Figuras de Linguagem: Metáfora, Elipse, Pleonasmo, Antítese, Metonímia


Um escritor pode se utilizar de estratégias textuais a fim de criar algum efeito para auxiliar, ou não, a inter­pretação por parte do leitor. Tais estratégias podem estar relacionadas a aspectos se­mânticos, sintáticos ou fonológicos das palavras do texto e são denomi­nadas de figuras de lin­guagem (palavras e cons­trução). Observe o texto abaixo, um poema-canção de Caetano Veloso.

Figuras de Linguagem

Pode-se entender a letra musical como sendo um apelo do artista contra a norte-americanização do povo latino; algo como um irônico grito de discordância com o modelo capitalista que o povo brasileiro estava preten­dendo seguir. Caetano cria um exemplo de super-herói nacional pobre (nada no bolso ou nas mãos), que vive num espaço que funciona como síntese dessa influência (Copacabana), o qual resgata a simbologia e a visão de mundo e poder passada nos anos de regime militar: o avanço econômico, poder atômico, parque eletrônico, avião supersônico, etc.

Metáfora

É a figura empregada quando o sentido denotativo (próprio de dicionário) é substituído pelo sentido figura­do, conferindo novo significado à palavra ou expressão em um contexto determinado.

Elipse

É a omissão de uma expressão ou palavra que se subentende facilmente. “Ela tornou-se famosa como poucos (se tornaram fa­mosos)”.

Pleonasmo
É o uso de expressões repetidas com o objetivo de enfatizar o pensamento. “Vejo os problemas com olhos bem atentos”.

Anacoluto
É a quebra da lógica textual. “Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas de tão im­prestáveis”. Ocorre quando há aproximação de elementos entre os quais há alguma relação de semelhança feita por meio de um conetivo.

Metonímia

É a figura que consiste na alteração do sentido de uma palavra ou expressão quando ocorre uma relação de semelhança ou aproximação entre o sentido próprio e o que o termo adquire no contexto. Exemplo: Era véspera do Dia das Mães e a loja estava preocupada com as ven­das, muito inferiores às do ano anterior.

Sinestesia

É o recurso linguístico que propõe ou sugere a mis­tura dos sentidos – olfato, tato, paladar, audição e visão. “Os carinhos (tato) de Godofredo não tinham mais o gosto (prazer) dos primeiros tempos”. É o emprego de palavras com sentido figurado quan­do, na língua portuguesa, inexiste um termo apropriado para se fazer referência a um objeto, um pensamento ou uma ação. “A perna da mesa está torta”.

Antonomásia

É a substituição do nome do ser por uma palavra ou expressão que possa identificá-lo. “A cidade-sorriso é a capital mais fria do Brasil”.

Silepse

Também chamada de concordância ideológica, é a concordância que se faz com a ideia expressa pelo ter­mo, e não com sua forma escrita. Há três tipos de silepse: de gênero, de número e de pessoa.
• Género – ocorre quando o predicativo concorda com a ideia e não com a forma escrita de seu referente. “Vossa Excelência está cansado, (referindo-se a um homem)”;
•    Número – é a concordância que se faz com a ideia de número contida na palavra. “O público estava irritadíssimo com o atraso do show. Exigiam a devolução do dinheiro pago pelos ingressos” (a forma verbal exigiam está concordando com a ideia de muitas pessoas con­tida na palavra público).
•    Pessoa – ocorre quando o verbo aparece em uma pessoa diferente do sujeito, se o contexto indi­car, por exemplo, a inclusão da pessoa que fala
entre os seres identificados como sujeitos. “É sabido que os gaúchos somos um povo muito hospitaleiro”.

Hipérbato

É a inversão na ordem natural e direta dos termos da oração. Exemplos de inversão não faltam na literatura:

Aliteração

É a sucessão de sons similares (consoantes ou síla­bas) nos versos. “Que um fraco Rei faz fraca a forte gente!”

Eufemismo

É o abrandamento da informação a fim de tornar a mensagem menos agressiva, grosseira ou desagradável. Referindo-se à morte, Manuel Bandeira assim se expres­sou: “Quando a indesejada das gentes chegar”.

Ironia

Consiste em sugerir-se o contrário do que as pala­vras parecem exprimir. Machado de Assis é um verdadeiro mestre da ironia.

Polissíndeto

É a repetição da conjunção e. “E eu, e você, e todos aqueles que acreditaram em nossa luta vencerão”.

Assíndeto

É a omissão da conjunção. “Fere, mata, derriba denodado […]”

Hipérbole

É o exagero na ideia expressa. Hoje eu já fiz mais de mil coisas.

Litotes

É o contrário da hipérbole. Hoje eu não fiz nada.

Prosopopeia

É a figura que consiste em atribuir a outros seres, vivos ou não, características humanas. “Em um belo céu de anil, os urubus, fazendo ronda, discutem, em mesa redonda, os destinos do Brasil”.

Antítese

É a aproximação de palavras e expressões de senti­dos opostos. “O sol e a lua, o céu e a terra, cada qual em seu lugar.” Quando a antítese resulta em contradição, diz-se que ocorre um paradoxo.

Gradação

Ocorre gradação quando se emprega uma sequência de palavras, expressões ou frases que intensificam pro­gressivamente uma ideia. “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada”.