeito / perfeito

Essa frase expressa a ideia de que, no momento passado a que o enun­ciado se refere, a ação de estudar ainda não havia terminado quando ocor­reu a ação de chegar. Esta, por sua vez, já era terminada no mesmo momento passado. Além da oposição “acabado/inacabado”, a diferença entre perfeito e im­perfeito aponta para outra oposição, mais diretamente relacionada ao con­ceito de duração da ideia verbal. O tempo perfeito expressa algo de duração desprezível, isto é, um fato instantâneo, momentâneo. Por outro lado, o im­perfeito expressa algo duradouro, continuado. Observe, a esse respeito, o seguinte diálogo:
(2) – Você ajudava seu tio a fazer entregas com a perua?
– Não, só o ajudei uma única vez.

Neste diálogo, a primeira frase apresenta uma pergunta. A segunda sen­tença é uma resposta negativa. Entretanto, a pessoa afirma que “uma única vez” trabalhou com seu tio. A negativa não é exatamente quanto a ter ou não ajudado o tio a trabalhar, mas sobre a constância da ajuda. O termo “ajuda­va”, no pretérito imperfeito do indicativo, transmite a ideia de um fato repeti­do, que teve certa duração no passado. Já o termo “ajudei”, no pretérito perfeito do indicativo, transmite a ideia de um fato de duração desprezível, algo que não foi repetido.