A colocação pronominal nas locuções verbais


A colocação pronominal estuda a disposição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) dentro da estrutura da frase, levando em consideração o verbo. Nesse sentido, são 3 posições possíveis para o pronome ocupar:

* Pronome antes do verbo, que é chamado de próclise;
* Pronome no meio do verbo, que é chamado de mesóclise;
* Pronome depois do verbo, que é chamado de ênclise.

Observe abaixo mais detalhadamente as regras da língua portuguesa para a aplicação das colocações pronominais.

A colocação pronominal nas locuções verbais

Locuções verbais

A colocação pronominal nas locuções verbais é um estudo da gramática normativa. Para nos familiarizarmos e aplicarmos bem as regras é necessário entender claramente suas bases conceituais.

A colocação pronominal define-se com posicionamento do verbo. Já nas locuções verbais, é a junção de dois verbos – verbo auxiliar + verbo principal – que estarão expressos numa das três formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Em outras palavras, os dois verbos fazem o papel de um, como em “vou falar”, “estou dizendo”, etc. Veja alguns exemplos da locução verbal e, em seguida, a colocação pronominal adequada a cada uma:

* Infinitivo: “Devo dizer”.
O verbo auxiliar é o “devo” e o verbo principal é o “dizer”, pois é ele que está no infinitivo.

* Gerúndio: “Estava dizendo”.
O verbo auxiliar é o “estava” e o verbo principal é o “dizendo”, pois é ele que está no gerúndio.

* Particípio: “Tenho dito”.
O verbo auxiliar é o “tenho” e o verbo principal é o “dito”, pois é ele que está no particípio.

Nas situações onde se tem um verbo auxiliar e um verbo no infinitivo, a posição do pronome pode ser antes, no meio, ou depois das locuções verbais. Como nos exemplos:

* O professor nos deve ajudar com o problema.
* O professor deve-nos ajudar com o problema.
* O professor deve ajudar-nos com o problema.

Nas situações em que se tem um verbo auxiliar e um verbo no gerúndio, a regra é a mesma. Pode-se ter o pronome antes, no meio ou depois da locução verbal, como nos exemplos:

* O professor me estava ajudando com o problema.
* O professor estava-me ajudando com o problema.
* O professor estava ajudando-me com o problema.

Nas situações em que se tem um verbo auxiliar e um verbo no particípio, a regra muda. O pronome pode estar antes e no meio, mas nunca depois da locução verbal. Observe:

* O professor me tinha ajudado com o problema.
* O professor tinha-me ajudado com o problema.
* O professor tinha ajudado-me com o problema. (errado)

Em casos de atração, o pronome nominal pode estar antes ou depois do verbo, e jamais no meio. Isso porque a atração só prevalece quando há um verbo. Observe nos exemplos:

* Não lhe estava dirigindo a palavra.
* Não estava dirigindo-lhe a palavra.

Em casos onde não existe a atração, o pronome pode estar no meio dos dois verbos, como nos exemplos:

* Estava lhe dirigindo a palavra.
* Estava dirigindo-lhe a palavra.

O uso da colocação nominal

Por possuírem uma tonalidade fraca, os pronomes se unem aos verbos, para que a sua pronúncia seja ressaltada.

A próclise é utilizada:

* Para acompanhar expressões ou palavras negativas: de modo algum, não, nem, nada, ninguém, jamais. Exemplo: “Ninguém se declarou culpado”.
* Em conjunções subordinativas: se, que, porque, quando, logo, embora, conforme. Exemplo: “Conforme me lembro, o tombo não foi tão engraçado”.
* Com advérbios, desde que este não seja precedido de uma vírgula. Exemplo de quando é aplicado: “Talvez o chamasse, se tivesse visto”. Exemplo de quando é descartado: “Talvez, se visto, chamava-lhe”.
* Com pronomes indefinidos, relativos e demonstrativos. Exemplos: “Quem me contratou, que me pague” (relativo); “Isso me fez um grande mal” (demonstrativo); “Alguém me disse certa vez” (indefinido).
* Em frases exclamativas e optativas, que exprimam desejo. Exemplo: “Deus o abençoe!”.
* Em frases interrogativas. Exemplo: “Quem me ligou hoje de manhã?”.
* Em casos onde há verbo no gerúndio que antecede da preposição “em”. Exemplo: “Em se tratando de futebol, é um especialista”.
* Com formas verbais proparoxítonas. Exemplo: “Nós o tratávamos como filho”.

Usa-se mesóclise nos casos de verbo conjugado no futuro do pretérito (ia acontecer e não aconteceu) ou no futuro do presente (o que irá acontecer). Veja alguns exemplos:

* Convidar-te-ei para meu casamento.
* Convidar-te-ia para meu casamento.

* Despedir-me-ão após essa falha.
* Despedir-me-iam após essa falha.

Em casos onde há uma palavra que atrai um pronome, usa-se a próclise. Exemplo:

* Não me despedirão após essa falha.

Usa-se a ênclise:

* Se o verbo iniciar qualquer uma das orações do período. Exemplos: “Arrancou-me risadas com suas anedotas”; “Depois que pensou melhor, arrependeu-se amargamente”.
* Se o verbo está no gerúndio. Exemplo: “Você está comportando-se”.
* Se o verbo está no imperativo afirmativo. Exemplo: “Amigos, acalmem-se”.
* Se o verbo está no infinitivo. Exemplo: “Vou acompanhá-lo”.
* Se o verbo está no infinitivo impessoal: “Tentou dar-lhe algo”.

Obs: O uso está sempre errado quando é aplicado no futuro e particípio do verbo. Exemplo: “Tornarei-me…”.