Expressões Parônimas, Conotativo e Denotativo


Além das dificuldades em relação à grafia e ao em­prego das palavras, há na língua portuguesa expressões que, usadas indiscriminadamente na oralidade, podem causar equívocos interpretativos na escrita. Vale lembrar que o texto escrito geralmente está distante de seu autor e, portanto, deve ser entendido pelo conteúdo que trans­mite, sem a “ajuda” de uma explicação externa.

Observe estes exemplos presentes em nossa literatu­ra: Delporto e Pompeo foram varridos pela fe­bre amarela e três outros italianos estiveram em risco de vida. O exemplo é um trecho do romance O cortiço, de Aluísio de Azevedo. A intenção do autor certamente era a de informar que os outros três italianos também pode­riam morrer, no entanto, o uso da expressão “risco de vida”, ao pé-da-letra, significa que os indivíduos poderiam viver por um tempo maior. Trata-se de uma expressão comum na oralidade para designar a iminência da morte.

Expressões Parônimas

O mesmo fez José de Alencar, como podemos observar neste trecho de O Guarani:Não há dúvida, disse D. António de Mariz, na sua cega dedicação por Cecília quis fazer-lhe a vontade com risco de vida. Fato é que, neste caso, o tal uso indiscriminado pra­ticamente virou regra, como atesta o seguinte artigo:

Ele morreu porque não tinha medo do peri­go, (causa) porquê: equivale a motivo, razão, funciona sintaticamente como substantivo, e é precedi­do de determinante (artigo, numeral ou pro­nome). Exemplos: Gostaria de saber o porquê de sua tristeza. Diga-me o porquê de tanta tristeza.
Entretanto, há expressões que precisam de delimita­ção quanto à utilização e se deve ter cuidado sobretudo ao escrevê-las. Observe os quadros que seguem.

•    acerca de – sobre, a respeito de. Exemplo: Preciso falar com você acerca de um problema que me aflige.
•    cerca de — aproximadamente Exemplo: Cerca de 3 300 soldados morreram durante o conflito.
•    há cerca de – faz aproximadamente, tempo passado. Exemplo: Eles estão aqui há cerca de três anos.
•    a cerca de – distância aproximada adiante ou aproximação no tempo futuro. Exemplos: Eles estão a cerca de dois quiló­metros da chegada. O cientista americano L. A. Wilson afirma que a Lua deverá desapare­cer daqui a cerca de cinco bilhões de anos.

por que – equivale a por que motivo, por qual, em início ou meio de frase. Exemplos: Por que está triste? Não sei por que está triste. por quê – equivale a por que motivo, por qual, em final de frase. Exemplos: Você está triste por quê? Você está triste não sei por quê.
porque: introduz uma resposta, expressa no­ção de causa ou explicação. Exemplos: Estou triste porque o mundo é vio­lento, (explicação)

•      afim – equivale a semelhante ou parente por afinidade. Exemplo: Brasil e Argentina têm interesses afins.
•      a fim de – locução prepositiva que indica no­ção de finalidade. Exemplo: Ela estuda a fim de passar no ves­tibular.
•      senão – equivale a “caso contrário”, “a não ser”. Exemplo: Nada queria senão passar no vesti­bular.
•      se não – equivale a caso não, expressando condição. Exemplo: Se não estudar, não passará.
•      ao encontro de – equivale a ser favorável a, aproximar-se de. Exemplo: Eu vou ao encontro de seus prin­cípios. Gosto mesmo deles.
•      de encontro a – equivale a ser contrário a, opor-se, colidir. Exemplo: Eu vou de encontro aos seus prin­cípios, pois não concordo com eles.

Denotação e conotação

Dependendo do contexto em que estão inseridas, as palavras podem assumir diferentes sentidos. Isto depen­de da intenção do autor, do tipo de texto e até mesmo do veículo de informação. Existe portanto uma diferencia­ção entre o que se chama de sentido conotativo e de sentido denotativo.